Your Body Will Never Be Found (2025)

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Your Body Will Never Be Found
Original:Your Body Will Never Be Found
Ano:2025•País:EUA
Autor: Jeff Strand•Editora: Independently Published

Jeff Strand é um autor conhecido por suas histórias simples, mas efetivas.

Nada de melodrama, grandes filosofias ou coisa do tipo: seus livros ganharam popularidade por serem diretos ao ponto, engraçados na medida do possível (principalmente no que envolve o emprego de sátiras) e extremamente violentos. É justamente esse último tópico que serve de alicerce para Your Body Will Never Be Found.

No livro, o autor explora os limites da perversidade e da violência. É a história de uma família nos moldes de um comercial de margarina: o pai, a mãe e seus dois filhos perfeitos voltando para casa de carro após as férias de verão. Em um dado momento, eles se perdem no meio da estrada e acabam frente a frente com um bando de lunáticos.

Se o plot de Your Body Will Never Be Found te lembrou de filmes como Pânico na Floresta, O Massacre da Serra Elétrica e outros semelhantes, saiba que o efeito foi intencional. Desde o princípio, Strand não esconde que esta é uma história inspirada nos clássicos do subgênero slasher, sendo que o livro promove referências aos grandes títulos tanto em seu desenvolvimento geral quanto em clichês. A diferença aqui, com toda certeza, é o grau de violência com o qual a trama se desenrola. Se, em filmes como Sexta-Feira 13, assistimos Jason empalando suas vítimas com um facão, o grupo de lunáticos de Your Body Will Never Be Found cuspiria na máscara do assassino e diria que ele acabou com toda a diversão!

Em Your Body Will Never Be Found, o objetivo dos perseguidores não é simplesmente eliminar a família que milagrosamente apareceu na porta da casa onde estavam, aguardando o momento perfeito para colocarem em prática seus planos obscuros. A real motivação para seus atos — aquilo que faz tudo valer a pena — é a tortura dos corpos e das mentes de suas vítimas. Os antagonistas, nesse livro, desprezam qualquer nível de moralidade, o que rende ao leitor descrições grotescas e perseguições que, sem dúvidas, vão atacar a ansiedade.

Infelizmente, o maior triunfo do livro — essa coragem de ser violento e explosivo — também é seu maior defeito. Se, nos primeiros capítulos, as ações dos vilões me surpreenderam e, em certos momentos, enojaram, com o avançar das páginas começam a soar apenas extremamente repetitivas. A justificativa de Strand para seus protagonistas não serem eliminados desde o primeiro instante é suficientemente boa para motivar os eventos da história, mas rapidamente passa a ser um impedimento para a própria trama. Os personagens sádicos, violentos e imprevisíveis subitamente ficam presos a regras muito específicas, que desafiam a suspensão de descrença do leitor. Afinal, por que não eliminar a ameaça iminente dos mocinhos com o pensamento de que você vai torturá-los mais tarde, se é exatamente essa inação que obviamente causará o seu fim? São vários os momentos em que os antagonistas possuem vantagem, mas, atados aos clichês do gênero, são superados de formas pouco criativas.

Ademais, em algumas passagens, os sobreviventes parecem simplesmente sobre-humanos: resistem a danos terríveis e vencem a batalha, mesmo quando tudo indicava o contrário. A história é construída para acreditarmos que aquela é uma família normal, sem experiência em nada daquilo — embora haja um capítulo de flashback dedicado a explorar o fato de que até mesmo os familiares são um tanto quanto sádicos. De repente, eles se tornam máquinas de batalha, quebrando paredes e móveis, correndo quilômetros e derrotando seus adversários.

Outro aspecto que me incomodou foram os personagens, de maneira geral.

Quando falamos sobre slashers, seja no cinema ou em qualquer outra mídia, somos condicionados a aceitar que o desenvolvimento dos personagens não terá tanta importância quanto em outros subgêneros, considerando que esse não costuma ser o foco. Contudo, em Your Body Will Never Be Found, todos são genéricos demais para se sustentarem. Sobre a família protagonista, isso até parece intencional, já que a ideia do livro é que essas tragédias poderiam acontecer com qualquer um — inclusive você. Mas e os assassinos? Aí não tem perdão.

O mais interessante em um slasher, quase sempre, é o assassino. De Halloween a Pânico, e qualquer outro que você possa imaginar. Nesse livro, infelizmente, os perseguidores são limitados, tanto em enredo quanto em personalidade. São muito parecidos entre si, sem carisma; tanto que meu favorito foi justamente o mais diferente entre eles, que teve um desfecho tão abrupto e desinteressante que pareceu mais uma tentativa do autor de manter a narrativa imprevisível — outra de suas marcas registradas.

Por fim, como mencionado anteriormente, a repetição de ideias e situações foi crucial para que eu me afastasse do livro, pois os eventos se tornaram tão maçantes que simplesmente deixaram de despertar minha curiosidade. Contudo, há outro elemento que contribuiu ainda mais para que minha experiência com o título fosse negativa: a forma como Jeff Strand constrói o gore.

Em um primeiro momento, a violência do livro é interessante. O autor não teme ser disruptivo, nadar contra a maré atual — em que todas as mídias tendem a proporcionar conforto aos seus consumidores, mesmo em histórias de terror. Os primeiros embates são brutais e surpreendentes. Strand descreve vísceras expostas, ossos quebrados e gemidos inaudíveis; o sangue parece jorrar das páginas!

Mas então surge o exagero.

Subitamente, os personagens não se machucam — eles explodem. As paredes são pintadas de sangue, armas são disparadas a esmo e socos e pontapés preenchem os parágrafos. O que deveria ser uma batalha pela sobrevivência passa a lembrar uma fábula caricata. O autor exagera tanto na forma como concebe a violência, nos detalhes escatológicos que emprega, que o resultado mais parece uma criança tentando soar assustadora.

Todos passamos por essa fase: quando aprendemos algo novo e exageramos ao máximo. Como uma criança que, ao desenhar, não faz apenas uma casa, mas também o sol, árvores, pessoas — e, quando se vê, há tanta coisa no papel que a ideia principal se perde. Em minha visão, Jeff Strand está preso exatamente nessa fase: adicionando tantos detalhes grotescos que tudo se torna excessivo e pouco crível, mesmo dentro da ficção.

Imagine se, em vez de Michael Myers ser aquela presença silenciosa e ameaçadora, ele gritasse aos quatro ventos o quão malvado é. A violência perderia completamente o peso. Nesse livro, é assim que acontece. Um momento de tensão está sendo descrito e, do nada, lá vem duas páginas descrevendo, em detalhes minuciosos, o intestino exposto de alguém. Soa legal para você? Eu também pensava dessa forma, por ser fã de gore. Mas acredite, a graça de ler a mesma coisa de novo e de novo acaba rápido.

Em conclusão, Your Body Will Never Be Found foi uma leitura decepcionante. O livro até tenta explorar temas que poderiam ser interessantes dentro do subgênero, mas faz isso com uma infantilidade que acabou me afastando não apenas desta obra, mas também dos demais trabalhos do autor. Talvez você, que esteja lendo este texto, goste mais do que eu. Sinceramente? Leia — sou da opinião de que toda leitura é válida. Mas, no meu caso, eu certamente teria preferido algo mais inventivo e menos blasé.

No fim do dia, de todos os sentimentos que o livro poderia me proporcionar, com tanto apelo à vilania e à sanguinolência, jamais esperei que o principal fosse a indiferença — com certeza pior destino possível para uma história que queria tanto chocar.

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