2.4
(5)

Predadores
Original:Predators
Ano:2010•País:EUA
Direção:Nimród Antal
Roteiro:Alex Litvak, Michael Finch
Produção:Elizabeth Avellan, John Davis, Robert Rodriguez
Elenco:Adrien Brody, Topher Grace, Alice Braga, Walton Goggins, Oleg Taktarov, Laurence Fishburne, Danny Trejo, Louis Ozawa Changchien, Mahershala Ali, Brian Steele, Derek Mears

Muito mais um filme de ação do que ficção científica, Predador, de 1987, foi lançado com baixas pretensões, uma produção feita para se comer pipoca, um bom elenco e o vilão título que se tornou um dos grandes monstros modernos do cinema. Com esta película e com a seguinte, Duro de Matar, o diretor John McTiernan alçava seu nome aos grandes dos anos 80.

O mais curioso é que como o público se identifica muito mais com a criatura caçadora de homens do que com os próprios protagonistas, ficando muito difícil criar histórias que pudessem trazer o Predador de volta as telas. Eis que em 1990 é lançado Predador 2, dirigido por Stephen Hopkins (A Hora do Pesadelo 5). Pode culpar a época em que foi lançado, onde o público aparentemente gostava mais de filmes família (Três Solteirões e uma Pequena Dama, Esqueceram de Mim) ou a simples falha de um roteiro sem atrativos com aquela cara de “Domingo Maior“, mas fato é que dos 35 milhões do custo, o filme fez decepcionantes 57 milhões em bilheteria, colocando um cadeado para novas sequências.

Apenas quatorze anos depois outra chance é dada ao monstro, contudo desta vez precisa compartilhar a tela com outro monstro renegado em Alien Vs Predador. A despeito de seus defeitos, o sucesso foi grande o suficiente para habilitar uma continuação do crossover, lançada no natal de 2007.

Apesar deste ser relativamente recente, um terceiro filme solo do Predador começou a ser idealizado no longínquo ano de 1994, enquanto o diretor Robert Rodriguez rodava A Balada do Pistoleiro para a 20th Century Fox, detentora dos direitos do personagem. Este rascunho de roteiro foi entregue aos executivos que negaram a realização por motivos orçamentários. Foi só em 2009 com a lucratividade dos dois Alien Vs Predador, que a Fox decidiu tocar em frente o pré-script de Rodriguez, contratando Alex Litvak e Michael Finch para escrever o roteiro.

Embora muito interessado em dirigi-lo, compromissos assumidos antes da “luz verde” do estúdio (especialmente Machete), fizeram Rodriguez ceder a cadeira de diretor, ficando no posto de produtor somente. Os nomes de Neil Marshall (Dog Soldiers, Abismo do Medo) e de Darren Lynn Bousman (Jogos Mortais 2 a 4) foram considerados, mas quem acabou pegando o trabalho foi Nimród Antal de Temos Vagas.

Para Predadores, tanto Antal quanto Rodriguez decidiram simplesmente ignorar os eventos de Predador 2 e os crossovers para criar algo que partisse direto do original e pegaram módicos 40 milhões de dólares para 53 dias de filmagem no Hawaii e no Texas. Para ter uma ideia do quanto esse valor é insignificante, Alien Vs Predador 2 custou a mesma cifra e não tinha Adrien Brody e Laurence Fishburne no elenco.

Sendo lançado nos cinemas do Brasil em 23 de julho, duas semanas depois dos Estados Unidos, Predadores é um filme inconstante – mescla partes empolgantes com outras muito ruins – tem muito da “pegada” do Predador original e para as coisas boas ou más, encrusta um aroma de filme B em cada frame. Pode parecer delírio de minha parte, mas a mim pareceu que se fosse feito nos anos 80 com uma fração de orçamento até que poderia ser dirigido por um italiano: Lembra o estilo Luigi Cozzi de Contamination ou o Ruggero Deodato em The Atlantis Interceptor ou mesmo Enzo Castellari na metade de seus filmes. Talvez influência de Grindhouse?

Nem preciso me alongar muito na sinopse para o leitor sacar o que estou dizendo: Royce (Adrien Broody, Giallo: Reféns do Medo) acorda no meio de uma queda livre. Tenta abrir desesperadamente o paraquedas e nessa quase se esborracha no chão.

Predadores (2010) (4)

Uma pessoa normal poderia ter quebrado o pescoço, todavia logo Royce acorda e se vê em uma selva que não lhe é familiar. Nem precisa andar muito e encontra outros na mesma situação (alguns aparecem como se estivesse ‘chovendo‘ homens, num efeito comicamente involuntário), são eles o traficante mexicano Cuchillo (Danny Trejo, figurinha carimbada dos filmes de Rodriguez), o soldado russo Nikolai (o lutador de MMA Oleg Taktarov), a sniper das forças de Israel Isabelle (a brasileira Alice Braga de Eu Sou a Lenda), o oficial das forças revolucionarias Mombasa (Mahershalalhashbaz Ali e duvido que consiga pronunciar o nome deste cidadão direito), o prisioneiro condenado a morte Stans (Walton Goggins), o membro da Yakuza Hanzo (Louis Ozawa Changchien) e o médico Edwin (Topher Grace).

Ninguém sabe como chegou lá e nem em que lugar estão, porém, buscando um caminho para um lugar conhecido, percebem que estão em um planeta alienígena e Royce deduz que as situações que estão passando são típicas de uma caçada, mas eles são a caça, “Predadores do lugar de onde viemos“, como diz Isabelle, que também faz um breve relato dos eventos do primeiro filme, mantendo o elo da franquia com o original.

Sabendo que correm um grave perigo, mas sem saber exatamente “quem” ou “o que” os está perseguindo (acreditem, até aqui já contei quase metade do filme) encontram no caminho Noland (Laurence Fishburne), um humano sobrevivente de caçadas anteriores. No limiar da sanidade, ele conta que de tempos em tempos humanos são capturados e jogados no planeta e três membros da raça superior de Predadores os caçam por esporte. Só para esclarecer, Noland explica que existem duas raças de Predadores, a dos primeiros filme é a inferior e eles são caçados por esta raça mais poderosa. Sua única chance é localizar a nave dos caçadores que fica nos arredores de seu acampamento, porém as chances são mínimas para sobreviver: Na arena do adversário com armas inferiores, conflitos internos e sem qualquer aparato de camuflagem eficiente, muitas balas e sacrifícios precisarão ser feitos para evitar a morte desses anti-heróis.

Posso dizer que Predadores na primeira metade sofre do mal do “excesso de coincidências” ao revistar cada clichê a torto e a direito em busca de uma solução de roteiro para que o filme não tenha menos de 50 minutos de duração. Só para ficar nos exemplos, seja o personagem que se perde no meio de uma fuga para que outro tenha que voltar e se sacrificar para salvar seu traseiro, sejam os “cachorros” anatomicamente incorretos dos Predadores que mesmo com o tamanho de um urso polar não conseguem ser atingidos pela metralhadora giratória do russo, ou mesmo o personagem paranoico e doido de pedra de Fishbourne, fazendo a situação piorar muito antes de melhorar. Juro que neste primeiro ato, onde tudo o que fazem é vagar na floresta, pensei que ia ver um monstro de fumaça voando atrás os personagens, até a trilha sonora nestes momentos parece a composta por Michael Giacchino para Lost.

É latente os momentos de insanidade temporária de alguns personagens e como o personagem de Adrien Broody, mesmo em terra alienígena, consegue interpretar cada sensação dos Predadores com o mínimo de informação. Incomoda e atrapalha se você levar em conta que o original de 1987 era ameaçador justamente porque não sabíamos do que o vilão era capaz e cada cena trazia uma arma nova ou atrocidade maior que a anterior, já Royce neste aqui parece que acabou de assistir Alien Vs Predador e foi parar na caçada.

Pesa também a inutilidade e a falta de carisma dos personagens secundários. Sem entregar surpresas, os que não morrem cedo demais para nos importarmos, são chatos de galocha ou simplesmente não tem linhas de diálogo. Desta forma é tão previsível que é coisa de criança somar dois e dois para saber de antemão quem é que vai sobreviver ao ataque.

Felizmente o filme parece que acorda depois das cenas com Lawrence Fishburne e “engata a segunda“, ficando mais violento, corrido e interessante. Claro que a ridicularidade de algumas partes permanecem (outro exemplo: o Yakuza decide atacar um Predador com uma espada samurai, vai vendo…), porém o final é empolgante, Adrien Broody finalmente convence como ator de ação (o que não acontecia até então) e respiramos aliviados nos créditos finais ao constatarmos que vimos um grande sci-fi B, talvez o de maior orçamento e com o melhor trabalho de fotografia do cinema estadunidense até hoje. O que, repito, não isenta o filme da culpa de ser medíocre e clichê demais – se Broody soltasse uma frase de efeito em sua luta com o Predador chefe eu explodiria meus próprios miolos…

Pois bem, no fim das contas fiquei com sentimentos mistos sobre Predadores: Meu lado “fan-boy” ficou muito puto por ter mais um filme rasteiro baseado em uma das criaturas mais admiradas do cinema, mas minha metade “admirador de bagaceiras” ficou extasiada pela canastrice, cenas de ação e o final explosivo. Pelo menos a maioria das pessoas está gostando, pois Predadores 2 está a um passo do anúncio oficial – a linha de história potencialmente seria um prequel contando mais sobre o personagem de Noland.

Finalizando, gostar ou não do filme vai depender muito do que a franquia Predador representa para você: se gosta de ver algum sentido na história e alguma resposta aos “porquês” só vai se contentar que este é melhor que Predador 2, enquanto os amantes da boa pancadaria entre humanos contra monstros são mais bem vindos. Em todo caso, se a pulga continuou atrás da orelha, aguardar para ver em DVD talvez não seja uma jogada tão ruim assim.

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2 Comentários

  1. A balada do pistoleiro( Desperado, 1997) não é da Columbia ?

  2. Esses filmes descerebrados são divertidos exatamente pela falta de lógica. Os diretores italianos citados no texto fizeram várias “obras-primas” do gênero. Os americanos não conseguem o mesmo charme dessas produções italianas.

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