Críticas

A Hora da Zona Morta (1983)

Uma obra inegavelmente bem feita e que mostrou um lado mais sensível tanto de King como de Cronenberg!

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A Hora da Zona Morta
Original:The Dead Zone
Ano:1983•País:EUA
Direção:David Cronenberg
Roteiro:Jeffrey Boam, Stephen King
Produção:Debra Hill
Elenco:Christopher Walken, Brooke Adams, Tom Skerritt, Herbert Lom, Anthony Zerbe, Colleen Dewhurst, Martin Sheen, Nicholas Campbell, Jackie Burroughs, Roberta Weiss

Escrito em 1979 num momento de dificuldades pessoais do escritor Stephen King, A Zona Morta foi o primeiro de seus romances em capa dura a atingir o primeiro lugar na lista de best-sellers. Foi também o primeiro a ter um aspecto sobrenatural quase secundário na história, priorizando personagens humanas. Foi também o livro que inspirou o primeiro trabalho mais comedido de Cronenberg, fato provavelmente devido ao filme ser uma adaptação americana dominada pela produção executiva.

A trama acompanha o professor Johnny Smith (Walken), que feliz com sua profissão e sua namorada, a também professora Sarah (Adams), vê sua vida mudar após sofrer um grave acidente automobilístico que o deixa cinco anos em coma profundo. Quando acorda, ele vê não somente seus pais mais velhos e sua namorada agora com marido e filho; ele também recebe um dom. O dom de prever o futuro…e mudá-lo. A trama ainda acompanha um inescrupuloso político com sinistras intenções (Sheen), que terá seu destino cruzado com o de Johnny.

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Ganhando no Brasil o famigerado [A Hora] junto à tradução do título original, o longa permanece como uma das mais competentes adaptações de King, conseguindo na maior parte do tempo manter o tom sinistro e melancólico da romance, ainda que muito da riqueza em detalhes e subtramas que o livro possui fica diluída na trama, tomando como exemplo o início do romance que, no filme, toma pouco menos de vinte minutos, o que provoca alguma confusão naqueles que não leram a obra de King e prejudica a construção da dinâmica entre as personagens de Johnny e Sarah.

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Por outro lado, o filme é competente em todos os outros aspectos. O próprio roteiro de Jeffrey Boam consegue ser fiel, ainda que problemático. O elenco, encabeçado por um convincente Christopher Walken, é homogeneamente bom, com Walken segurando bem o filme com seu carisma e construção corporal. Como antagonista, Martin Sheen usa e abusa de caretas que surpreendentemente funcionam para seu papel, já que sua representação quase cartunesca e caricatural encontra exemplos no mundo real dos políticos e personifica o mal incluído na maioria das obras de King. Além do elenco, o visual do filme é um grande achado. Das paisagens e cenários gélidos e nevados, até o tom sombrio e depressivo no figurino de quase todas as personagens, tudo evoca o sentimento de solidão e mistério.

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Finalmente o suspense é construído lentamente, e, depois que engata, permanece num crescendo até o clímax, que acaba não agradando a todos devido ao fato de ser um tanto súbito e com aparência de mal acabado, embora seja um ponto de discordância entre fãs de uma obra inegavelmente bem feita e que mostrou um lado mais sensível tanto de King como de Cronenberg.

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CURIOSIDADES:

  • Stephen King queria que Bill Murray interpretasse Johnny;
  • O romance no qual o filme é baseado foi o primeiro de vários outros livros e contos que se passam na cidadezinha de Castle Rock. Outros títulos incluem Conta Comigo, Cujo, A Metade Negra, e Trocas Macabras;
  • No filme, Johnny ficou cinco anos em coma, mas no livro esse tempo foi maior, cerca de nove anos;
  • O poema que Johnny lê no início do filme é o desfecho de O Corvo, de Edgar Allan Poe;
  • O romance ainda gerou uma série lançada no Brasil com o título de “O Vidente” (2002) com Anthony Michael Hall como protagonista.

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4 Comentários

  1. Havia assistido a muito tempo e em meu blog um leitor pediu que eu fizesse uma reZenha (rezenhando.wordpress.com), e lendo seu texto me identifiquei demais amigo com sua opinião. Parabéns pela crítica. Sou fã de Cronenberg e só de saber que ele conseguiu agradar Stephen King fazendo um filme excelente sem pisar na originalidade da obra me deixa feliz.

  2. H.P>

    Uma das melhores adaptações da obra de Stephen King. Um filme que com certeza, assisti mais de 10 vezes… Saiu uma edição comemorativa no Brasil (se não me engano de 20 anos) onde um ator disse que o nível de interpretação no filme era elevado, e todos se empenharam numa disputa saudável. O final é excepcional!

  3. Este eu ainda não conferi até hoje, mas pretendo. O livro é muito bom.

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