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O Grupo de Apoio para Garotas Finais
Original:The Final Girl Support Group
Ano:2026•País:EUA
Autor:Grady Hendrix•Editora: Intrínseca

O tropo da garota final é um dos mais conhecidos dos filmes de terror, ganhando notoriedade graças especialmente aos filmes slashers. A jovem inteligente, que tem opiniões próprias e fortes, que não cede às tentações, que segue regras e, é claro, que sobrevive ao banho de sangue feito pelo assassino. Essas sobreviventes normalmente são muito queridas pelo público que consome terror por serem fortes e resilientes e não se darem por vencidas, mas o que acontece com uma garota final depois que todo aquele pesadelo acaba? O trauma fica, o constante alerta de perigo nunca desliga, possivelmente elas desenvolvem paranoias e sofrem de transtorno de estresse pós-traumático, ansiedade, depressão e muito mais. Elas ajudaram a parar os assassinos, mas quem vai ajudá-las a viverem normalmente em sociedade novamente? Grady Hendrix nos mostra o que acontece com essas heroínas traumatizadas após sobreviverem a um massacre e verem todos os seus amigos e familiares morrendo de formas brutais em O Grupo de Apoio para Garotas Finais, publicado no Brasil pela editora Intrínseca.

Lynnette é uma sobrevivente e, desde a noite que  quase foi morta e viu seus entes queridos serem brutalmente assassinados, sua vida nunca mais foi a mesma. Nem a dela, nem a de outras mulheres que também sobreviveram a horrores inimagináveis: massacres no acampamento, assassinos mascarados, pessoas que consomem carne humana. A juventude delas foi marcada por dores e traumas profundos, perseguições e sangue, e parecia que isso nunca ia ter fim. Até que, enfim, acabou. Seus monstros foram vencidos, elas venceram e podem tocar suas vidas, mas como? Uma renomada terapeuta decide ajudá-las, e para evitar o interesse público, criou encontros secretos, um grupo de apoio para essas mulheres que fizeram de tudo para sobreviver e conseguiram. Um grupo para as garotas finais processarem e superarem esses horrores. Esses encontros foram essenciais para fazer com que mantivessem a sanidade, até mesmo se curarem um pouco que seja e, até certo ponto, funcionou para várias delas. Se apaixonaram, casaram, se separaram, passaram a dar festas, montaram santuários, enfim, seguiram da melhor forma que conseguiram, mas nem por isso deixaram de frequentar o grupo após tantos anos. Lynnette não evoluiu muito na terapia, mas ter aquele grupo era a sua única estabilidade, saber que existem outras que entendem como ela se sente lhe dá algum conforto, mas isso está prestes a acabar. As outras garotas finais querem parar de vir aos encontros depois de uma década frequentando aquele lugar, só continuavam indo por saberem que isso era importante para Lynnette, a única que parece não ter evoluído nada. No meio de uma discussão sobre manter ou não o grupo, descobrem que uma delas foi assassinada. Uma garota final foi assassinada depois de tantos anos sobrevivendo, pega de surpresa. Isso acende todos os alarmes possíveis na cabeça de Lynne, que nunca baixou minimamente sua guarda em todos esses anos. Os monstros estão de volta, e eles estão indo atrás das garotas finais.

A homenagem a slashers e, especialmente, às garotas finais fica evidente desde o título, e toda a narrativa se baseia unicamente nisso. Apesar dos nomes fictícios, tanto das personagens quanto de suas franquias, é bem fácil (e divertido) reconhecer as referências a filmes clássicos como Massacre da Serra Elétrica, Pânico, A Hora do Pesadelo, Sexta-feira 13, Halloween, entre outros. A ideia de Hendrix de mostrar o que acontece com essas mulheres após os eventos traumáticos é muito interessante, mas parece não alcançar o devido potencial.

Hendrix mantém seu estilo de contar histórias com um toque de humor macabro e momentos inusitados, e isso é uma das coisas que funcionam bem aqui, assim como em seus livros anteriores. A premissa e toda a homenagem aos filmes e a esse tropo tão conhecido também é algo digno de nota, dá para notar o quanto o autor respeita o gênero e soube utilizar bem a fórmula.

O autor também aborda a decadência dos filmes slashers após sua “era de ouro”, colocando as garotas finais que outrora eram enaltecidas, agora como irrelevantes e dignas de pena, esquecíveis. Até que surge uma nova ameaça para colocá-las sob os holofotes e torná-las relevantes novamente, que foi exatamente o que aconteceu com os filmes slashers.

Apesar de seus pontos positivos, o enredo acaba ficando maçante depois de certo ponto, com um desenvolvimento sem grandes emoções. A protagonista é cansativa e repetitiva, enquanto temos várias coadjuvantes bem mais interessantes e, infelizmente, pouco trabalhadas. Lynnette está sempre pronta para fugir, com diversos planos e sempre observando as pessoas, mas sua paranoia excessiva é justamente seu ponto mais fraco. Ela acha que está muitos passos à frente, quando na verdade está atrasada. Apenas nos momentos finais que ela finalmente se comporta como uma verdadeira sobrevivente (e existe um motivo para isso, mas algumas páginas a menos favoreceriam mais a personagem). Além disso, demora a chegarmos ao ápice da história, que é previsível. Por volta da metade do livro já é possível saber quem está por trás de tudo, de modo que as tentativas de plot twist acabam sendo apenas uma enrolação desnecessária.

De qualquer modo, O Grupo de Apoio para Garotas Finais acaba sendo uma leitura que diverte por causa das diversas referências e homenagens a clássicos do terror slasher, mas também é um dos livros mais fracos de Hendrix. Com algumas páginas a menos e um desenvolvimento mais dinâmico, poderia se tornar uma das histórias mais marcantes do autor, mas acaba ficando apenas na prateleira dos competentes, porém esquecíveis.

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