Críticas, Quadrinhos

Monstro do Pântano – Raízes do Mal Vol.1 (2017)

Mark Millar mexe status quo e promete momentos interessantes para o futuro do personagem

Monstro do Pântano - Raízes do Mal
Original:Swamp Thing – Roots Of Evil
Ano:2017•País:EUA
Páginas:148• Autor:Mark Millar, Grant Morrison, Phil Hester, Kim DeMulder, Tatjana Wood•Editora: Panini

Em junho de 1989, Rick Veitch deixou o posto de escritor do título do Monstro do Pântano na edição 87 após a DC Comics vetar seus planos envolvendo o encontro do personagem com Jesus Cristo. Doug M. Wheeler assumiu os roteiros da revista na edição seguinte e permaneceu no título até a edição de número 109, passando o título para as mãos de Nancy A. Collins que permaneceu escrevendo as aventuras do Monstro do Pântano até a edição 138. Dick Foreman, que na época escrevia o título da Orquídea Negra, foi o responsável por um curto crossover entre os dois personagens e escreveu a edição 139. Na edição seguinte, Grant Morrison, que na época já era u superstar dos quadrinhos, dividiu os roteiros com seu, até então, amigo que estava iniciando no meio, Mark Millar.

Embora Nancy A. Collins tenha mudado o status quo do personagem quando escrevia o título do Monstro do Pântano, todo o seu run, juntamente com o arco final de Rick Veitch e a fase escrita por Doug M. Wheeler, permanecem inéditos em encadernados nos EUA, o que justifica o “salto” entre a edição 81, publicada em Monstro do Pântano – Regênese Vol.3 e a edição 140 que abre o primeiro volume de Monstro do Pântano – Raízes do Mal, a nova série de encadernados do personagem publicada pela Panini no Brasil. E este é um dos principais problemas deste volume.

O leitor que acompanhava o personagem nos volumes anteriores se vê diante de um novo cenário, com Alec Holland, “alter ego” humano do personagem, vivo e perdido na Amazônia e Abby, a até então esposa do Monstro, fugindo do mesmo. É tudo muito diferente do que estávamos acompanhando, afinal lá se foram quase sessenta edições, e a decisão da Panini em não colocar um texto explicativo na abertura do encadernado, confiando que a breve sinopse da quarta capa seja o suficiente para situar o leitor, é bastante equivocada.

Mas vamos à história.

Embora as histórias publicadas pelo selo Vertigo nos anos 90 tenham sido revolucionárias e revelado grandes autores e artistas que, muitas vezes, produziam materiais experimentais, cheios de referências místicas, xamanísticas e literárias, nem todo mundo era um Neil Gaiman e um Alan Moore e, apesar das inegáveis qualidades da dupla de roteiristas, este primeiro volume se parece muito com o que Morrison havia feito em sua passagem pelo título da Patrulha do Destino que, relendo recentemente as republicações da Panini, envelheceu muito mal e se repete demais. A arte de Phil Hester e Kim DeMulder reforçam estas semelhanças. Não é algo necessariamente negativo, mas levando-se em conta a qualidade dos dois autores, a familiaridade com tanta coisa que veio antes deixa a história aquém do que poderia ser.

Porém quando Millar assume o título de vez, após quatro histórias escritas a quatro mãos com Morrison, as coisas melhoram e o autor mexe novamente no status quo, introduzindo alguns elementos que prometem momentos interessantes para os próximos volumes, como um caçador obcecado pela criatura do pântano e um novo parlamento elemental que irá declarar guerra ao Parlamento das Árvores. Pelo menos Millar parece ter feito sucesso na época em que capitaneou o título do Monstro do Pântano, pois o autor permaneceu escrevendo o personagem até a edição 171, quando o título foi cancelado pela segunda vez nos EUA.

A Panini promete continuar a lançar as aventuras do Monstro escritas por Millar até o final. O que é ótimo para os fãs e garante, pelo menos, seis encadernados até a conclusão do run do autor. O que virá depois, ninguém sabe, mas a editora parece apostar no personagem e esta nova série apresenta, inclusive, uma muito bem-vinda melhoria no papel. Nada mais justo com o personagem que é uma das raízes (com o perdão do trocadilho) de um dos mais importantes selos editoriais da história dos quadrinhos.

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2 Comentários

  1. Rafael Medeiros Vieira

    O vol. 2 melhora um pouquinho….parece que a Panini não lançou números anteriores pelo fato das histórias não estarem ainda digitalizadas(?!)

    • Exato, Rafael!

      O segundo volume organiza melhor as coisas e promete alguns desenrolares interessantes. Vamos ver onde o Millar vai levar o Monstro!

      Quanto ao material anterior a este encadernado, a DC não compilou as últimas histórias escritas pelo Veitch, graças àquela treta envolvendo o “crossover” entre o Monstro e Jesus Cristo, e o que veio depois também nunca foi encadernado lá fora.

      Para este ano a DC prometeu um volumão compilando tudo do Monstro até a fase do Moore, algo que permanecia inédito até agora.

      Então dá pra ter alguma esperança de que a editora resolva cobrir todas as lacunas editoriais do personagem em encadernados, assim como tem feito com o John Constantine.

      Abraço!

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