Críticas

Tusk (2014)

Situado em algum ponto entre o terror e a comédia, Kevin Smith tem dificuldade em emplacar sua premissa absurda no gênero!

Tusk (2014)

Tusk
Original:Tusk
Ano:2014•País:EUA
Direção:Kevin Smith
Roteiro:Kevin Smith
Produção:Sam Englebardt, David S. Greathouse, William D. Johnson, Shannon McIntosh
Elenco:Justin Long, Michael Parks, Haley Joel Osment, Genesis Rodriguez, Johnny Depp, Harley Morenstein, Ralph Garman, Jennifer Schwalbach Smith, Harley Quinn Smith, Lily-Rose Melody Depp

25 de junho de 2013 seria um dia qualquer para o multifacetado profissional Kevin Smith mas, ao fazer mais uma edição de seu Podcast SModcast, ele se deparou com um anúncio onde o dono de uma casa oferecia morada livre de aluguel se seu inquilino se o interessado se vestisse como uma morsa – uma pegadinha do escritor britânico Chris Parkinson. A partir daí Smith e seu amigo Scott Mosier divagaram sobre possibilidades de histórias e cenas baseadas deste conceito, o que gerou uma consulta via Twitter aos ouvintes perguntando se eles gostariam de ver esta história transformada em filme.

Como a zoeira não tem limites nas “interwebs”, a grande maioria quis que Smith se mobilizasse pelo filme e daí para o roteiro inicial de 80 páginas e o financiamento de 3 milhões de dólares foram um pulo, e no reino do “absurdistão“, Tusk ganhou vida e lançamento significativo em setembro de 2014 em 602 cinemas dos Estados Unidos… Só faltou combinar com o público, pois ninguém compareceu. Tusk naufragou na bilheteria (mal rendeu metade do orçamento), o que em se tratando de um filme de terror de baixo orçamento, é um pecado quase imperdoável.

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E assistindo à produção, não é difícil de entender o porquê: no roteiro, Wallace Bryton (Justin Long, Arraste-me para o Inferno) e Teddy Craft (Haley Joel Osment, gordo como uma morsa), estrelam o popular podcast The Not-See Party – e a semelhança oral com Nazi Party é devida e incessantemente explorada – onde desdenham vídeos virais da internet. Wallace resolve voar para o Canadá para entrevistar um garoto conhecido por “Kill Bill Kid“, que ficou famoso em um vídeo onde ao fazer malabarismos com uma espada samurai acidentalmente corta sua própria perna, uma versão atualizada e sangrenta do “Star Wars Kid“.

Por algumas ironias do destino, um alvo mais fácil para seu podcast é encontrado: Howard Howe (Michael Parks, Um Drink no Inferno), um idoso paraplégico repleto de histórias de aventura, que vive recluso e tem um gosto, digamos, além do saudável por morsas. Infelizmente para Wallace, Howe acaba não sendo tão indefeso como aparenta e tem planos terríveis para o podcaster. Desta forma, sua namorada Ally (Génesis Rodríguez, Casa de Mi Padre) e Teddy precisarão embarcar na gloriosa nação do Canadá para resgata-lo de Howe; no caminho topam com Guy Lapointe (um irreconhecível Johnny Depp no papel que foi recusado por Quentin Tarantino), um detetive licenciado que está a caça de Howe.

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É uma premissa absurda, de fato, mas acontece que não é trabalhado como tal. Diferentemente de Zombeavers, por exemplo, que sabe que tem uma ideia estúpida e é tratada estupidamente, Tusk tenta dialogar demais para seu público explicando repetidamente como se tal teoria fosse possível, fazendo-o terrivelmente sério e pretensioso em suas intenções. Por outro lado, não consegue manter a gravidade de sua outra inspiração, A Centopeia Humana, e os personagens tentam dar um clima de descontração, de jovialidade e de ineditismo, contudo a mistura se esbarra na verborragia e na falta de carisma do elenco principal: Wallace é irritante, Teddy só respira e Ally não sabe para que lado corre.

A bem da verdade ao diretor/roteirista faltou fincar uma bandeira em qual gênero gostaria de trabalhar, já que enquanto comédia não é tão engraçado e enquanto terror não é tão aterrorizante. Por mais que exista uma ironia constante em como Wallace é transformado por Howard Howe alimentado por seu desejo por morsas e suas inúmeras citações a obras clássicas da literatura, não há ironia que sustente sozinha um filme de quase 100 minutos.

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Sem ter o que mostrar, Smith acaba recheando sua obra com cenas sem objetivo, excessivamente longas ou com ideias descontinuadas lá pelo final – o triângulo formado por Wallace/Ally/Teddy, o passado de Lapointe. O pouco tempo em que algum suspense é colocado na mesa acontece graças às cenas no interior da mansão de Howe e a excepcional interpretação de seu dono, Michael Parks, fazendo um lunático perigoso com muita bagagem e bastante ousado em suas intenções.

Durante os créditos finais, é possível ouvir um trecho do SModcast que originou Tusk, com Smith e Mosier discutindo e rindo horrores das ideias que se seriam materializadas no filme. Infelizmente a mesma diversão que eles tiveram não conseguiram transmitir para o público. Agora é esperar que as próximas produções da trilogia “True North” anunciadas por Smith, Yoga Hosers e Moose Jaws, com o retorno de quase todo o elenco de Tusk, tenham melhor êxito.

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5 Comentários

  1. Willian

    O pior filme que já assisti e o gênero é de comédia não tem nada a ver

  2. Paula

    Assistível apenas.

  3. Aline

    No início realmente achei um bom filme, porém quando apareceu a “morsa” achei muito forçado e impossível.

  4. Marco Antonio

    Depois de ler várias críticas negativas ao filme e assisti-lo mesmo assim, confesso que curti muito o filme, assim também dou uma nota quatro.

  5. Marcelo Asagi

    Vou ter Que Discordar um pouco de sua critica, pois eu curti mto o filme, confesso q se perdeu um pouco quando entrou Johnny depp e algumas cenas sao dispensaveis, mas mesmo assim gostei do filme e a ultima cena confesso q me senti um pouco mal, pois foi quase impossivel ñ sentir pena do personagem de justin long… Todos podem discordar de mim mas eu daria 4 estrelas

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