O Mensageiro da Morte (1997)

O Mensageiro da Morte (1997)

O Mensageiro da Morte
Original:Uncle Sam
Ano:1997•País:EUA
Direção:William Lustig
Roteiro:Larry Cohen
Produção:George G. Braunstein, Don Daniel, Gina Fortunato
Elenco:Leslie Neale, David Shark Fralick, Christopher Ogden, Isaac Hayes, Bo Hopkins, Anne Tremko, Timothy Bottoms, Matthew Flint, Tim Grimm, Zachary McLemore, P.J. Soles, Tom McFadden, Morgan Paul, Robert Forster, Richard Cummings Jr., William Smith, Jason Adelman, Abby Ball, Stanton Barrett, Mark Chadwick, Desirae Klein, Laura Alcalde, Raquel Alessi, Chris Durand, Jason Lustig, Joseph Vitare

Quem diria que na vasta galeria de assassinos seriais do cinema, entre nomes como Leatherface, Jason, Freddy e Michael Myers, estaria o símbolo mor dos Estados Unidos: Tio Sam?!

Em 1997 foi realizado um slasher com um dos protagonistas mais inusitados do cinema, tendo como algoz o próprio velhinho barbudo de cartola vermelha, azul e branca. Bem, não é realmente “aqueleTio Sam que você conhece, mas a ideia é a mesma. E este filme também coloca mais uma data maldita no calendário dos filmes de terror, pois nós já tínhamos as Sextas-Feiras 13 (toda a cinessérie Sexta Feira 13), Dia dos Namorados (Dia dos Namorados Macabro), Natal (Natal Sangrento), Ano Novo (Reveillon Maldito), Halloween ( Halloween), só para citar alguns, e agora inclui o dia 4 de julho, o dia da Independência dos Estados Unidos.

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Uncle Sam, lançado no Brasil com o desnecessário e genérico título de O Mensageiro da Morte (existem ao menos quatro outras produções lançadas no Brasil com o mesmo nome), é uma produção bagaceira até a medula, dirigida por William Lustig (que também dirigiu todos os três filmes da série Maniac Cop), sendo este o seu último trabalho como diretor. Na certa, depois dessa, na época foi expurgado por Bill Clinton lá pros confins do oriente médio) e roteirizada por ninguém menos que Larry Cohen (que devia estar muito bêbado ou muito puto com os Estados Unidos para escrever uma história dessas), a mente por trás de clássicos do cinema B, como A Coisa e A Ambulância.

A história começa no Kuwait no dia 14 de junho durante a Guerra do Golfo. Um jipe tripulado por oficiais estadunidenses chega ao local onde foi encontrado um helicóptero de seu exercito abatido acidentalmente por eles mesmos, através do chamado “fogo amigo“. Como todos os corpos foram encontrados carbonizados, os oficiais partem para o reconhecimento através das plaquetas de identificação. É quando conhecemos o atirador Sam Harper (David Shark Fralick, daquele horroroso filme do Van-Damme, Inferno) que deveria ter morrido no acidente. Deveria, porque ele acorda subitamente e retribui o “Fogo Amigo” matando os oficiais, antes de falecer.

Entra os créditos de abertura, um dos mais estranhos para um filme de terror que eu já vi. Começa com alguns fogos e seguem imagens desconexas de aparições do Tio Sam em vários momentos da história, desde caricaturas e desenhos animados até filmes e paradas, com a bandeira dos Estados Unidos ao fundo e uma música tocada por uma fanfarra.

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Agora estamos na cidade americana de Twin Rivers. O dia é 1º de julho e a cidade está em polvorosa com as comemorações do Dia da Independência. Jody (Christopher Ogden) é um carinha que tem uma admiração por seu tio que beira o fanatismo e, por causa disso, pretende seguir carreira nas forças armadas. E ganha um doce àquele que descobrir quem é o tio dele… Então Jody acaba quebrando o porta-retrato com a foto de seu tio Sam e pisando nos cacos, derruba sangue nele. Antes que você consiga dizer Hellraiser isso NÂO faz com que o Tio Sam volte à vida, mas vamos chegar lá.

Jody pega um curativo com a sua mãe Sally (Leslie Neale, que fez uma pontinha em Gremilins 2), que não era muito chegada no seu irmão Sam, e volta para cama. Nisto chega em sua casa Louise Harper (Anne Tremko), esposa de Sam, que está tendo um caso com o xerife local, já que faz três anos que Sam se foi e a vida continua, certo?

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Eis que ela é abordada por um oficial do alto escalão do exercito (o veterano e eterno Xerife Bo Hopkins, que inclusive interpretou um deles em Um Drink no Inferno 2), que incrivelmente ficou plantado na porta da casa de Louise até tarde da noite, para contar sobre o trágico destino de seu, agora, ex-marido (um telefonema seria menos educado, mas muito mais conveniente). Seu corpo será trazido para Twin Rivers e seu velório, adivinhe, será na casa de seu sobrinho Jody.

No dia do velório aparece um velho amigo de Sam, Jed Crowley (Isaac Hayes, de Fuga de Nova York, mas atualmente é mais conhecido como a voz do Chef no desenho South Park), que durante a guerra perdeu uma perna por causa de uma mina terrestre e com suas histórias de guerra influenciou Sam a entrar no exercito. Durante uma conversa com Jody, Jed conta como Sam era violento enquanto vivo e gostava de matar, por isso era considerado um herói em combate, mas não era menos maluco e psicótico por isso.

E exatamente a meia noite do dia 4 de julho. Três jovens xaropes, Jesse (Jason Adelman), Rick (Abby Ball) e Clete (Stanton Barrett) profanam alguns túmulos e queimam a bandeira dos Estados Unidos. O Tio Sam retorna ao mundo dos vivos quando fagulhas da bandeira queimando caem na cova aberta para o seu enterro (?!?!). Sam pega as suas medalhas que estavam com Jody e sai para um acerto de contas com todos os que falam mal do seu país ou desrespeitam o “american way of life“.

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Sam consegue a famosa fantasia do velhinho barbudo de uma maneira um tanto tosca: um cara veste uma fantasia de Tio Sam a meia noite (!) e sai discretamente com suas pernas de pau (!!) para espiar uma mulher tomando banho no segundo andar de uma casa (!!!). Depois de flagrado e quase atropelado por um carro (!!!!) foge para o parque onde Sam o persegue com uma tesoura de jardineiro (!!!!!). Mas o cara é tão mané, que bate com a cabeça em um galho de árvore (!!!!!!) e se estatela no chão e o resto você já deve adivinhar (Larry Cohen não devia estar em sã consciência neste momento).

E o desfile de clichês começa com Sam indo para o cemitério e dando cabo dos trouxas que estavam zoando por lá e é claro “Podem ir na frente” e “Vou ver o que aconteceu com fulano” significa morte, sobrevivendo apenas Jesse. Pelo menos por enquanto, hehehe…

O dia amanhece, começa a parada e a festa da Independência, e logicamente que ninguém vai notar a falta dos que morreram na noite anterior. Jody encontra um amigo, Barry (Zachary McLemore), que sofreu queimaduras graves no ano anterior por causa de fogos de artifício. E depois de uma sacaneada de Jesse com o hino nacional, começa uma looooooonga corrida de sacos off-road, um verdadeiro Rally, onde Jesse tenta trapacear e sem motivo aparente, e, em um hilário momento Jackass, acaba rolando barranco abaixo e é morto por Sam.

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Mais pessoas morrem e mesmo com as mortes acontecendo e os corpos aparecendo, ninguém resolve investigar ou simplesmente parar a festa e mandar as pessoas se trancarem em casa, até que Jody finalmente descobre que Sam não era aquele herói que idolatrava e que voltou à vida. Agora junto com Barry e Jed vão tentar acabar de vez com Sam com uma bala de canhão altamente inflamável (é ver pra crer…).

A grande atração do filme são as mortes “patrióticas“: um cara é hasteado no mastro da bandeira pelo pescoço, outro é varado pela bandeira dos Estados Unidos enquanto outro é queimado com fogos de artifício, etc… Outra viagem que aumenta a diversão são os diálogos nem um pouco respeitosos com o país, como quando o namorado de Sally, Ralph (Tim Grimm), conversa com Jed sobre como o hino nacional é horrível, argumentando que Francis Scott Key não compôs mais nenhum outro sucesso depois desse (hahaha…), chegando ao cúmulo de oferecer 50 dólares se conseguir cantá-lo inteiro sem errar…

Larry Cohen como roteirista, além de produzir situações impossíveis, é corajoso ao detonar com o costumeiro orgulho ianque; William Lustig faz um trabalho sem nenhum momento de suspense ou grandes destaques, mas coloca uma quantidade considerável de sangue como manda o figurino; e Christopher Ogden é um destaque como péssimo ator: Jody fica confuso, irritado e abalado emocionalmente, Chistopher faz a mesma expressão facial nas três situações. A única coisa seriamente boa é o finalzinho do filme, que homenageia o final de Pavor Na Cidade dos Zumbis de Lucio Fulci e também com uma dedicatória no início dos créditos finais: “Para Lucio“.

O resultado final tecnicamente é uma bomba, tão explosivo quanto o canhão usado no final do filme, uma podreira de dar dó. O roteiro tem mais rombos que o casco do Titanic e as vítimas são tão estúpidas que dá vontade de entrar no filme e ajudar Sam a destroçar os otários, portanto ele só é indicado para quem não nasceu nos Estados Unidos e goste muito de porcarias. Nesse caso você vai ficar com a barriga doendo de tanto gargalhar com os abusos e excessos do roteiro, as péssimas atuações e os diálogos ridículos. E talvez ao fim imaginando como seria se fosse feito no Brasil: “A Vingança de Tiradentes” ou “Massacre no Rio Ipiranga, estrelando Dom Pedro“, você escolhe a viagem..

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Gabriel Paixão

Gabriel Paixão

Colaborador e fã de bagaceiras de gosto duvidoso. Um Floydiano de carteirinha que tem em casa estantes repletas de vinis riscados e VHS's embolorados.

Um comentário em “O Mensageiro da Morte (1997)

  • 06/10/2014 em 22:34
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    quero muito assistir esse filme , de tão ruim chega ser bom de assistir deve ser diversão total..

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