![]() Down: O Elevador da Morte
Original:Vniz / Down
Ano:2025•País:Rússia Direção:Marius Vaysberg Roteiro:Marius Vaysberg Produção:Marius Vaysberg, Vadim Vereshchagin Elenco:Anfisa Chernykh, Egor Bulatkin, Igor Mirkurbanov, Stepan Ryumkin, Nina Aleksandrova |
Uma das características mais marcantes e geniais das produções do horror é sua incrível capacidade de ressignificar temas, ambientes e objetos a fim de torná-los partes ativas de suas narrativas assombrosas. Ainda que não precise de uma direção de horror para gerar tensão e medo aos usuários, os elevadores configuram um dos cenários mais curiosos para concentrar uma narrativa de horror. Nas mãos de bons roteiristas, a ideia já rendeu boas histórias aos fãs do gênero, como os cults O Elevador Assassino (1983) e Demônio (2010), obras em que a plataforma ultrapassa a condição de cenário para se tornar personagem com orientação própria.
Não é bem o que acontece com a nova produção do streaming Adrenalina Pura+, o russo Down: O Elevador da Morte, que estreia hoje. Com direção e roteiro de Marius Vaysberg, o longa parte de uma premissa interessante que facilmente o enquadra como “thriller de confinamento”, categoria que costuma requerer boas ideias para que as produções se mantenham em coesas e o espectador atento.
A trama acompanha os recém-casados Marina (Yuliya Melnikova) e Anton (Egor Bulatkin), que, logo após a cerimônia de casamento, em vez de partirem para as Maldivas para sua aguardada lua de mel, eles acabam presos em um elevador no 60º andar de um arranha-céu, junto com um desconhecido. O desconhecido, como se descobre na sequência, nem é tão desconhecido assim e tampouco está ali por acaso.
O que se segue a partir daí é um conjunto de reviravoltas até interessante, mas que se perdem ante os muitos acontecimentos e situações que tornam a narrativa excessivamente frenética, especialmente na sua segunda metade. Enquanto na primeira parte a claustrofobia é representada de forma sutil a partir de um forte apelo psicológico, na segunda parte, a dinâmica do thriller se apresenta e reorienta toda a trama numa virada inesperada.
Muitas coisas incomodam aqui, e isso vai além dos celulares praticamente descartáveis usados pelos protagonistas em pleno século 21. Essa história, na verdade, apesar do ótimo argumento, não se sustentaria uma hora no mundo real, e olha que ela corre quilômetros de distância do sobrenatural. Mas tudo ok. Isso é cinema, ou TV, e as escolhas “artísticas” se amarram em direção a um bom final, que é o que os curtidores de horror barato esperam, e ainda com potencial para uma sequência bagaceira futuramente.





