![]() A Morte Pede Carona
Original:The Hitcher
Ano:2007•País:EUA Direção:Dave Meyers Roteiro:Eric Bernt, Eric Red, Jake Wade Wall Produção:Michael Bay, Andrew Form, Brad Fuller, Alfred Haber Elenco:Sean Bean, Sophia Bush, Zachary Knighton, Neal McDonough, Kyle Davis, Skip O'Brien, Travis Schuldt, Danny Bolero, Jeffrey Hutchinson, Yara Martinez, Lauren Cohn, Michael J. Fisher |
Rutger Hauer mostrou que as estradas podem ser bem mais perigosas do que o risco de perder o controle na pista ou cruzar com um motorista que não respeita as leis de trânsito. Os thrillers de estrada mudaram as vestimentas depois do cult A Morte pede Carona (The Hitcher, 1986), de Robert Harmon, a partir de um roteiro de Eric Red. C. Thomas Howell sofreu para provar sua inocência e enfrentar a inteligência de um serial killer que pedia para ser parado. O assassino encontraria seu fim na última e antológica cena, enquanto Jim teria mais problemas no deserto no ruinzinho A Morte Pede Carona 2 (The Hitcher II: I’ve Been Waiting, 2003). Quando a Platinum Dunes iniciou uma série de refilmagens de produções cult, como O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, 2003) e Horror em Amityville (The Amityville Horror, 2005), o road thriller foi refeito em 2007, sob o comando de Dave Meyers, a partir de um roteiro de Eric Bernt e Jake Wade Wall.
A única boa notícia dessa nova versão é a escolha de Sean Bean como John Ryder. O ator que mais morre no cinema tinha a difícil missão de se equiparar com a loucura insana de Hauer, que mesclava frieza e controle absoluto das ações. Ele é o pesadelo do casal jovem Grace Andrews (Sophia Bush, de Stay Alive: Jogo Mortal, 2006) e Jim Halsey (o até então limitado Zachary Knighton, de Medo em Cherry Falls, 2000), em travessia pelo Novo México para encontrar amigos nas férias de primavera. A distração na estrada quase faz com que atropelem um caroneiro, durante uma tempestade. Fogem do local apenas para reencontrá-lo na loja de conveniência de um posto, aceitando, por fim, dar uma carona ao aparente simpático moço.
“Se você não é casado, por que usa aliança?“, pergunta Jim, ouvindo como resposta algo como “para transmitir confiança” – Ted Bundy e outros assassinos agiram da mesma forma em suas trilhas de sangue. É tarde demais. Com uma faca, ele ameaça arrancar um olho de Grace, pedindo para o jovem dizer que deseja morrer. Na única atitude inteligente do rapaz, ele freia subitamente fazendo John bater a cabeça no parabrisa antes de ser chutado para fora do carro. Poderia ser a solução dos problemas, se logo depois eles não resolvessem parar para descansar na estrada e as conveniências do roteiro não ajudassem nos constantes reencontros.
Como no original, na repetição de muitas cenas, pouco depois o casal enxerga uma família feliz em um veículo e descobre que atrás do ursinho de pelúcia está o assassino. E o longa segue no mesmo formato: pedem ajuda à polícia, mas são considerados culpados pelos crimes, numa reedição de Bonnie e Clyde. Quando finalmente são presos, John assassinará todos os policiais da delegacia para continuar seu jogo de provocação, na insistência de ser parado. Seja derrubando vários carros e até um helicóptero (que estranhamente cai sem qualquer sinal de queda e explosão), John Ryder na versão anos 2000 também é uma máquina assassina, matando quem cruzar seu caminho. A sorte dele é que o casal de protagonistas sempre opta pelas decisões mais estúpidas, facilitando boa parte de seu trabalho sangrento.
Há o acerto do passado de John Ryder nunca explorado, como se fosse um demônio da estrada. Mas quem conhece o original já sabe todo o percurso, como se fosse uma estrada repetida no deserto das refilmagens. Dave Meyers até faz um trabalho aceitável na direção, a partir de sua experiência com clipes musicais, o que justifica a dinâmica de ação. Já os efeitos digitais são bem pouco convincentes, desde o coelho atropelado no prólogo e algumas sequências como da queda de um veículo de uma colina. Para um orçamento de US$10 milhões de doletas, o filme conquistou US$25, o que quase o condicionou a um sucesso. A Platinum continuaria refazendo filmes como Sexta-Feira 13 (Friday the 13th, 2009) e A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 2010), antes de partir para outros sustos.
A Morte pede Carona não deve ser ruim para quem não conhece o original. Pode servir de passatempo de estrada, quando você fica analisando placas e criando narrativas ou até escolhendo cenas da paisagem com uma letra. Quem já sabe o caminho terá a impressão da repetição de uma viagem, tendo consciência que a primeira experiência foi bem melhor.






