
![]() Soulm8te
Original:Soulm8te
Ano:2026•País:EUA Direção:Kate Dolan Roteiro:Kate Dolan, Rafael Jordan, James Wan, Ingrid Bisu Produção:James Wan, Jason Blum Elenco:Lily Sullivan, David Rysdahl, Claudia Doumit, Arty Froushan, Elijah Cook, Mara Huf, Sydney Blackburn, Isabelle Bonfrer, Emma Ramos, Oliver Cooper, Nicholas Lane, Hannah Mamalis |

A principal jogada da Blumhouse na divulgação de Soulm8te foi vendê-lo como um spin-off de M3GAN. Depois do surpreendente sucesso do primeiro filme, lançado em 2022, a produtora rapidamente colocou em produção uma continuação, mais ousada, com maior orçamento, e provocou com ideias de spin-offs e crossovers. Não imaginavam que M3GAN 2.0 seria tão ruim quanto foi, e também não queriam perder o filão “IA revolts“, promovendo o longa de Kate Dolan a uma versão “adulta” (calma, não é pornô) da garota dançarina. Imagino que se ele fosse lançado na época das picaretagens italianas viria com títulos oportunistas como M3GAN 3, e a frase no cartaz: “Ela cresceu.”
Assim, assumidamente os realizadores fizeram questão de deixar claro que Soulm8te se passa no mesmo universo de M3GAN. Mas, com exceção do logo da Blumhouse no início, e a troca da dancinha esquisita por uma cantoria sedutora em um karaokê, o filme poderia se passar no universo de Brinquedo Assassino (Child´s Play, 2019), Feliz Natal (Christmas Bloody Christmas, 2022) e até Acompanhante Perfeita (Companion, 2022), e tantos outros filmes da prateleira dos robôs descontrolados. As empresas fictícias mencionadas em Soulm8te, a Canta Robotics e a Ultima Robotix, não existem em M3GAN, não há compartilhamento de personagens, ambientação, e nem sequer a boneca é vista em alguma propaganda! Ou perdi alguma coisa?
Com roteiro de Rafael Jordan e da diretora Kate Dolan, a partir de um argumento de Jordan, Ingrid Bisu e — pasmem! — James Wan, Soulm8te destaca o personagem de David Rysdahl, David, que vive em constante luto depois da morte de sua esposa Lizzie (Mara Huf). Ele trabalha como programador de computador para a Canta, recentemente adquirida pela Ultima Robotix, do Diretor de Integração e Transformação Ben Hoffman (Arty Froushan), que acredita no crescimento da empresa, partindo do chatbot de IA “Ulti-M8te” para uma versão física e realista, intitulada “Soul-M8te” — David, assim como nós, também acha redundante o “te” depois do “8“. Para tal, ele quer que a equipe, composta por David, Aubrey (Claudia Doumit) e Torrance (Elijah Cook), explore a tecnologia para identificar possíveis falhas.
Atuando como um traficante, ao saber da perda da esposa de David, Ben oferece ao rapaz um teste grátis do chatbot, para que ele se conecte a IA que ele intitula Sara e desenvolva conversas, alimentações imaginárias e partidas virtuais de xadrez. Impressionado com as reações da sua parceira, ele resolve partir para drogas mais pesadas, adquirindo um exemplar físico (Lily Sullivan, de A Morte do Demônio: A Ascensão). Sentindo a artificialidade da postura de sua companhia, ele altera a programação para atitudes espontâneas, sem imaginar que Sara irá além de uma sexbot e também repetirá comportamentos e aprenderá a se defender e fazer o necessário para agradar “seu dono“.
É claro que a robô não servirá apenas para a curtição do rapaz, como também irá ignorar comandos e até sairá de casa para um passeio na feira, enfrentando abusadores antes de eliminar ameaças a seu relacionamento, bem quando David começará a sentir a aproximação da colega Aubrey, em um timing típico dos filmes de horror. Não é a única convenção do roteiro, como há várias espalhadas em antecipações (gosto de chamar de “plantas do roteiro“, como meu pai fazia) que qualquer um é capaz de notar: o aspirador de pó, a bebê da vizinha Alma Flowers (Emma Ramos), o colar de GPS, a cabana na floresta… todos os anzóis são puxados no ato final. E o roteiro clichê nem se importou em explicar por que, em dado momento, após David atender um combinado com Sara e dizer “eu te amo“, a garota-robô entrou no modo economia de energia e ele não aproveitou para desfazer o que havia programado, simplesmente optando por devolver o produto.
Além dos clichês do subgênero “homem vs tecnologia“, pode-se notar uma similaridade ao estilo sexual, sem excessos, de A Experiência (Species, 1995). Perceba que algumas das atitudes de Sara, até nos trejeitos, lembram Natasha Henstridge seduzindo suas vítimas para o mesmo propósito: Sil queria procriar, Sara acredita que ter um bebê irá trazer tranquilidade ao seu relacionamento com David.
Com aparência de filme de streaming, Soulm8te precisaria de uma atualização, trazendo algo de diferente na proposta. Ao final, parece mesmo que estamos vendo uma refilmagem de MEGAN, trocando apenas a finalidade da tecnologia.




