![]() Uma História de Derry
Original:A Story of Derry
Ano:2026•País:EUA, Canadá Direção:Tazbah Chavez Roteiro:Cherie Dimaline, Jasmyne Flournoy, Guadalís Del Carmen, Stephen King Produção:Cherie Dimaline, Sarah Rath Elenco:Kimberly Guerrero, Kiawentiio, Morningstar Angeline, Isabel Deroy-Olson, Michael Podemski-Bedard, Thosh Collins, Zahn McClarnon, Brandon Oakes, Brenda Odjick, Eric Trask, Isaiah Kakepetum |
Em épocas especiais como o Halloween e o Natal, é comum surgirem especiais que celebram a data, agregando alguma relevância em relação ao conteúdo original. Foi com esse espírito de celebração que a HBO Max surpreendeu o público com uma espécie de episódio 9 ou “especial de Halloween” da série It: Bem-Vindos a Derry, intitulado “Uma História de Derry“. Lançada em 2025, a série fez bastante sucesso com personagens cativantes, um bom grau de ousadia e diversas referências à literatura e aos filmes, a ponto de impulsionar mais duas temporadas que também trarão acontecimentos anteriores a It: A Coisa (2017), de Andy Muschietti. Restava saber se o episódio surpresa faria jus à primeira temporada, agregando conteúdo e relevância.
Quando se fala em It e Derry, espera-se algo que explore o temível palhaço dançarino Pennywise, interpretado nesta nova versão por Bill Skarsgård. Porém, como se trata de um trabalho que aborda o passado — séculos antes —, a primeira temporada soube mostrar como surgiu a entidade e como ela se camuflou de palhaço, sua aparência mais conhecida. Houve ali também um vislumbre de eras anteriores a 1935 (período retratado na série) e a 1908, marcando a mudança da aparência física da criatura. Isso ocorreu quando Dick Hallorann (Chris Chalk) invadiu a mente de Taniel (Joshua Odjick) no episódio 4, visualizando uma das primeiras aparições do que até então era conhecido como Tha Galloo, entidade que habitava uma região próxima a uma tribo de nativos americanos, antes mesmo da fundação de Derry.
“Uma História de Derry“, dirigido por Tazbah Chavez a partir de um enredo de Cherie Dimaline e Jasmyne Flournoy, passa-se justamente nessa época. O episódio destaca a jovem Necani (Kiawentiio) em sua caçada na floresta, consciente da existência de um local proibido — o território do monstro Tha Galloo —, além do risco de confrontar os colonos ingleses. Apesar das proibições de sua mãe, Sesqui (Morningstar Angeline), a garota se une aos amigos Kino (Isabel Deroy-Olson) e Maneese (Michael Podemski) para adentrar o ambiente maldito. Todos esses personagens já haviam feito aparições na primeira temporada em dois ou três episódios.
No local, são atacados por zumbis disfarçados de colonos e conseguem se safar com a ajuda de Mitig (Zahn McClarnon), um nativo americano que habita a região e possui uma adaga de proteção (lembra daquela história da kryptonita que incomodava a Coisa?). É dele que vem, mais uma vez, a narrativa da gênese do vilão sobrenatural: quando chegou à Terra com a aparência de um alce demoníaco gigante e foi derrotado graças a Maturin. É claro que o nativo guarda alguns segredos macabros relacionados à forma como conseguiu se manter vivo no local.
Com a duração de apenas trinta minutos e sem grandes novidades — uma vez que os fatos já haviam sido pincelados na exploração da mente de Taniel —, “Uma História de Derry” parece ter sido feito às pressas, parecendo uma colcha de retalhos de cenas que ficaram de fora da primeira temporada misturadas ao que já fora mostrado. Novamente os treze fragmentos foram abordados, assim como o padre cristão de braços longos, infectado por varíola. Como há três crianças atrapalhando os planos do Tha Galloo mais uma vez, é possível que o episódio tenha despertado o interesse do monstro em atormentá-las, fascinado pela facilidade com que elas são envoltas em uma sensação crescente de medo e desconforto.
O episódio lembra indiretamente o interessante longa O Predador: A Caçada (Prey, 2022), ao mostrar nativos tendo que enfrentar uma ameaça alienígena. As mensagens sobre amadurecimento, descobertas, coragem e sacrifício estão todas lá, tal como vistas nas séries e filmes anteriores. A produção é bem-feita e serve de aperitivo para quem já agonizava pela próxima temporada. Talvez essa tenha sido exatamente a intenção de seus realizadores: reacender o interesse pelo universo da série, estimulando o público a rever a primeira temporada e acalmando os mais desesperados por novos episódios.
Funcionando como um mero “livro de bolso” para quem quer conhecer o ponto de partida da cidade das ilusões e das crianças desaparecidas, “Uma História de Derry” pode ser comparado àqueles webisodes lançados antes de novas temporadas de séries como The Walking Dead e Fear the Walking Dead. É um retorno rápido a Derry, aos tempos em que tudo era mato e uma besta rondava a região. Não incomoda, mas também está longe de ter alguma utilidade real para quem já se sente em casa nas constantes visitas à cidade.






