This Is Not a Test (2025)

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This is not a Test
Original:This is not a Test
Ano:2025•País:Canadá
Direção:Adam MacDonald
Roteiro:Adam MacDonald, Courtney Summers
Produção:Cybill Lui, Adam MacDonald
Elenco:Olivia Holt, Jeff Roop, Froy Gutierrez, Corteon Moore, Krista Bridges, Chloe Avakian, Carson MacCormac, Perez Tieku, Joelle Farrow, Missy Peregrym, Luke Macfarlane

O começo de um filme de zumbis diz muito sobre ele. Seja um carro passando por uma estrada deserta, um helicóptero sobrevoando uma cidade morta ou o caos numa manhã de uma metrópole em seu despertar. Não é necessária uma explicação para o surto, deixando a imaginação transcorrer através de detalhes, enquanto já imerge o público num ambiente de descontrole e insegurança. Um dos inícios mais interessantes do subgênero pode ser visto em Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, 2004), quando Sarah Polley se vê em um cenário de perseguição e morte numa manhã aparentemente tranquila, antes de buscar abrigo em um shopping center. O ponto de partida de This Is Not a Test (2025) lembra bastante o de Zack Snyder, como se Sloane (Olivia Holt) pudesse cruzar a qualquer momento com um Ving Rhames desnorteado — não atravessando a rua com um lanche de fast food. Apesar do prólogo intenso, infelizmente o longa de Adam MacDonald não se sustenta nos atos seguintes, ficando apenas no “quase vale a recomendação“.

Produzido pela Anova Pictures, em associação com a North Avenue Pictures e a WorldOne Entertainment, This is Not a Test é inspirado em um romance adolescente homônimo de Courtney Summers, publicado em 2012. Com direção e roteiro de Adam MacDonald, de Pyewacket – Entidade Maligna (2017), o filme começa em um tom melancólico: na banheira, Sloane relê sua carta de suicídio e prestes a cometer o ato, é interrompida pelo seu agressivo pai (Jeff Roop), chamando-a para tomar café. Em pouco menos de um minuto, já se entende a razão do desespero da jovem, já sem expectativa para uma mudança e desistindo de viver “um dia após o outro“. Um grito na rua atrai a atenção da jovem que abre a porta da frente para enxergar um cenário parecido com aquele de 2004: correria, pessoas sendo atacadas e gritos de agonia. Atônita, Sloane não consegue acreditar no que está vendo, sem qualquer reação mesmo quando uma infectada parte em sua direção, precisando da ajuda do pai. Essa mesma zumbi saltará pela janela e atacará o responsável por suas angústias, enquanto a garota, despertada de seu transe, partirá em disparada pelas ruas.

 

No caminho, ela reencontrará dois colegas da escola, Rhys Moreno (Froy Gutiérrezm de Os Estranhos: Capítulos 1 e 2) e Cary Chen (Corteon Moore, de From), além de Grace (Chloe Avakian) e Trace Casper (Carson MacCormac, de O Palhaço no Milharal, 2025) e a mãe deles, interpretada por Krista Bridges (O Homem dos Sonhos, 2023). Após um breve abrigo numa moradia, entre as pequenas desavenças entre Cary e a Sra. Casper sobre decisões e liderança, o grupo opta pela escola, devido aos vidros reforçados, perdendo tragicamente a mais velha no percurso. E é na escola que se concentrará boa parte do filme, propondo uma referência pouco discreta ao clássico juvenil Clube dos Cinco (The Breakfast Club, 1985). Mas eles não estarão sozinhos: há mais alguém no prédio para ocasionar desconfiança e acusações, e colocá-los um contra os outros.

Adam MacDonald perdeu uma grande oportunidade de referenciar Despertar dos Mortos (Dawn of the Dead, 1978) no papel da escola do subconsciente dos jovens ao atrai-los ao local pela obrigatoriedade social; e A Noite dos Mortos-Vivos (Night of the Living Dead, 1968) em um final ousado de reencontro com o pai. Em vez disso, optou por estereotipar os adolescentes e, pior, apresentá-los como seres estúpidos, com decisões idiotas e sem profundidade. À exceção de Sloane, com uma questão mal resolvida com o pai e a irmã, Lily (Joelle Farrow) e os demais são uma representação fútil de jovens, não permitindo qualquer preocupação com seus destinos. A relação entre os irmãos Casper nunca fica muito evidente para justificar uma ação drástica, e Cary não se define pelas atitudes de liderança, sendo um personagem absolutamente descartável. Pelo menos, é ele quem faz a definição mais acertada do grupo quando assume que “são as pessoas mais estúpidas da face da terra“.

Dentre as ideias de um enredo trivial, a única que pode ser considerada inédita é a discussão sobre uma pessoa ter sido mordida por outra não contaminada, propondo uma paranoia que não avança como poderia, quando esta morde uma outra também, ainda sem que saibam se alguém ali tem a doença. A maquiagem dos zumbis é o arroz com feijão do subgênero (olhos escuros, o rosnar e a correria são pratos comuns no estilo), e a violência é bem contida, sem que o sangue escorra o suficiente para se destacar.

This Is Not a Test tinha potencial para algo mais profundo e diferente. Optou pelas referências erradas e pela relação boba dos jovens numa situação claustrofóbica, provando que eles não são diferentes dos adultos quando colocados em situação apocalíptica, pelo menos na proposta de MacDonald. Se fosse uma prova, nenhum ali tiraria uma nota maior que C+.

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