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A Casa dos Desejos
Original:La Residencia
Ano:1969•País:Espanha
Direção:Narciso Ibáñez Serrador
Roteiro:Narciso Ibáñez Serrador, Juan Tébar
Produção:Arturo González
Elenco:Lilli Palmer, Cristina Galbó, John Moulder-Brown, Maribel Martín, Mary Maude, Cándida Losada, Pauline Challoner, Tomás Blanco, Víctor Israel

Falei esses dias sobre o filme ¿Quién puede matar a un niño?, de Narciso Ibáñez Serrador, aqui no Boca, e por coincidência (ou algorítimo), me apareceu nas indicações do Youtube o filho primogênito do diretor espanhol, La Residencia, ou A Casa dos Desejos, como aponta o IMDB. Trata-se de uma boa estreia, e que avaliando juntamente com o filme das crianças malditas, segundo e último longa do cineasta, formam uma boa produção que nos leva a lamentar Ibáñez Serrador não ter dado seguimento à sua carreira no cinema.

La Residencia narra a história desse internato para garotas “mal comportadas”, localizado na França do século 19 e comandado com mãos de ferro pela diretora do lugar, Sra. Forneau, brilhantemente interpretada por Lilli Palmer. Tudo começa com a chegada da nova residente do lugar, a jovem Tereza (Cristina Galbó), que guarda uma história familiar trágica e espera encontrar no lugar seu novo lar. No internato, além das disciplinas escolares, as garotas se entretêm com atividades como gastronomia, jardinagem, costura, música e afins, e nada nos dá indicativo de que, até o momento da chegada de Teresa, três garotas já haviam desaparecido no local. Há algo estranho no local, mas parece que ninguém liga.

Diferentemente do que acontece em filmes como Suspiria, aqui não temos nenhuma jovem com curiosidade suficiente para investigar o que acontece. Todas estão com os hormônios em fúria e mais preocupadas com os encontros clandestinos com o responsável pela correspondência do local, enquanto as monitoras têm como divertimento infringir pequenas humilhações nas internas.

Os mais afoitos podem cansar rapidamente do filme por conta do andamento, que se não é exatamente lento, demora muito para engrenar algum mote: só com 40 minutos de filme é que “algo” acontece de fato e podemos entender do que trata a história. Essa lentidão, no entanto, esconde muitos detalhes que não parecem interessantes mas que se encontram na conclusão do ato final, bizarra e divertida, até surpreendente, como todo bom filme de horror merece.

Fora esses detalhes, a produção guarda certo requinte. A direção de arte e ambientações são impecáveis, e os cenários associados à iluminação garantem uma atmosfera lúgubre que tornam cada cena muito “misteriosa”, com forte apelo gótico. As relações entre os personagens centrais (são muitos) são bem representadas e guardam a alma da história. As frivolidades das garotas são parte essencial dos acontecimentos que levam ao desfecho.

Um destaque aqui é a interpretação de Lilli Palmer como a diretora Forneau. Tem atitude forte e um sentido rigoroso de disciplina difícil de ignorar em cena. Ela protagoniza algumas das cenas mais fortes do longa, especialmente aquelas ao lado da monitora Irene, vivida por Mary Maud.

Mais uma vez, La Residencia está disponível no Youtube, com boa qualidade e legendas.

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