![]() Colin
Original:Colin
Ano:2008•País:UK Direção:Marc Price Roteiro:Marc Price Produção:Marc Price Elenco:Alastair Kirton, Daisy Aitkens, Kate Alderman, Tat Whalley, Dominic Burgess, Rami Hilmi, Clare-Louise English |
por Filipe Falcão
Filmes com zumbis não representam nenhuma novidade para o gênero terror. Desde que George Romero lançou o seu clássico A Noite dos Mortos-Vivos (The Night of the Living Dead), em 1968, a ideia dos defuntos que saem de suas tumbas para perseguir os vivos passou a figurar como um dos elementos mais simbólicos do cinema de horror. Por tal motivo, também é justo afirmar que a maioria das produções que vieram na sequência podem simplesmente serem qualificadas como remakes que contam as mesmas tramas.
Mas verdade seja dita de que com tantos filmes estrelados por mortos-vivos, criar algo novo dentro desta temática se tornou uma tarefa realmente difícil. No entanto, uma recente surpresa envolvendo zumbis foi produzida na Inglaterra, custou 45 libras e tem o título de Colin (Colin). Mais uma vez, temos um filme que mostra o planeta sendo atacado por mortos que saem de suas tumbas para perseguirem os vivos. A diferença desta vez é que Colin tem toda a sua ação narrada pela perspectiva de uma dessas criaturas.
O filme acompanha a rotina de Colin, um rapaz na faixa dos seus 25 anos que, após escapar de um grupo de zumbis, acaba sendo atacado por um morto-vivo escondido em sua própria cozinha. No dia seguinte, Colin já não tem mais consciência e segue guiado por um apetite de carne humana. É após esse prólogo que passamos a acompanhar as desventuras do rapaz que vaga pela cidade enquanto busca alimento e sobrevivência.
O diretor Marc Price conseguiu criar, com apenas 45 libras, cerca de 150 reais, uma obra intrigante envolvendo mortos-vivos. Durante os primeiros 20 minutos de projeção, o espectador pode ter a impressão de que está diante de mais uma obra com sangue quase transparente e objetos de cena que mais parecem vindos do vila do Chaves. Mas com o desenrolar da trama e o começo da jornada de Colin, é possível se surpreender com o resultado do trabalho.
Neste aspecto, Colin acaba sendo um filme que consegue agradar quem gosta de filmes com zumbis tradicionais, já que as conhecidas cenas que mostram pessoas sendo devoradas vivas estão presentes. Claro, por motivos financeiros, algumas sequências não mostram os ataques como a geração atual se acostumou a ver nos incontáveis remakes das obras do passado. Mas Colin vai além disso.
Como resultado, Colin apresenta um conto de um homem que se transforma em zumbi e durante esta jornada, precisa encontrar comida, escapar de humanos que o perseguem e, acima de tudo, entender o que está acontecendo com ele. Neste aspecto, podemos buscar no clássico Dia dos Mortos (Day of the Dead, 1985) a referência de Colin com o zumbi Bud que provocava medo não por estar morto, mas por ter resquícios de consciência.
Utilizando sombras e sons, além de uma trilha sonora bastante diferente do que estamos acostumados a escutar, Price criou um zumbi que existe além do medo ou de estereótipos. O resultado é mais do que positivo, embora realizar a produção desta forma pode ser vista como um risco para o diretor, uma vez que o projeto pode desagradar a fãs de Jogos Mortais e derivados, que querem apenas sangue e mortes e podem esperar que Colin seja um novo A Noite dos Mortos-Vivos.
Neste caso, Colin é quase um experimento em forma de filme de terror. Uma obra na qual o herói é um zumbi é uma nova interpretação e pode ser apreciado por aqueles que entendem o gênero como algo que vai além de sangue.
Bate-Papo com o Diretor
A equipe do Boca do Inferno teve a oportunidade de conversar com o diretor Marc Price que, entre vários assuntos, explicou que fez Colin como uma homenagem aos fãs do gênero.
Boca do Inferno: Olá Marc. Antes de mais nada, por que fazer um filme com 45 libras? Você tentou algum apoio financeiro?
Marc: Não, não tentei e não me arrependo. Na verdade, quando eu me propus a fazer este filme, já foi com a intenção de não precisar perder tempo em busca de patrocínios. Eu queria fazer o filme sem interferência de ninguém e acho que consegui. Basicamente chamei alguns amigos e começamos o processo. Também precisei contar com pessoas que topassem trabalhar de graça e por isso utilizei muitos atores amadores no filme.
Boca do Inferno: E como você fez para filmar utilizando sangue ou vísceras?
Marc: Eu sou um grande fã de filmes de terror e já havia feito um curta-metragem em 2005. Então eu já tinha parte deste material ou sabia como fazer o que fosse necessário.
Boca do Inferno: E quanto tempo você levou para produzir Colin?
Marc: No total… hum… 18 meses.
Boca do Inferno: Existem várias cenas gravadas em ruas de Londres. Como foi para conseguir autorização?
Marc: Eu não consegui. Eu escolhia algumas ruas nas quais conhecia as pessoas e que claro, não tinham muito movimento. Uma vez um vizinho se incomodou com o barulho e chamou a polícia, mas o guarda era fã de filmes de terror e então não me prendeu, mas disse para eu tomar mais cuidado, pois se fosse outro policial, eu teria o equipamento apreendido e poderia receber uma multa.
Boca do Inferno: E como tem sido a resposta do público?
Marc: Eu não leio o que os críticos escrevem então você pode falar mal de Colin (risos). Na verdade eu tenho recebido emails de fãs do gênero ou de pessoas que assistiram ao filme a impressão delas tem sido positiva. E eu fico feliz com isso, pois este filme foi feito para fãs de verdade. Eu sou um dos maiores fãs de produções de terror e respeito muito o gênero.
Boca do Inferno: Então somos dois. O que você acha das atuais produções do gênero?
Marc: Existe muita coisa boa, é claro, mas eu noto que hoje temos uma grande indústria que controla tudo o que vai ser lançado, então ficamos sem identidade. E acho que existe muita repetição de fórmula. Você até toma susto, mas não sente medo.
Boca do Inferno: Como começou a sua relação com filmes de terror?
Marc: Quando eu era adolescente. Eu não fumava, nem bebia e nem fazia sexo, então meu vicio foi assistir filmes de terror.
Boca do Inferno: E qual é o seu filme de terror favorito ou aquele que deixa você sem dormir.
Marc: ET
Boca do Inferno: O do Spielberg?
Marc: É ridículo não? Eu acho que sou o único adulto que tem pavor daquele bicho. Mas é a verdade.
Boca do Inferno: Algum projeto em mente?
Marc: Sim, o título é Thunderchild, mas eu não posso falar muita coisa agora sobre o mesmo, pois ainda estou no começo da produção. Fazer filme sem dinheiro leva tempo.
Boca do Inferno: Para este novo, você vai tentar algum financiamento?
Marc: Acho que não… Deu certo em Colin (risos).







ele foi bem engraçado,muito legal.