Críticas

Beyond the Gates (2016)

Remanescente da década perdida, o filme mostra um VHS’s Board Game amaldiçoado por Barbara Crampton. Como pode ficar melhor que isto?

Beyond the Gates
Original:Beyond the Gates
Ano:2016•País:EUA
Direção:Jackson Stewart
Roteiro:Stephen Scarlata, Jackson Stewart
Produção:Barbara Crampton, Ian Keiser, Jon Kondelik, Amanda Mortimer, Jackson Stewart
Elenco:Barbara Crampton, Brea Grant, Ryan Kunert, Sara Malakul Lane, Henry LeBlanc, Matt Mercer, Jesse Merlin, Jentzen Ramirez, Caryn Richman

É muito bacana como o mundo moderno nos serve todas as comodidades de bandeja. Você não precisa mais sequer levantar o traseiro do sofá para escolher o filme que quer ver e ter entretenimento por horas através de jogos. Para esta juventude que pode selecionar como passar horas de sua vida na ponta dos dedos, não vai entender como alguém saía de casa, pegava trânsito, ônibus e/ou chuva para ir até um lugar repleto de caixinhas enormes com fotos desbotadas para escolher sua diversão para o fim de semana, tendo que voltar lá alguns dias depois. E o pior, pode acontecer de o conteúdo destas caixinhas danificar seu aparelho e você ainda pagar alegremente por isso. Estas crianças e seus streamings… Quando eu cheguei aqui era tudo mato e locadoras de VHS…

Outra opção não envolvia eletricidade e consistia em pegar uma cadeira da cozinha, subir nela para encontrar uma caixa de papelão torta e cheia de poeira, ver se não tinha caído nenhuma peça de seu conteúdo, abrir sobre uma mesa e brigar com seus irmãos ou amigos que não entendiam as regras e roubavam na cara dura. Porém os board games não se tornaram tão obsoletos quanto os VHS’s e continuam atraindo a atenção até hoje – na verdade um revival bem interessante está acontecendo.

Mas houve um tempo e espaço onde estas duas mídias se cruzaram, especialmente na América do Norte onde eram mais populares, criando um interessante nicho chamado VHS Board Games, entre o final dos anos 80 e até a metade dos 90. Na esmagadora maioria dos casos o VHS era usado como um gimmick, somente uma desculpa para ocupar espaço e vender o jogo mais caro, porém sua característica excessivamente brega viraram um atrativo para colecionadores do mundo todo, fazendo estas pérolas perpetuarem pela força da nostalgia. Se tiver curiosidade, confira o artigo 5 VHS Boardgames que você deveria conhecer!

Toda esta longa introdução é para falar que um VHS Board Game é a mola motora do filme Beyond the Gates, uma pequena película de horror de baixo orçamento (apenas 3 milhões de dólares) dirigido e co-roteirizado por Jackson Stewart, que até hoje só tinha escrito um episódio de Supernatural e feito uma cópia de Independence Day para o canal Syfy. Trata-se de uma produção que tem seus méritos e questões, contudo fica muito mais interessante de acompanhar quando você sabe sobre a cultura destes peculiares jogos de tabuleiro e não somente uma cópia em terror de Jumanji ou Zathura.

Na história acompanhamos Gordon (Graham Skipper), e a esposa Margot (Brea Grant), em seu retorno à cidade de origem para ajudar seu irmão mais novo John (Chase Williamson) a esvaziar a locadora de vídeo da família, após o desaparecimento inexplicado de seu pai Bob (Henry LeBlanc), que fundou a loja várias décadas atrás, quando eles ainda eram pequenos. Apesar de irmãos, Gordon e John não poderiam ser mais diferentes: o primeiro muito metódico e sério, o segundo um espírito livre pouco responsável.

A limpeza começa e, entre as pilhas de DVD’s e velhas fitas, eles encontram no escritório do pai uma caixa misteriosa contendo um jogo de tabuleiro com um VHS que dá título ao filme. Mais a noite, ao abrir a caixa e colocar a fita para rodar, assistem a loira anfitriã do jogo, Evelyn (Barbara Crampton), explicar como Beyond the Gates deve ser jogado. Mas algo parece errado… Evelyn parece reagir aos comentários dos irmãos e logo eles são informados de que Bob sucumbiu às consequências de ter participado do jogo e ele está preso no mundo “além dos portões“. Para salvar o pai, eles terão de encontrar as quatro chaves exigidas pelo jogo, percebendo aos poucos que suas ações no tabuleiro podem ter graves consequências no mundo real.

O diretor Stewart escolheu um tema arriscado e sabe que o sucesso de Beyond the Gates está em mexer com as lembranças de quem viveu nos anos 80-90. Entre pilhas de fitas, jogos de tabuleiro, cores fortes (roxo e azul em meio as sombras) e uma trilha sonora assinada por Wojciech Golczewski (Ainda Estamos aqui) cheia de sintetizadores, a entrega é um quase perfeito guilty pleasure, a ser mais apreciado por quem estava por estas bandas há uns 30 anos. A presença estelar e sempre bem-vinda da veterana Barbara Crampton, em um de seus melhores papéis nos últimos anos, é um dos principais atrativos da produção, completando com algumas cenas bem violentas e efeitos interessantes como bônus.

Com cerca de 82 minutos de duração, Beyond the Gates parece bem mais longo por sofrer um bocado com a lentidão dos acontecimentos. A atmosfera pode até fazer lembrar dos bons horrores italianos que se passam dentro de casas isoladas, porém a direção e a edição erram a mão ao não balancear o suspense atmosférico com o humor negro, privilegiando nenhum dos dois na primeira metade, causando confusão em relação ao tom. O elenco também não ajuda e com exceção notória de Barbara Crampton, os atores não parecem muito a vontade em participar da produção. Portanto não posso ser desonesto e declarar Beyond the Gates como um grande filme, muito pelo contrário, porém se sua curiosidade pelos VHS Board Games florescer e caso já tenha visto muitas pérolas desconhecidas pelas locadoras da vida, pode ter seu guilty pleasure satisfeito pela paixão de Jackson Stewart com seu projeto. Vale uma volta.

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1 Comentário

  1. Dana CeS

    Boa tarde!
    Navegando encontrei este link que me chamou a atenção, pois estou a procura de um filme que não me lembro o nome. Tratar-se de uma moça que se casa com um médico e vive uma vida vazia. Ela precisa ter seu próprio segredo, é aí que ela conhece um rapaz que trabalha numa construtora, tornam-se amantes e ele lhe dá de presente um sapato de salto vermelho, o qual ela usa apenas quando se encontra com ele. Se alguém puder me ajudar, desde já lhe agradeço e fico esperando um retorno deste. Obrigada.

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