4.6
(7)
Louca Obsessão (1990)
Tome isso pela história sem pé, nem cabeça…
Louca Obsessão
Original:Misery
Ano:1990•País:EUA
Direção:Rob Reiner
Roteiro:William Goldman, Stephen King
Produção:Rob Reiner, Andrew Scheinman
Elenco:James Caan, Kathy Bates, Richard Farnsworth, Frances Sternhagen, Lauren Bacall, Graham Jarvis, June Christopher, Thomas Brunelle

por Matheus Ferraz

Eu tinha acabado de sair do escritório, e dirigia rumo à minha casa, com a crítica de Louca Obsessão no pendrive no meu bolso, pronto para enviar para o Marcelo, quando uma tempestade caiu. Meu carro derrapou e saiu da estrada, e passei não sei quanto tempo desacordado. Só o que sei é que quando abri os olhos, estava em um quarto, minhas pernas enfaixadas e uma mulher alta e corpulenta sentada ao meu lado com um prato de sopa.

– Você está bem? – ela perguntou.

– Quem é você?

– Eu sou a sua fã nº 1. Leio todas as suas críticas na Boca do Inferno.

Ela me serviu a sopa e explicou que havia me encontrado na beira da estrada com as pernas quebradas, e me trouxera para a sua casa. Garantiu-me que eu podia ficar tranquilo, porque ela era enfermeira. Como retribuição, deixei que abrisse o arquivo no pendrive e lesse minha crítica.

Ela voltou logo depois, vermelha de raiva, e gritando furiosa:

– Como você ousa dizer que este é a melhor adaptação de Stephen King dirigida por Rob Reiner? Você nunca viu Conta Comigo?

– Desculpe, mas eu acho que este filme tem a vantagem de ter uma narrativa mais centrada, enquanto Conta Comigo, embora seja um grande filme, procurou abraçar demais cada detalhe do livro em que se baseou, o que o deixa um pouquinho distrativo.

– E por que diabos você disse que prefere a atuação de James Caan à de Kathy Bates?- ela perguntou, prestes a me estrangular. – Você está dizendo que ela não merecia aquele Oscar?

– Não é nada disso, eu adoro a atuação dela! Mas eu acho que Caan foi mais discreto, o que confere valor e realismo à sua performance. A Kathy exagerou um pouco, e ela não estava errada, porque o personagem exigia isso, mas em certos momentos acaba ficando caricatural demais.

– E qual é o problema com a tradução do título? Afinal de contas, o filme não fala sobre uma Louca Obsessão?

– Claro que fala! Mas o título original, Misery, é bem mais rico, porque se refere não apenas à personagem dos livros de Paul; mas também pode ser traduzida como “angústia“, ou “sofrimento“, que se refere ao calvário que o escritor sofre nas mãos de Anne.

– E essa piada que você fez com Anne dando banho em Paul? Isso foi mais vulgar do que a piada do tampão em Garota Infernal!

Louca Obsessão (1990) (2)

Isso eu não sabia como responder. Ela me fez por fogo no pendrive e me trouxe uma máquina de escrever para que eu fizesse uma crítica limpa e sem piadinhas. Ficou mais ou menos assim:

Louca Obsessão, baseado na obra de Stephen King, trata de Paul Sheldon (James Caan), um escritor famoso que, depois de sofrer um acidente de carro, acaba nas mãos de Anne (Kathy Bates), uma mulher desequilibrada, que possui uma obsessão doentia pela personagem Misery, protagonista dos livros de Paul, e fica irada ao saber que ela ‘morreu‘ no último livro. Usando de tortura física e psicológica, ela força Paul a escrever um novo capítulo da série, em que ele ressuscite Misery. O filme possui muitas sequências de suspense torturante, e se tornou uma das melhores adaptações de Stephen King.”

– Posso acrescentar que meu personagem preferido no filme é o xerife vivido por Richard Fansworth?

– Quem liga para Richard Fansworth?

– Bem ele foi um grande ator que nunca teve…

– Cala a boca! E não se esqueça de mencionar que no livro Anne imobiliza Paul de uma forma mais violenta.

– Mas isso seria um spoiler!

– Escreva!

Acrescentei o que ela ordenou, e depois que ela leu e aprovou, disse que iria me liberar desde que eu prometesse nunca mais falar mal de A Profecia. Mas ficou com minha carteira de motorista e meu endereço caso quisesse que eu fizesse uma crítica positiva ao próximo filme de Diablo Cody.

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Média da classificação 4.6 / 5. Número de votos: 7

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11 Comentários

  1. Legal, mas tente ser mais “natural” ok?Kkkkkkkkkkk esse filme é ótimo, gostei da atuação de todos ali, com destaque claro pra Kathy, que foi simplesmente perfeita! Não vi nada de exagerado ali, pelo contrário, levando em conta a personagem ela se saiu muito bem. Annie dá até pena às vezes, e vontade rir também!

    1. Com certeza uma das melhores adaptações de Stephen King, fiquei chocado em saber que até hoje é a única adaptação de Stephen King que ganhou algum Oscar, uma grande injustiça por parte do Oscar 😡

  2. Também acho a atuação de Kathy Bates exagerada nesse filme. Além disso, a personagem dela é extremamente chata e irritante – e olha que eu costumo torcer pelo antagonista. Mas no caso de Misery, eu não torci por nenhum dos dois personagens principais. A atuação de James Caan é muito fria e ele não consegue transmitir ao espectador o real desespero que seu personagem está vivendo. Eu, particularmente, não tive pena dele nem mesmo naquela brutal cena em que ele tem seus pés quebrados a marretadas. Pra dizer a verdade, o que eu pensei quando vi essa cena foi: “Bem feito pra você, seu pamonha! Você pediu por isso!”.

  3. A comparação da atuação de James Caan à de Kathy Bates saiu completamente forçada. Bem, eu entendo que a crítica tinha que se encaixar com a ideia. (Mas que Matheus Ferraz “forçou a barra”, ah, isso ele fez direitinho…)

  4. Me desculpem, mas só de lembrar meus joelhos doem.

  5. KKK! Faça mais críticas desse jeito senão…

  6. Kathy Bates dá um show nesse! Um dos melhores filmes da década de 90: bem construído, tenso, denso… Stephen King nem sempre precisou tocar o sobrenatural pra tecer uma boa história, como é o caso de Misery!

    1. Boa história do king enquanto a crítica foi meio forçada . Um grande filme dos anos 90 e olha que não são muitos que são bons nessa década eu assisti em uma tv de 14 polegada em fita vhs só vi uma vez não lembro se passou na tv.

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