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V/H/S/Mixtape
Original:V/H/S/Mixtape
Ano:2026•País:EUA
Direção:Ernest Dickerson, Flying Lotus, Tobias Forge, David Moreau, RZA, Renee Zhan
Roteiro:Renee Zhan, Zoe Cooper, David Moreau, Ernest Dickerson, RZA, Matt Landsman
Produção:Josh Goldbloom, Clinton Jones, Roy Lee, Brad Miska, Aiman Samat, Steven Schneider, Michael Schreiber, Jakob Abrahamsson, Patrik Andersson
Elenco:Josh Willis, Christopher Romero Sosa, Barbara Crampton, Erin Griff, Zach Jobe, George Goby, Raymond Carr, Dan Garza, Amanda Maddock, Elie Kaempfen, Jihad Brent, Alex Hsu, Jaki Lauper, Michael J. Sielaff, Mike Ferguson, Josh Goldbloom, Nour El-Refai, Gustaf Hammarsten, Tobias Forge, Pernilla Björkholmen, Neela Jolene, Grant Holleman, TJ Minor, Taylor Anne Danehower, Omar Mustafa Adem, Maisie de Krassel, John Malone, Michael Bishop, Jizmak the Gusha

A boa realização de V/H/S/Halloween (2025) deixou uma impressão otimista de que a franquia found footage poderia ter encontrado um norte. Se o estilo já está bastante desgastado pela quantidade de exemplares que não trazem nenhum sangue novo, V/H/S mostrou que podia mesclar o horror ao esquisito, o bizarro ao humor ácido. Nem todos viram com bons olhos os segmentos de Halloween, mas até estes admitiam que o longa era pelo menos divertido. Se não traz sustos ou calafrios como outrora, ao menos havia algumas doses de desconforto até nas histórias mais engraçadinhas. Contudo, V/H/S/Mixtape, nono filme da série, parte para um caminho alternativo, revelando-se não apenas pouco interessante, mas também de muito mau gosto.

A começar pelo segmento que une as histórias, com os integrantes da banda de thrash metal Gwar. Formado em 1984, o grupo é conhecido pelas letras satíricas e pelas fantasias monstruosas que utiliza nas apresentações. Aqui, eles são monstros mesmo, seres grotescos. Já na primeira fala, Grodius Maximum, o guitarrista escroto da banda, traz a pérola: “Estou aqui me masturbando no quarto da minha mãe“. Ele diz que coisas estranhas acontecem quando se masturba e ejacula em desenhos infantis, fazendo-os se materializarem. Ao soltar um líquido verde sobre um cachorro-quente desenhado, o alimento surge por um buraco, culminando na mordida do apresentador. Depois, ele desperta uma “versão maléfica” com um pênis gigante; ambos travam uma batalha de gozo até a chegada da mãe de Grodius, que pergunta: “Vocês estão se masturbando no meu quarto de novo sem mim?” e dá um tiro na própria cabeça. Toda essa sequência nojenta, mostrada nos primeiros minutos, culmina com os integrantes colocando em um aparelho VHS a primeira fita. Tem como piorar?

A primeira história, “Dance, Dance, Dance, Dance“, tem direção de Renee Zhan. Nela, conhecemos o garoto George (George Goby), participante do programa infantil The Curious Chorus, que contava com as marionetes Riptide, Botulism, Hemlock e Skeeto cantando a tradicional música que dá nome ao episódio. Quando George se torna adulto, na interpretação de Josh Willis, ele assume a fábrica dos bonecos com o término do programa. Com a intenção de um reboot, ele recebe no local a executiva Vanessa (a scream queen Barbara Crampton), seu filho adotivo Sam (Christopher Romero Sosa) e o produtor Chris (Zach Jobe), que planejam digitalizar os bonecos para uma versão que atenda aos tempos atuais. Mas eles não sabem que as marionetes, na verdade, estão vivas e com intenções sangrentas. Levemente divertido em seu ato final — quando todas as marionetes e protótipos começam a se mexer —, o segmento peca apenas por não saber justificar a câmera ligada o tempo todo, nem mesmo nas situações mais tensas.

O episódio seguinte, “Another Cabin“, de Flying Lotus, é uma animação curtinha e esquecível em que um garoto, que mora com a avó em uma cabana, é aterrorizado por um monstro gigante de imensa língua. Já em “Heartbeat“, de David Moreau (O.T.H.E.R – Presença Maligna, 2025), acompanhamos um casal de influencers, Maya (Julie Clergerie) e Wes (Elie Kaempfen), infiltrando-se em um prédio militar soviético na floresta da Bulgária para produzir conteúdo. Como são extremamente irritantes — inclusive pelo uso contínuo da lente olho de peixe —, ninguém se importará quando ficarem presos numa sala estranha, sendo atormentados por sons esquisitos.

“The Music of Mr. Sze“, de Ernest Dickerson, é o segmento mais interessante da antologia pela atmosfera de horror cósmico e pelas referências ao conto “A Música de Erich Zann“, de H.P. Lovecraft. Nele, Philip Howard (Jihad Brent) aluga um quarto numa pensão e usa uma câmera nos óculos para registrar um documentário sobre sua vida entediante. Entre moradores incomuns, como a Sra. Baldi (Jaki Lauper) e um homem mudo (Michael J. Sielaff), ele se interessa pelo morador do último andar, um tal Sr. Sze (Alex Hsu), que toca violino e executa uma canção capaz de deixá-lo fascinado. Sem entender o envelhecimento precoce do vizinho, ele logo descobrirá o verdadeiro objetivo daquela música: conter um monstro imenso, repleto de tentáculos e dotado de um único olho.

O conto seguinte é em formato musical, embalado pela faixa da banda Repugnant extraída do álbum Epitome of Darkness. Intitulado “Premature Burial” — em referência a Edgar Allan Poe —, o clipe dirigido por Tobias Forge mostra a vingança de uma mulher (Nour El-Refai) contra os abusos de seu colega (Gustaf Hammarsten), enterrando-o vivo para, oportunamente, lhe dar um golpe fatal. Como muitos clipes do gênero, este é mais um exemplar de história de horror atrelada à apresentação de uma música; traz uma trilha até interessante, capaz de fazer o espectador ficar com o refrão na cabeça, assim como o de “Dance, Dance, Dance, Dance“.

Por fim, “Death Tone“, de RZA, traz a jovem Lydia Van Horn (Neela Jolene) disposta a homenagear seu falecido pai, um produtor musical. Encontrando uma fita perdida com instruções para uma composição final, ela decide fazer o que for necessário para que ele viva para sempre, utilizando sons orgânicos extraídos de torturas e assassinatos. Bastante sangrento e contando com a atuação fraca de Understanding Diggs como o detetive Sharpe, o episódio vale pelo gore e pelas mortes violentas — como a do tendão transformado em corda de violino ou a do rapaz cortado ao meio para servir de ritmo de bateria —, destoando positivamente dos demais segmentos.

Se os contos já não são assim tão cativantes, pior é saber que, entre um e outro, o espectador é obrigado a rever as bizarrices dos integrantes do Gwar. Se a temática de relacionar episódios de horror com sons até parecia promissora, ainda há muito pouco que se salve na trilha de V/H/S/Mixtape. É como ouvir o álbum inteiro de uma banda que possui apenas uma música realmente boa: você não vê razões para ter o disco em casa, muito menos para acompanhar um show ao vivo. Talvez o projeto fizesse mais sucesso na época de ouro da MTV, quando pelo menos podíamos nos divertir com os clipes toscos.

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