Predators (2025)

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Predators
Original:Predators
Ano:2025•País:EUA
Direção:David Osit
Roteiro:
Produção:David Osit, Kellen Quinn
Elenco:Mark de Rond, Dani Jayden, Casey Mauro, Dan Schrack, Greg Stumbo, Byron Harris, John Roach, Walt Weiss, Skeeter Jean, T Coy, Shawn Rech, Chris Hansen, David Osit

Não confunda o título deste filme com aqueles monstros da ficção científica enfrentados por Arnold Schwarzenegger e Danny Glover. Os monstros retratados neste documentário dirigido por David Osit (Mayor) são reais e humanos. Mais especificamente, são pessoas que tiveram seus crimes expostos em um programa de TV cuja proposta era impedir a perpetuação de crimes hediondos.

Disponível na Paramount+, o documentário Predators (2025) se propõe a estudar a popularidade do programa To Catch a Predator, exibido na emissora americana NBC entre 2004 e 2007, analisar seu impacto atual na cultura imediatista da internet e tentar entender se a atração, em algum momento, teve interesse em resolver o problema que expunha, ou se apenas se beneficiava da perpetuação desses crimes.

Inicialmente, o documentário detalha o funcionamento de To Catch a Predator, mostrando como o programa contratava jovens atores para se passar por adolescentes, conversar com possíveis abusadores pela internet e eventualmente atraí-los até uma casa, onde eram confrontados pelo apresentador Chris Hansen. Após fazerem confissões emocionadas, os criminosos saíam da casa ao encontro da polícia, que os aguardava do lado de fora.

Em paralelo, o documentarista David Osit realiza entrevistas com algumas das pessoas envolvidas no programa (como os atores contratados para servir de “iscas”), além de conversar com o professor de etnografia Mark de Rond, que oferece uma visão filosófica sobre o fenômeno que foi To Catch a Predator e como o programa serve mais para alimentar o nosso gosto pelo sofrimento alheio do que para saciar a nossa sede por justiça.

O primeiro ato do documentário é, sem dúvida, o melhor. O choque entre as imagens de arquivo – que exibem as conversas horrendas realizadas pelos predadores – e as cenas inéditas gravadas logo após suas capturas produz um efeito incômodo. Nessas imagens, vemos esses homens em silêncio, chorando ou implorando por ajuda. Como explica Mark de Rond, há uma contradição nessas cenas que nunca foram exibidas, porque “mostrar esses homens como seres humanos causaria a ruptura do programa”.

Vale destacar, porém, que o filme não procura absolver seus personagens. Não se trata de relativizar a gravidade de seus crimes, mas de evidenciar como o programa dependia da supressão dessa dimensão humana para sustentar a lógica de espetáculo. Ainda de acordo com de Rond, “talvez o apelo de um programa como esse seja que ele mostra um mundo do bem contra o mal. E você sabe de que lado está”.

A ideia da desumanização como algo necessário para o espetáculo é um tema interessante, mas pouco explorado pelo documentário. Da mesma maneira, o filme também escolhe não se aprofundar em outros aspectos espinhosos, como a suposta ilegalidade de certos procedimentos adotados pelos realizadores de To Catch a Predator – ilegalidade esta que levou ao arquivamento de vários casos pela promotoria e esteve associada à morte de ao menos uma pessoa.

Em vez disso, o filme opta por explorar as diversas cópias do programa que surgiram no ambiente online: produções amadoras, realizadas sem o apoio da polícia, cujo intuito é expor os criminosos não por um senso de justiça, mas pela busca por cliques – uma busca também atravessada por atos possivelmente ilegais. O youtuber Skeeter Jean, por exemplo, explica em determinado momento as estratégias que precisa adotar para contornar a censura do YouTube, como inserir pessoas vestidas como policiais em seus vídeos para conferir um tom de autoridade à produção.

Por fim, o filme também narra a busca pessoal do cineasta David Osit pela resposta para uma pergunta central em To Catch a Predator: “Por que você está aqui?”, questionava o apresentador Chris Hansen a cada uma das pessoas que ele expunha – e ninguém oferecia uma explicação. No entanto, o que Predators nos mostra é que essa ausência de resposta não decorre de uma incapacidade, por parte dos acusados, de explicar seus próprios atos, mas do desinteresse, por parte de quem pergunta, em escutar a resposta.

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