Eduardo Santana, o Cavalheiro do CineFantasy

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Eduardo Santana

Dizem que por trás de um grande homem existe uma grande mulher! Aqui, no caso, a recíproca funciona para todos os lados, principalmente se por trás dessa mulher está o Cavalheiro do CineFantasy, Eduardo Santana! Sócio-diretor da empresa FlyCow Produções Culturais, ele é formado em Rádio e TV e é um dos responsáveis por um dos maiores festivais de cinema fantástico do país. Entre zumbis de burca e um snuff movie, ele dedicou um tempo para responder a algumas perguntas do Boca do Inferno para falar sobre a censura, a participação de brasileiros no festival e do mestre italiano Ruggero Deodato, o destaque desta sexta edição!

Boca do Inferno: O CineFantasy está chegando a sua sexta edição. Como promover um festival desse porte num país que considera ainda o gênero fantástico como marginal?

Eduardo Santana: Primeiramente muito obrigado pelo convite, pois o Boca do Inferno apóia o CineFantasy desde sua terceira edição e isso é muito bom para uma luta tão difícil como é o cinema do gênero fantástico no Brasil, pois todos os anos é a mesma coisa, começamos a trabalhar assim que a edição termina, tem vezes que na mesma edição já estamos pensando no próximo ano. Ainda temos uma resistência ao gênero, mas vejo que estamos conseguindo quebrar, pois isso é fruto de ações como o Cinefantasy, Boca do Inferno e os nossos cineastas do gênero fantástico. Também não posso deixar de falar do apoio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura e Programa de Ação Cultural e do nosso patrocinador Garbo – Moda Masculina para a edição de 2011, muito obrigado!

Boca do Inferno: Com toda a polêmica em torno do famigerável A Serbian Film, mudou alguma coisa na seleção dos filmes que irão participar? Como vocês lidam com a censura?

Eduardo Santana: Não assisti ao Serbian Film, mas não concordo com a censura que rolou com o filme. Só acho que não podemos ficar alimentando as polêmicas que envolvem um determinado título. Não montamos a programação pensando em quantas pessoas sairão da sessão por medo, nojo ou qualquer outro sentimento de repulsa, isso não é a cara da organização do CineFantasy! Vejo o CineFantasy como um festival democrático do gênero fantástico, pois já exibimos filmes extremamente violentos como Guinea Pig, esse ano exibiremos o Cannibal Holocaust (Ruggero Deodato) e A Day of Violence (Darren Ward) e ao mesmo tempo temos todos os anos sessões especiais para o público infantil.

Com a Vivi Amaral
Com a Vivi Amaral

Trabalhamos com classificação indicativa e avisamos ao público o conteúdo do que será exibido para que não haja surpresas. Nossos parceiros são instituições publicas e devemos também zelar pelo nome desses locais que apóiam nosso evento, pois se já é difícil fazer um festival de cinema fantástico, imagine ficar criando polêmica com esses filmes e as instituições – não é isso que queremos.

Boca do Inferno: Vocês recebem produções de todas as parte do planeta! Como você vê a participação de cineastas brasileiros no CineFantasy?

Eduardo Santana: Sempre tivemos em mente o CineFantasy como um festival de cinema do gênero como carro-chefe para a divulgação dos filmes nacionais, pois começamos assim ainda em Ilha Comprida (2006) e até hoje o cinema brasileiro tem seu importante destaque na programação. Nesta edição exibiremos 50 filmes brasileiros entre mostras competitivas e paralelas, pois além de exibir durante duas semanas aqui em São Paulo, já participamos com mostras CineFantasy em outros lugares do Brasil, como Guarapari (ES), Porto Alegre (RS), Ilha Comprida (SP) e também nas cidades de Bogotá (Colômbia) e Cidade do México (México).
Não podemos esquecer as atividades de formação, pois muitos curtas metragistas aperfeiçoaram suas técnicas a partir das oficinas durante o CineFantasy, sempre levantamos a bandeira dos nossos filmes pela qualidade e não pela caridade.

Boca do Inferno: Nesta edição, teremos a presença ilustre do cineasta Ruggero Deodato! Este ano o Brasil recebeu outros nomes como Lamberto Bava, Dario Argento e Lloyd Kaufman. Na sua opinião, o Brasil é uma boa vitrine para o gênero?

Eduardo Santana: Vejo que sim, pois o José Mojica é cultuado mundialmente e o filme do Rodrigo Aragão está sendo exibido em vários festivais internacionais. o Cinefantasy recebeu mais da metade das inscrições (que foram quase 400) vindas de fora do país. Os gringos dão mais atenção ao cinema de gênero brasileiro que os próprios brasileiros. Os filmes americanos de gênero fazem o maior barulho por aqui, principalmente com o público adolescente. Acho que devemos participar mais, exigir mais qualidade e nos unir, todos os representantes e fãs do gênero, junto aos Governos e mídia e mostrar que somos milhões de pessoas sedentas por discos voadores, zumbis, Sacis, Chupacabras, terror e tudo mais.

Boca do Inferno: Fale sobre a participação de Ruggero Deodato! Teremos um Deodato Day no 6º CineFantasy

Eduardo Santana: Eu ainda não estou acreditando! risos…
Vejo como um momento histórico para o cinema de gênero no Brasil, pois um dia inteiro com 3 filmes e ainda um bate-papo com o mestre Deodato com direito a fotografias, autógrafos e tudo isso aqui em São Paulo, o que precisamos mais?
Gosto bastante do Cannibal Holocaust e desde 2009 já tínhamos pensado no Ruggero Deodato mas nunca deu certo, até que esse ano encontramos com Fernando Rick (Black Vomit Films) e conversamos sobre o Deodato e ele disse que já tinha uma pré conversa com o mestre, que tava a fim de conhecer o Brasil e tudo mais. Então enviamos um email para o Deodato e ele aceitou na hora e depois disso chamamos o Rick para ser o cocurador do Deodato Day.

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Boca do Inferno: Há um filme americano que trata do subgênero snuff. Parece que há uma história curiosa sobre o envio desse filme…

Eduardo Santana: Uau!!!! Estávamos abrindo os envelopes quando deparamos com um que só tinha um DVD sem mais nenhuma informação, no DVD estava escrito #12, pronto e ai?
Coloquei o DVD no aparelho e começou o filme sem créditos, sem música e tudo muito real, então eu e a Vivi Amaral (organizadora e idealizadora do CineFantasy) começamos a assistir e ficamos muito curiosos. Risos
Quem gosta do gênero vale a pena assistir!

Boca do Inferno: Qual é a produção mais peculiar que o CineFantasy exibirá nesta edição? Há a participação de algum país que você não imaginava que fazia filmes do gênero?

Eduardo Santana: Posso falar que é o curta Hassad Al Möta, pois é uma produção de Abu Dhabi (EAU) e tem zumbis de burca; também posso citar o longa português O Barão pois é bem interessante e não lembro de nenhuma outro longa português de horror sendo exibido no Brasil! isso é novidade!

Boca do Inferno: Haverá um retrospectiva de Juan López Moctezuma, workshop e uma palestra…fale um pouco sobre isso.

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Eduardo Santana: Juan Lópes Moctezuma é um cineasta obscuro para alguns brasileiros, vejo que é o momento certo de uma retrospectiva super importante como essa, pois exibiremos filmes premiados e ainda um documentário sobre o JLM.

Os filmes programados são: Alucarda, La Hija De Las Tinieblas, A Mansão Da Loucura, Mary, Mary Blood Mary, Matar Um Estranho, Detras De Camara De Topo, um curta inédito e também o documentário do Ulises Guzman, Alucardos, que concorre na mostra oficial de longas metragens.
Esse ano também temos o Rodrigo Aragão com sua oficina de maquiagem e efeitos, acho que tem umas 3 vagas ainda, o escritor carioca Raphael Draccon com um workshop de Roteiro e também uma palestra bem interessante com o professor Flavio Ricardo Vassoler, que irá comparar o universo de Edgar Alan Poe com o filme Cisne Negro.

Boca do Inferno: Qual filme clássico do gênero fantástico você gostaria de um dia ver entre as sessões do CineFantasy?

Eduardo Santana: Nossa tem tantos filmes, mas vou tentar escolher dois: Plan 9 (Ed Wood) com uma cópia restaurada seguida de um batepapo com o diretor Tim Burton ou A Múmia com a presença do ator Christopher Lee.

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