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Kraken
Original:Kraken
Ano:2026•País:Noruega
Direção:Pål Øie
Roteiro:Vilde Eide, Kjersti Helen Rasmussen, Natasha Arthur, Pål Øie, Sjur Aarthun
Produção:John Einar Hagen, Einar Loftesnes
Elenco:Sara Khorami, Mikkel Bratt Silset, Ingvild Holthe Bygdnes, Øyvind Brandtzæg, Jenny Evensen, Steinar Klouman Hallert, Filip Bargee Ramberg, Hans Morten Hansen, Jon Erik Myre, Silje Breivik, Anderz Eide

As terras norueguesas podem esconder trolls e outras criaturas mitológicas como o temível Kraken. Tendo as primeiras menções em diários de viagem e glossários, desde o século XVII, passou a fazer parte da ficção quando o escritor francês Victor Hugo o introduziu em Os Trabalhadores do Mar (Les Travailleurs de la Mer), publicado em 1866. Depois, teve uma versão aventuresca no clássico Vinte Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne. No cinema, o primeiro destaque veio no sci-fi O Monstro do Mar Revolto (It Came from Beneath the Sea, 1955), com recursos de stop-motion a cargo do mestre Ray Harryhausen. Depois vale citar a bagaceira italiana Tentáculos (Tentacoli, 1977), de Ovidio G. Assonitis, e o divertido Tentáculos (Deep Rising, 1998), de Stephen Sommers, com Treat Williams e Famke Janssen. Kraken teve uma produção russa, lançada ano passado por Nikolay Lebedev, e este norueguês de Pål Øie, diretor dos obscuros Floresta das Sombras (Villmark, 2003), Skjult (2009) e A Clínica do Horror (Villmark 2, 2015). Recentemente, ele chamou a atenção pelo cinema-desastre O Túnel (Tunnelen, 2019).

A investida em um monstro gigante parece vir em um momento em que o cinema não quer deixá-los adormecidos. Séries como Monarch, a franquia Jurassic World e o vindouro O Fim da Rua (The End of Oak Street, 2026) dão indícios que o público parece se sentir atraído por criaturas imensas e descontroladas. A aposta de Pål Øie não é apenas um filme de monstro gigante, mas trazer conteúdos sobre preservação ambiental em um filme sério, tentando remeter ao clássico Tubarão (Jaws, 1975), mas só estabelecendo conexão com Megatubarão (The Meg, 2018), sem Jason Statham e os aspectos divertidos.

Em uma cidade próxima a Sognefjord, uma empresa, sob a propriedade de Avaldsnes (Øyvind Brandtzæg), está desenvolvendo o interesse do mercado japonês em seu salmão, livre de qualquer parasita a partir de um dispositivo sônico. Com o objetivo de ampliar sua produtividade, o aumento da intensidade despertou um exemplar cefalópode gigantesco, ocasionando desaparecimentos e restos mortais na região. Não demora para a bióloga marinha Johanne (Sara Khorami) se aproximar dos culpados, enquanto estes tentam maquiar suas atitudes suspeitas para evitar denúncias contra a fazenda marinha. Ela reencontra uma antiga paixão, Erik (Mikkel Bratt Silset), com que trabalhou no desenvolvimento da engenhoca Sonic Lice, agora usada para manter os currais limpos.

Além de provocar redemoinhos, o monstro demora a aparecer, sem nunca ser visto por completo, justificando a falta de recursos. Há quem diga por aí que muitos dos efeitos foram realizados por uma notada IA. Não consegui perceber isso, além do tradicional CGI, com os tentáculos invadindo ambientes como as máquinas espiãs de Guerra dos Mundos. Quando o terrível Kraken resolve atacar o local, a filha de Avaldsnes, a adolescente Maria (Jenny Evensen), é poupada pela criatura, numa sequência que só faz sentido para justificar uma possível justiça divina camuflada de falta de ousadia, e referenciar Tubarão.

Os tais parasitas do Kraken aparecem como monstrinhos ao estilo facehuggers ou os parasitas do titã da segunda temporada de Monarch. Pål Øie poderia ter estabelecido uma relação cósmica com a criatura, dialogando com o Cthulhu lovecraftiano, como fez William Eubank no subestimado Ameaça Profunda (Underwater, 2020) ao por em risco a vida de Kristen Stewart. Em vez disso, optou por um eco-horror bem realizado, mas queimado em lenha e sem novidade no estilo.

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