No mais recente capítulo de nossa jornada pela Estrutura de 3 Atos aqui em Engrenagens do Terror, cruzamos o limiar e deixamos para trás o Primeiro Ato. Novamente com base no trabalho da autora Anna Taborska, adentraremos agora o Segundo Ato, quando o protagonista busca alcançar seu objetivo ou resolver o problema surgido no ato anterior, mas se depara com aquilo que Robert McKee chama de Complicações Progressivas.
O Segundo Ato é batizado por Taborska de Horror Desencadeado. De acordo com a autora, na primeira metade desse ato a ação é crescente:
“a situação se torna grave e o perigo aumenta — o(s) protagonista(s) começa(m) a investigar a entidade ou situação, o que leva a encontros ou descobertas ainda mais aterrorizantes. Personagens podem morrer ou desaparecer nesta etapa. O horror se revela lentamente, mas permanece parcialmente oculto.
Cenas de construção de tensão — alternam-se momentos de calmaria e suspense com explosões de terror (jump scares, imagens inquietantes). Intensifica-se a sensação de isolamento, medo e desespero dos protagonistas.”
O Segundo Ato de Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, 1981) – roteiro de John Landis – traz David (David Naughton) em um hospital de Londres recuperando-se dos ferimentos infligidos por um lobisomem (Paddy Ryan), que a polícia insiste que era nada mais do que um homem enlouquecido. Lá, David tem um pesadelo no qual corre nu por uma floresta, mata um animal com suas próprias mãos e devora sua carne crua e outro em que uma tropa de demônios nazistas invade sua casa e mata-o junto com sua família. Ainda mais bizarras são as aparições de seu amigo Jack (Griffin Dunne), morto no mesmo ataque que o vitimou. Ele surge diante de David em carne e osso – o que sobrou dele, uma vez que seu corpo se encontra dilacerado exatamente da maneira que o lobisomem o deixou. Por ter sofrido uma morte não-natural, Jack agora está fadado ao Limbo até que o último lobisomem daquela linhagem seja destruído – no caso, o próprio David, que fatalmente irá se transformar durante a próxima lua cheia. A cada aparição, Jack se encontra mais deteriorado, mas David não lhe dá ouvidos quanto à vindoura transformação ou à única solução possível: seu suicídio antes da lua cheia.

No Segundo Ato, pode ser interessante que os acontecimentos negativos recebam como contraponto alguns momentos positivos. Inserir respiros momentâneos e pequenas vitórias no caminho do protagonista fará com que cada sombra pareça ainda mais escura em contraste. No caso em questão, é a enfermeira Alex (Jenny Agutter) quem proporciona esses lampejos de esperança a David. Ela o abriga em sua casa assim que ele sai do hospital, e logo os dois iniciam um romance. Dessa forma, a presença de Alex funciona não somente para criar esse contraste, mas também para aumentar ainda mais a tensão: agora David tem por perto alguém com quem se importa. Alex estará em perigo quando a lua cheia chegar?
Sombrios sinais foram percebidos. Terríveis avisos foram dados. Os ponteiros do relógio avançam. A tensão se acumula. O Segundo Ato se encaminha para o Midpoint. Mas disso nós falaremos na próxima edição de Engrenagens do Terror!
E, se você gosta do conteúdo desta coluna e quer conhecer meus Cursos de Roteiro e serviços de Consultoria e Mentoria, que tal dar uma olhada no meu Linktree?
Até mais!
