Críticas

Império Submarino (1936)

Procurando valorizar alguns pontos positivos de um cinema fantástico produzido há 80 anos, Império Submarino pode garantir algum entretenimento!

Império Submarino
Original:Undersea Kingdom
Ano:1936•País:EUA
Direção:B. Reeves Eason e Joseph Kane
Roteiro:Oliver Drake, Maurice Geraghty, John Rathmell
Produção:Nat Levine
Elenco:Ray Corrigan, Lois Wilde, Monte Blue, William Farnum, Booth Howard, Raymond Hatton, C. Montague Shaw, Lee Van Atta, Smiley Burnette, Lon Chaney Jr.

Para concorrer com a audiência do público por causa do seriado Flash Gordon, produzido pela Universal, o estúdio Republic logo tratou de fazer o seu próprio seriado com características similares. Daí nasceu Império Submarino (Undersea Kingdom, 1936), uma aventura de ficção científica em 12 capítulos semanais em preto e branco. Ambos os seriados são parecidos entre si, trazendo elementos comuns em suas histórias, alterando a ambientação do espaço sideral de Flash Gordon para o fundo do mar, em torno da lendária civilização perdida de Atlântida.

Em Império Submarino, a ocorrência misteriosa de terremotos nos Estados Unidos está chamando a atenção do cientista e inventor Prof. Norton (C. Montague Shaw), que está sugerindo que a origem vem do fundo do mar. Ele reúne uma equipe para uma expedição viajando num submarino atômico construído com seu projeto. O grupo de exploradores é formado ainda pelo atleta e oficial da Marinha Ray Corrigan (Crash Corrigan) e por uma jornalista à procura de uma boa reportagem, Diana Compton (Lois Wilde). Completa a equipe o pequeno Billy (Lee Van Atta), filho do Prof. Norton, e que entrou no submarino escondido.

Uma vez submersos, eles são atraídos por um raio invisível e chegam ao continente perdido de Atlântida, que está protegido do oceano por um teto formado por um misterioso elemento químico. Lá, eles navegam por um mar interior e desembarcam numa terra em guerra, dividida entre dois grupos opositores: os capas brancas, homens liderados pelo alto sacerdote Sharad (William Farnum), e os capas negras, que vivem numa torre metálica na base de uma montanha, governados pelo ditador Unga Khan (Monte Blue), que deseja subir ao mundo superior e conquistar os povos da superfície à força, destruindo-os se necessário.

O grupo de viajantes, liderado pelo herói Crash Corrigan, passa a enfrentar uma série de aventuras, participando ativamente do conflito em Atlântida e tentando evitar que o tirano Unga Khan possa chegar à superfície do planeta e dominar as cidades com destruição em massa, uma vez que ele está amparado por uma tecnologia bélica que inclui robôs armados e veículos especiais de guerra, e ainda conta com a ajuda forçada do Prof. Norton (pois sua mente foi manipulada numa máquina de transformação), para criar foguetes capazes de transportar sua torre até o mundo superior.

O seriado é até divertido desde que sejam observados alguns detalhes:

Primeiro, a história é exageradamente ingênua e previsível, cheia de clichês, onde temos os bons e maus muito bem definidos. Não falta o mocinho (Crah Corrigan), o vilão (Unga Khan), o pacificador (Sharad), o cientista (Prof. Norton), a mocinha (a repórter Diana, a única mulher de todo o elenco, pois em Atlântida estranhamente não apareceu nenhuma outra), e o menino corajoso (Billy, para representar a audiência infanto-juvenil). Temos as tão tradicionais cenas de lutas corporais, perseguições a cavalo e confrontos de espadas.

Segundo, as situações absurdas e inverossímeis são muitas e acontecem durante todo o seriado, com os roteiristas apenas interessados em facilitar seu próprio trabalho, não gastando energia em explicações lógicas ou mais próximas da realidade.

Terceiro, os efeitos especiais são bastante toscos. Naquela época poderiam ser até impressionantes, mas é curioso notarmos como hoje são hilários. Porém, valem por representarem um período onde os recursos ainda eram muito limitados.

Relevando tudo isso, e ainda procurando valorizar alguns pontos positivos de um cinema fantástico produzido há 80 anos, Império Submarino pode garantir algum entretenimento. Temos os modernos (para a época) equipamentos apresentados, como o submarino nuclear, o carro blindado, os robôs (chamados de volkites e que acabam sendo engraçados por parecem homens de lata), o avião bala, as armas atômicas, a placa refletora (uma tela precursora da televisão), a torre metálica (uma estrutura voadora similar a um foguete, repleta de equipamentos científicos que poderiam conquistar os povos da superfície), o propulsor lançador de bombas, a máquina transformadora de mentes, o campo magnético que serve como um escudo protetor da torre, os painéis e controles remotos repletos de alavancas, botões, instrumentos e luzes piscando, etc.

Curiosamente, o ator Lon Chaney Jr., que aqui interpretou o Capitão Hakur, um oficial da cavalaria dos capas negras, pouco tempo depois ficaria famoso pelo papel da fera no clássico O Lobisomem (The Wolf Man, 41), da Universal, além de ser muito lembrado pelos fãs como o filho do lendário ator do cinema mudo de horror Lon Chaney, e por sua participação em diversos outros filmes do gênero fantástico e western.

A Works Editora, especializada na distribuição de filmes antigos de horror em DVD no Brasil, lançou o seriado O Império Submarino em 12 capítulos divididos em 2 discos, num total de quase quatro horas de filme.

No primeiro disco temos os capítulos 1 a 5: No Fundo do Mar (Beneath the Ocean Floor); A Cidade Submarina (The Undersea City); Arena da Morte (Arena of Death); A Vingança dos Volkites (Revenge of the Volkites); Prisioneiros de Atlântida (Prisoners of Atlantis). Já o segundo disco traz os episódios 6 a 12: O Carro Blindado Ataca (The Juggernaut Strikes); A Armadilha Submarina (The Submarine Trap); Dentro da Torre Metálica (Into the Metal Tower); Morte no Ar (Death in the Air); Atlântida Destruída (Atlantis Destroyed); Morte Flamejante (Flaming Death) e Subida ao Mundo Superior (Ascent to the Upperworld). Sendo que o primeiro capítulo tem 30 minutos, e todos os demais variam entre 16 e 20 minutos cada.

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1 Comentário

  1. Anselmo Luiz

    Esse seriado passou na NGT canal 48- São Paulo em uma parceria com á Editora Works na sessão de filmes intitulado “Dark Side” que era exibido filmes dessa distribuidora durante as madrugadas de sexta-feira para sabado em 05/01 á 14/09 de 2007 ,episodios foram dublados pela A.I.C – São Paulo ,menos o ultimo episodio que foi exibido em som original com legendas em portugues ,pois á pista de audio em portugues pode ter se perdido,coias que acontecem por aqui muitos filmes antigos que foram exibidos na TV Aberta suas dublagens originais se perderam para sempre por causa descuido das mesmas que os exibiram.

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