![]() Bone Keeper
Original:Bone Keeper
Ano:2026•País:EUA, UK Direção:Howard J. Ford Roteiro:Howard J. Ford Produção:Howard J. Ford Elenco:John Rhys-Davies, Sarah Alexandra Marks Sarah Alexandra Marks, Louis James, Tiffany Hannam-Daniels, Sophia Eleni, Danny Rahim, Tyler Winchcombe, Sarah T. Cohen |
Quando vi as primeiras informações sobre Bone Keeper, como a direção e o roteiro pertencer a Howard J. Ford (das bagaceiras divertidas The Dead 1 e 2) e a participação de um ator que gosto muito, John Rhys-Davies (o Sallah de Indiana Jones e o Gimli, de O Senhor dos Anéis), mesmo sabendo que se trata de uma produção independente, imaginei que pudesse vir algo bom daí. O interesse aumentou por perceber que a ameaça, oriunda do rascunho de um horror cósmico, parecia ter fugido de O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982). Na verdade, eu já havia criado uma imagem mental de que se tratava de uma mistura do body horror a la John Carpenter com Abismo do Medo (The Descent, 2005), propondo uma criatura que mescla partes humanas com o que encontrar pelo caminho. Pelo menos, o trailer deixava uma boa impressão.
Já dava para perceber desde o prólogo — feito com IA grosseiro — que eu poderia estar errado. A condição independente, apoiada em CGI de qualidade duvidosa, mostrou que a caverna poderia não ser como eu esperava. Na proposta, milhares de anos atrás um cometa atingiu uma região remota, despertando uma criatura que era mantida adormecida desde o início dos tempos. Quem se aproxima do local de queda, onde há uma caverna que poderia pertencer a série Dark, nunca mais é visto, como foi o que aconteceu com o explorador James Wheeler em 1976. No presente, Olivia Wheeler (Sarah Alexandra Marks) e seus amigos Ethan (Louis James), Nick (Tyler Winchcombe), Ravi (Danny Rahim), Nadia (Sophia Eleni) e Annabelle (Tiffany Hannam-Daniels) querem descobrir o paradeiro da mãe de Olívia, Lucy (Angela Dixon), também desaparecida no local. Eles partem para descobrir a moradia do Professor Harisson (Rhys-Davies), profundo conhecedor da região e que também teve uma experiência em frente à caverna, e, no caminho, levam a blogueira Ashley (Sarah T. Cohen), que pretendia fazer conteúdo envolvendo lugares assombrados e se interessou pela aventura.
Percebeu a bagunça? Uma pessoa desapareceu. Uma parente dessa pessoa foi ao local e também desapareceu. Os jovens do filme querem ir também lá para encontrar a segunda pessoa, e para isso, precisam achar um professor que quer desaparecer! Eles visitam um pub, no clichê dos habitantes hostis que tratam mal forasteiros, arrumam confusão até finalmente encontrar a casa do tal Professor. Uma enrolação para o que realmente interessa: a gravação em Super 8 de James que mostra o que parece ser uma aparição monstruosa. Harisson não conseguiu convencer as autoridades a invadir o local mesmo com tantos desaparecimentos, e não se entende por que os residentes das proximidades não apoiaram essa intervenção militar, se o lugar é considerado maldito. O enredo poderia ter inventado alguma ideia de deus pagão, oferendas e outros absurdos, mas nem isso: “você não deve ir até lá e pronto. Detesto sua presença aqui, mas também não quero que morra.”
Segundo um dos personagens, há milhares de cavernas na região, o que precisaria de uma ajuda para encontrá-la. Não é o que parece. Todo mundo acha fácil a entrada, não há qualquer perspectiva de ambiente inacessível ou uma colmeia — e nem se entende a falta de placas ou a razão de até então ninguém ter pensado em bloquear o acesso. Depois que os jovens entram facilmente no local (são tão idiotas que resolvem se desfazer de pesos das mochilas e comem e bebem tudo o que trouxeram antes de entrar, sendo que a alimentação trazida foi provavelmente para emergências, no caso de se perderem por lá), é impossível não rir do fato da ambientação sempre parecer a mesma; esqueça o que Neil Marshall fez em 2005, com descida perigosa, espaços estreitos, transmitindo mesmo uma impressão de longa caminhada em um ambiente sem iluminação. Até quando os jovens precisam se arrastar por “passagens estreitas“, nota-se que se trata de um local espaçoso e os personagens estão se arrastando no chão, além de nunca deixar transparecer que estão andando muito tempo por lá, como o roteiro quer que você acredite.
E a tal criatura que habita a caverna? Além de Howard J. Ford não explorar o suspense sobre a aparência dela, já mostrando digitalmente desde o prólogo, os efeitos variam entre o aceitável, quando a cena é rápida e com baixa iluminação, para o de algo que você já enfrentou jogando as primeiras edições de Doom. Mesmo percebendo que ali pode haver algo ameaçador, os personagens fazem idiotices do tipo se afastar do grupo ou buscar mais evidências do que já conseguiram, ou retornarem a um local para buscar algo esquecido, e até se afastarem pouco da caverna na montagem de um acampamento.
Mal realizado em diversos aspectos, Bone Keeper não compensa nem pela pequena participação John Rhys-Davies ou como filme de monstro. Há sangue, sim, assim como um gore digital que mais incomoda do que impressiona. Se divertisse pelo menos, talvez valesse a pena a exploração dessa caverna, mas nem isso. É um filme que assim como a motivação dos personagens, deveria desaparecer ou simplesmente ser esquecido.






