![]() Street Fighter
Original:Street Fighter
Ano:2026•País:EUA, Japão Direção:Kitao Sakurai Roteiro:Kitao Sakurai, T.J. Fixman, Dalan Musson, Gary Dauberman Produção:Cale Boyter, Stefan Makhoul, Jason Momoa, Takayuki Nakayama, Mary Parent Elenco:Noah Centineo, Andrew Koji, Callina Liang, David Dastmalchian. Andrew Schulz, Joe Anoa'i, Cody Rhodes, Jason Momoa, Eric André, 50 Cent, Ma Dong-seok, Orville Peck, Hirooki Goto, Olivier Richters |
Acho importante iniciar esta crítica dizendo que não tenho o hábito de jogar videogames e que meu último contato com os jogos de Street Fighter foi nos anos 1990, durante o auge da popularidade dessa franquia de luta. Também não assisti às animações. Mas vi, na época do lançamento, a primeira versão cinematográfica live-action, Street Fighter – A Última Batalha (Street Fighter, 1994), estrelada por Jean-Claude Van Damme. Portanto, vou julgar o Street Fighter de 2026 somente pela obra que é…
… e que começou já me passando a pior das impressões, ao mostrar Ryu (Andrew Koji) ouvindo “What’s Up?”, do 4 Non Blondes, que também toca no asqueroso Mestres do Universo (Masters of the Universe, 2026). Não sei qual é a tara dos atuais filmes-farofa com essa canção (aliás, como Ryu estava ouvindo em 1987 uma música que só foi lançada em 1993?), porém o que veio em seguida felizmente conseguiu se equilibrar na corda bamba sem desabar para a fossa na qual afundou o longa do He-Man. Street Fighter é um filme de videogame que não tem vergonha de assumir que é um filme de videogame. Não fica justificando os personagens estarem usando aquelas roupas ou aqueles cabelos. Seu universo é daquele jeito e tudo bem.
Mestres do Universo também se utilizou dessa bandeira da “fidelidade ao material original” para tentar atrair o público, mas a sua ânsia de ridicularizar todos os personagens a todo momento revelou o profundo embaraço que os envolvidos sentiam por estarem fazendo um filme de bonequinho. Isso tornou impossível que eu conseguisse minimamente torcer pelos heróis ou vibrar com as batalhas. Já Street Fighter não chega a permitir que suas constantes piadas estraguem nosso envolvimento emocional com o filme. Os combates são bem realizados, aproveitando golpes e movimentos clássicos dos games. O drama é relacionável, com alguns dos personagens revelando mais camadas ao longo da história. Os temas sempre presentes nos filmes de porrada, como a vingança pelo ente querido assassinado e o perigo de sucumbir às sombras dentro de si mesmo, são satisfatoriamente explorados, proporcionando momentos de real heroísmo. Existe certo coração ali.
Outro acerto foi terem enfim concedido o protagonismo a quem realmente merece: Ryu, Ken (Noah Centineo) e Chun-Li (Callina Liang) – diferentemente da versão de 1994, que trazia como protagonista o militar americano (interpretado por um belga) Guile. Sinal de que o mundo – e até mesmo Hollywood – evoluiu um pouquinho de lá para cá. Por outro lado, na contramão dessa evolução, temos alguns momentos um pouco sexistas no longa, especialmente na maneira como os corpos de algumas das atrizes são filmados. Numa aparente tentativa de equilibrar essa visão de machinho, o roteiro não economiza piadas com temática bromance, a ponto de ficar repetitivo.
Todas as sequências de flashback são realizadas em animação, e o resultado é de encher os olhos, lembrando o que Quentin Tarantino fez em Kill Bill: Volume 1 (Kill Bill: Vol. 1, 2003) ao contar o passado de O-Ren Ishii (Lucy Liu). Como os personagens em live-action são bastante cartunescos, a transição de um estilo para o outro é até que fluida.
E, assim, alternando entre esses flashbacks e o tempo presente (no caso, 1993), temos a trama: lutadores de várias partes do globo são convidados a participar da nova edição do Torneio Mundial, desta vez organizado pelo déspota Bison (David Dastmalchian, especializando-se mais e mais em personagens excêntricos), que possui um plano secreto maquiavélico envolvendo Ryu e Ken, dois grandes amigos separados por um evento traumático no passado. Aliás, é um desperdício o torneio não ser melhor aproveitado. Poucas lutas são mostradas, e algumas importantes são somente mencionadas.
A julgar pelo desfecho arriscado, o estúdio parece estar apostando no desenvolvimento de uma franquia cinematográfica. Não sei se chegará a um segundo filme, mas se você está procurando por boas lutas, belas sequências de animação e aquele gostinho de filme de ação ingênuo dos anos 1980 e 1990, é bem provável que se divirta com este Street Fighter.
Ah, e o Jason Momoa? Como sempre, é o Jason Momoa interpretando o Jason Momoa interpretando o Blanka. Apenas ainda mais bobo do que de costume.






