Críticas, Televisão

Supermax (2016) – Episódio Final

Sem a emoção esperada, o último episódio decepcionou o bom ritmo apresentado na segunda metade da temporada!

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Supermax
Original:Supermax
Ano:2016•País:Brasil
Direção:José Alvarenga Jr.
Roteiro:José Alvarenga Jr., Marçal Aquino, Fernando Bonassi, Raphael Draccon, Carolina Kotscho, Bráulio Mantovani, Dennison Ramalho
Produção:
Elenco:Ravel Andrade, Bruno Belarmino, Pedro Bial, Erom Cordeiro, Vânia de Brito, Harildo Deda, Rui Ricardo Diaz, Ademir Emboava, Fabiana Gugli, Cleo Pires, Maria Clara Spinelli, Nicolas Trevijano, Mariana Ximenes

Desde as primeiras notas, quando ainda havia poucas informações e um trailer discreto em 2015, Supermax despontava com a promessa de se tornar a primeira série brasileira de horror a estrear na TV aberta, ainda mais na cobiçada TV Globo. Com alguns olhares desconfiados, principalmente pela inspiração nos reality shows, a estreia do programa não foi como era de se esperar, e os próprios envolvidos na série pediam ao público um pouco de paciência com a garantia de que logo ela “prenderia” o telespectador. Não aconteceu, realmente. Outras atrações da TV e o próprio horário ingrato – devido ao conteúdo forte – falaram mais alto, restando apenas aos insistentes e aos que assistiram antecipadamente os onze episódios acompanhar o último capítulo, no dia 13 de dezembro.

Os primeiros cinco episódios caminharam lentamente, sem muito terror, desenvolvendo os personagens e os conflitos típicos de um reality show. Intrigava o espectador pela ausência de coordenação do programa, uma vez que o próprio apresentador só havia aparecido na estreia, e alguns sinais macabros e visões aterradoras. Monstros? Será que o presídio é um teste para algum programa do governo? Um dos participantes estaria envolvido nos mistérios? Que sons eram aqueles ouvidos durante a madrugada, parecendo vozes e gritos apavorantes? A partir do sexto episódio, o jogo mudou. Cecília (Vânia de Brito), acometida por uma estranha doença cujo sintomas trazia marcas pelo corpo e atitudes agressivas como um infectado de filmes de zumbis, levou o grupo à decisão de acelerar sua morte, para evitar que outros também se contaminassem. Com a “eliminação” da primeira personagem, mesmo a contragosto do padre Nando (Nicolas Trevijano), outros começaram a sucumbir ao Mal, enquanto um acesso à Área B de Supermax se tornava possível.

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Depois de apresentar a origem da enfermidade, no episódio 10, contando fatos de 2008 com as primeiras ocorrências de contaminação, o décimo primeiro colocou quase todos os participantes – exceto Nando e Janette (Maria Clara Spinelli), que havia fugido para a Área B – numa sala fechada, cercada por seguidores de Baal, o demônio que possuiu um pastor em 2008 e estava em busca de mulheres para procriar, e que viviam nos arredores do presídio, com armas de fogo. E essa foi uma das ideias ruins desse final de temporada: fazer os inimigos usarem armas de fogo afasta o horror para algo próximo a um thriller, permitindo a substituição deles por bandidos “iluminados“, devido ao tom da pele fosforescente.

O último episódio teve início com as mulheres ameaçando cortar a própria garganta, caso Baal e seus seguidores não se afastassem da porta da cela – uma jogada inteligente, mas arriscada pois o demônio poderia “pagar para ver“. Antes de deixar alguns asseclas de guarda, Baal atirou na cabeça de Dante (Ravel Andrade), que prometia fidelidade ao líder religioso/demônio. Ajudado pelo infectado José Augusto (Ademir Emboava), que devorara o pulso para liberar sua mão acorrentada, os demais decidem fugir pela Área B, orientados pelos que já sabiam do caminho: o Capitão Sérgio (Erom Cordeiro) e Bruna (Mariana Ximenes). Ao se aproximarem da saída, o doutor Timóteo (Mario César Camargo) sugere que os sobreviventes se dividam em dois grupos para facilitar o acesso à saída. Até aí, tudo bem, mas…

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…ao voltar do comercial, para quem acompanhou a exibição pela TV Globo, os momentos mais angustiantes e aguardados foram deixados para a imaginação do espectador, offscreen. Um personagem já está morto, e alguns estão feridos devido aos primeiros confrontos com as criaturas. Como a cena não foi mostrada, nem mesmo em flashback, a tensão e a violência foram amenizadas, restando apenas a queda de mais alguns personagens e o óbvio confronto final. Se em minhas análises comentei que algumas mortes poderiam ter ocorrido desde os primeiros episódios, esse último fez o elenco cair como moscas: Janette, pela sua impossibilidade de engravidar, foi apunhalada friamente; Diana foi baleada quando imaginava estar protegida por sua condição de gênero; Timóteo também teve um fim surpresa, em seu esconderijo – na ironia de ser um tanque de água, típico item usado em torturas…

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Aqueles que sobreviveram aos ataques de Baal ainda tiveram um encontro final com o líder, além do ressurgimento de um personagem desaparecido, conduzindo a uma conclusão que trouxe mais perguntas do que respostas (o que tinha de misterioso no vídeo do Capitão Sérgio?) e o fatídico gancho para uma segunda temporada, amenizando o pessimismo. Se a visão de um Bial morto fez a alegria do espectador, por outro lado, o último ato não trouxe novidades e ainda copiou o final de Rec 3. Muito rápido e sem a emoção esperada, o décimo segundo episódio decepcionou o bom enredo apresentado na segunda metade da temporada, e, consequentemente, deixou um gosto amargo no presídio Supermax.

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Entre muitos mortos e poucos feridos, Supermax até recebe uma média pelo que apresentou durante a temporada, pelas boas interpretações, produção técnica e por algumas cenas violentas e sangrentas incomuns na programação da TV aberta. Se o último episódio tivesse atendido as expectativas, poderia ser lembrada não apenas como a pioneira do gênero no Brasil, mas um excelente produto nacional, daqueles que realmente prendem a atenção do espectador.

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Marcelo Milici

Marcelo Milici

Fundou o Boca do Inferno em 2001. Formado em Letras, fez sua monografia sobre o Horror Gótico na Literatura. Já foi juri de festivais e eventos do gênero! Contato: [email protected]

25 Comentários

  1. Raphael

    A gente até admira a iniciativa. Mas o elenco tornava impossível assistir a série com gosto, os diálogos e atuações eram sofríveis, curiosamente até dos atores mais experientes em TV e cinema para o grande público. E um enredo confuso, sem pé nem cabeça, até agora não se sabe se o Baal realmente era um demonio ou se a caverna tem alguma parada radioativa e o pastor só se autodenominou como tal demonio de forma a se por como um líder natural, um messias ou algo semelhante. Não se sabe também até onde ia a tal doença e em que medida ela ou a radiação da caverna afetaram o “vilão” pra ficar daquele jeito, tendo em vista que os seus asseclas também ficaram assim e não estavam possuídos. Tudo é muito confuso, jogado e gratuito.
    Uma pena, por que eu gostei da ideia claustrifóbica do reality show que dava merda e deixava o povo preso numa cadeia de segurança máxima com alguma ameaça ao redor. Pena que foi tão mal executado.

    Tomara que aprendam com os erros e produzam algo melhor na mesma pegada. Aguardemos pra ver.

  2. roberto cardoso

    Na minha opinião, a série não foi além de um pastiche de vários filmes de terror norte americanos, inclusive o final previsível. Durante os trailers, as imagens me levaram direto ao filme Chernobil Diaries, mas dá pra perceber influência de outros dentro do mesmo estilo. Personagens antipáticos que não deixam saudades ao serem eliminados. Para o público médio que vai pouco ao cinema pode ter sido interessante.

  3. Carlos Dente

    Que venham novos artigos!

  4. Carlos Dente

    Não vinha acompanhando muito regularmente porquê começava a assistir e logo já não estava prestando atenção… Até ontem (29/ 11/ 2016). Um episódio arrebatador cuja história daria um filme por si só. Muito bom!

  5. felipe

    a serie é boa!. uma pena q parece nao ser aceita ne, pois o ultimo cap nao deu o esperado no ibope e parece q nao vai ter 2 temp.

  6. Paolo

    Vi o primeiro episódio …não deu gostinho de quero mais…mas vi o segundo…. decepcionante !!!! Parei de assistir….

  7. Anselmo Luiz de França

    Supermax é mais produto superficial da Venus Platinada ,agora tentando conquistar o publico de terror ,algo que ela alcançava quando exibia filmes de terror na decada de 80 e 90 e depois disso nunca mais passou filme nenhum em sua programação que cada vez beira á decadencia com repaginação de programas antigos da casa como : A Grande Familia ,Escolinha do Prof .Raimundo e em brevemente ” Os Trapalhões “, nossa á criatividade deles esta cada vez melhor e as novelas ruins que ela exibe, sem texto que prenda o telespectador mais antigo.. por que sinto muito essas novelas são um pé no saco e agora ela vem com essa produto de terrorzinho de quinta categoria que e inves de prender o telespectador com misterio e uma boa trama faz ao contrario o telespectador fugir para outro canal ,por que é muito chato a trama é imbecil .. os atores estão mais confusos do que á serie em si …Outra por que não foge todo mundo dessa cadeia cheia de cameras nessa falso reality show que de show não tem nada tem show..nolêcia.. zero pra Globo e os produtos que ela nos ( eu não assisto mais ,por que faz 5 anos que não assisti á sua programação horrenda ) coloca pra assistir.

  8. Alice Martins Ferreira

    Por enquanto achei bom o programa. Aguardo, os próximos capítulos, para ver se melhora!!

  9. Yves

    Até agora a série pra mim não engajou! Se o 4º episódio for a mesma sonolência, desisto!

  10. Raquel Costa Rosa

    Eu estou gostando de assistir, lembrei do Caso dos dez negrinhos de Agatha Christie.

  11. Ainda acho que o Milici foi mt legal em dar 3 caveiras pro segundo episódio, pra mim ainda não saiu do 1.5/2.

  12. Marcus Matheus

    Pessoal, assistam tudo antes de darem seu parecer, a série vai melhorando a cada capítulo (apesar de eu achar que eles misturaram muita coisa na série, mas no final das contas é muito bom, nada que uma segunda temporada não resolva)

    Sò lembrando que a Globo já disponibilizou 11 capítulos, mas o último só no dia 13 de dezembro

    • Rodrigo Ramos Rodrigo Ramos

      Até o momento, o que mais me irritou foram as atitudes dos personagens. Eles não são interessantes. Não geram empatia e possuem as atitudes mais estúpidas possíveis. Qual a dificuldade em se colocar uma mesa no meio da porta automática?

  13. faz Crítica de Amorteamo de 2015.

  14. caio campos

    Realmente, atores conhecidos demais (principalmente da TV aberta brasileira, que temos acesso a qualquer momento, da sala de espera do médico à tv ligada no comodo ao lado de seu quarto), fica difícil pra qualquer produção trazer a profundidade que um roteiro em si teria em potencial.
    Fora isso, estávamos tão animados com uma produção de terror para os fãs do gênero que talvez tenhamos sido ingênuos demais. Entre público específico e grande massa, quem será que a Globo escolhe?
    Pena que por “grande massa” podemos entender que se trata de um público que não aguenta uma boa produção de terror como nós. 😉
    Se a série não tá com cara de ser ótima, que seja pelo menos boa (vamos torcer).

  15. mik

    Você não curte Big Brother. Já entendemos. Agora seria bacana se a crítica se focasse em algum outro aspecto do programa, o Big Brother foi só uma das inspirações (a MTV passou há muitos anos um reality em que pessoas tinham que passar uma noite num presídio abandonado, por exemplo) e nem merecia ser tão citado, já que é só um tipo de formato (manjado, nenhuma novidade revoltante) que inúmeras produções utilizam.

    • caio campos

      Mas pelo que deu pra entender, a série se inspira em reality shows e se inspira MUITO em Big Brother.
      Outras séries tem eliminações, mas nem todas tem paredão. Outras têm apresentadores, mas só uma tem o Bial (que com certeza trará todos os seus trejeitos e “poemas”).
      A comparação pareceu bem fiel, na verdade, apesar existirem outros reality que podem ser usados para traçar os mesmos paralelos.

      E, sim, ele não deve curtir Big Brother, hahaha… =P

      • mik

        O problema é que o rapaz ficou só com Big Brother na cabeça, sendo que é só uma série que usa esse modelo e já deu pra perceber que os acontecimentos vão ser mais importantes que o reality fictício (se não houver um plot twist em que tudo seja revelado no fim como uma grande pegadinha do reality).

  16. Achei bem ruim a direção, eles poderiam ter usado os flashbacks de mil maneiras pra que a história fosse andando e você fosse conhecendo os personagens – Mostrar daquela forma, dentro de um “vídeo de BBB” deixou tudo até mais ridículo – Mariana Ximenes empostando a voz e dizendo que adora cemitérios foi risível. Globo mirou na Fox/AMC e acertou no máximo ESTOURANDO no Syfy huahuahua

    Roteiro forçado pra fazer personagem brigar com personagem pra que no primeiro capítulo tudo saia “resolvido” em como vai ser a dinâmica : x pega y, a é antagônico a b.
    Típico da rede em que está sendo exibido, eu esperava mais por saber que havia uma equipe de roteiristas brasileiros de fantasia/terror por trás mas foi um grande banho de água fria.

    • Carlos Dente

      A maioria dos atores desconhecidos está se se saindo melhor do que as estrelas, que, verdade seja dita, estão “sobrando” ali. Poderiam ter feito toda a série com rostos desconhecidos.

      Medo de que aumentem os rumores de que os participantes dos BBB’s são atores?

    • mik

      O roteiro também me incomodou, algumas personagens se comportam de modo estúpido e atraem simpatia de outros. Essa cara de novela é mesmo típica do modo como se escreve entretenimento pras massas no Brasil.

      Mas eu acho que já é um bom começo.

  17. Por que Pedro Bial? Por quê?

  18. Carlos Dente

    Desconfiei (fortemente) sobre qual seria o “mistério” de Supermax nas propagandas de TV, e matei a charada de vez no primeiro bloco deste episódio, como imagino que muitos já tenham feito – alguém ainda tem dúvidas do que está acontecendo?

    Em tempos, mesmo com o excesso de pistas, t’aí a chance da TV aberta brasileira fazer uma grande série, com um final arrebatador (Terror, afinal, não é só surpresa…).

    • Carlos Dente

      (Mudaram meu ícone).

  19. Adimilson

    Lembrei do filme O Cubo, de 1997 com pitadas de AHS. Sei não, tá com cara de um grande FLOP!

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