![]() The Graves
Original:The Graves
Ano:2009•País:EUA Direção:Brian Pulido Roteiro:Brian Pulido Produção:Chris LaMont, Brian Pulido, Francisca Pulido, Brian Ronalds, Dean Matthew Ronalds Elenco:Clare Grant, Jillian Murray, Bill Moseley, Tony Todd, Amanda Wyss, Randy Blythe, Shane Stevens, Barbara Glover, Patti Tindall, Brian Ronalds |
Ao contrário do que se possa imaginar após uma conferida no trailer ou na ficha técnica da produção – que apresenta nomes conhecidos no Cinema B como Bill Moseley, Amanda Wyss e Tony Todd -, The Graves pode ser apontado como uma das maiores bombas do gênero do primeiro semestre de 2010. São tantas as razões para considerá-lo ruim que parece que tudo é uma grande piada de mau-gosto, sendo uma missão impossível analisá-lo sem tropeçar em seus erros diversos.
Dirigido e roteirizado por um tal de Brian Pulido (responsável pelo curta There’s Something Out There), o filme fez parte do After Dark Horrorfest – 8 Films to Die For, de 2010, que aconteceu entre os dias 29 de janeiro a 4 de fevereiro. O festival consiste na exibição de oito produções independentes de terror, valorizando novos diretores e pequenos orçamentos. Depois os filmes exibidos são lançados em DVD pela própria organização do festival, trazendo, vez ou outra, algum filme surpresa como bônus. Engana-se quem pensa que por ser um evento independente o After Dark só traz filmes ruins: Perkins 14 (2009), Do Além (2008), Prisioneiro da Morte (2007), Nightmare Man (2006), A Fronteira (2007) e Aniquilação (2007) são longas que variam do mediano ao interessante ou divertido.
Na edição de 2010, além de The Graves, há o ótimo Lentes do Mal (2009), baseado em Clive Barker, além das produções Kill Theory (2009), The Final (2010), Lake Mungo (2008), The Reefs (2009), Hidden (2009) e ZMD: Zombie of Mass Destruction (2009).
Basicamente, o filme pode ser considerado uma mistura de Maníacos (e seu remake 2000 Maníacos), Colheita Maldita, Desespero, com um episódio do Supernatural – embora, o diretor tenha dito numa entrevista ao site FearNet que seria uma mistura de Buffy, a Caça-Vampiros e Massacre da Serra Elétrica. Aliás, Brian Pulido chama seu filme de um survivor movie without violence (só poderia sair coisa ruim disso…).
Começa como Olhos Famintos: duas irmãs estão aproveitando para passar um último final de semana juntos, já que uma delas, Megan, conseguiu emprego em Nova Iorque. Ambas trabalhavam numa revistaria (como os Frogs em Os Garotos Perdidos), eram sempre unidas, mas a oportunidade de um novo trabalho serviu de incentivo para as garotas resolverem fazer uma viagem pelos desertos da América em busca de pontos turísticos obscuros.
As irmãs Graves (graves quer dizer tumbas – um trocadilho tão idiota quanto o sobrenome Glass dos moradores da Casa de Vidro), Megan (Clare Grant) e Abby (Jillian Murray), resolvem parar numa pequena cidade, uma tal de Unity, com 239 habitantes para uma refeição rápida, mas quase esbarram numa jovem fugitiva que corria em direção às estradas até ser alcançada pouco antes do filme homenagear Colheita Maldita, apesar do diretor remeter ao clássico de 84 ao fazê-las sintonizar a rádio religiosa local.
Nos primeiros quinze minutos, chega a incomodar o fato delas usarem uma câmera de vídeo para registrar a excursão, fazendo o diretor alternar cenas reais com as de um filme tradicional. Felizmente, o recurso é logo abandonado para evitar novas comparações com outros filmes do gênero, já que o roteiro é evidentemente uma salada de ideias reaproveitadas.
Ao parar no restaurante Screamers (citação ao filme de 1995, baseado em Philip K. Dick, ou apenas às forças sobrenaturais do local?), estranhos habitantes ocupam as mesas, com suas atitudes e trejeitos peculiares. Entre eles, está o Reverendo Abraham (Tony Todd), acompanhado daquela jovem fugitiva de minutos atrás. Ver o eterno Candyman numa produção do gênero sempre desperta o interesse dos fãs, já que sua voz gutural e sua interpretação exagerada, com feição canastrona, dão um charme macabro a qualquer película.
Darlene (Amanda Wyss – a Tina de (A Hora do Pesadelo, de 84), a garçonete do estabelecimento, indica um passeio às garotas: que tal conhecer uma mina abandonada que possui uma história bizarra e possíveis fantasmas reais? É claro que as tontas aceitarão a experiência, sem saber que na área atua um tal ferreiro, Jonah (Shane Stevens), que costuma matar os incautos – algo que ele fez no começo com a direção alternando cenas do homem trabalhando, para justificar a profissão, enquanto uma família se aproximava para morrer offscreen.
Na entrada do passeio à Cidade da Caveira, conhecem a dona (Barbara Glover), que se denomina Mamãe (mais citações, de Troma ao Massacre da Serra Elétrica), que lhes dá um folheto sobre as lendas locais. Parece que Unity teria sido fundada por um tal de Garry Ogburn, em 1843, que desenterrou um esqueleto e achou ouro. Com a disputa pela descoberta, Garry teria enlouquecido e enforcado 18 pessoas – os tais fantasmas que habitam o local.
Assim que uma nova vítima acontece pelas mãos do ferreiro, que sempre lamenta sua obrigação (ó vida, ó céus, ó azar), as meninas percebem tardiamente que estão numa cidade maldita, cujos habitantes matam para alimentar os espíritos da mina – quando alguém morre sua alma é devorada pelos espíritos gritantes, mas que não dão o ar da graça. Outros assassinos aparecerão como o pacato e verborrágico Caleb (Bill Moseley), um papai e outros indivíduos esquisitos.
Embora o diretor anuncie aos quatro ventos que parece ter dado vida a um novo clássico do gênero e queira resgatar as mulheres nos cinemas de horror (ele é o autor da comic Lady Death, e não deve ter visto Abismo do Medo), The Graves não consegue esconder seus defeitos. Começando pela direção amadora e medrosa, que foge das melhores cenas e mostra o que não deve – como o momento trash em que um cabeludo resolve verificar se as meninas estão presas numa cadeira e precisa chegar até ela bem perto para constatar isso -, passando pelos episódios ridículos (a queda num buraco que gera um desmaio longo e anti-climático) e culminando nos poucos figurantes que representam a cidade. Você vai ver meia-dúzia de atores, no restaurante e na reunião entre os moradores, evidenciando o baixo-orçamento e a pouca criatividade da produção.
Em entrevista ao site DreadCentral, Brian Pulido contou as dificuldades que teve para realizar seu filme:
Nós o fizemos em maio de 2008, e estivemos nas locações por duas semanas. Era um lugar legal, mas muito difícil de filmar. Não tínhamos água, nem eletricidade, e nem conseguimos trazer grandes caminhões ao local. justifica Pulido o excesso de cenas matinais.
Curiosamente o diretor também disse que o ambiente escolhido para as filmagens – as minas Vulture, no Arizona – é verdadeiramente assombrado.
Aconteceram diversas coisas estranhas no local. Nosso departamento de arte teve várias experiências com entidades paranormais durante o processo de preparação do ambiente nas horas noturnas. Certa vez, vimos alguém com uma espingarda; no dia seguinte, lá alguém tinha escrito saiam. Era alguém tentando nos avisar sobre alguma coisa., exagera Pulido, numa tentativa de atrair a atenção para seu filme.
The Graves não se define entre produção sobrenatural e slasher tradicional, culminando numa mistura indigesta onde as homenagens acabam beirando o ridículo. Se fosse uma produção com toques de humor, uma sátira ao estilo, o filme teria um resultado mais satisfatório, porém nota-se o esforço da equipe em produzir um filme de terror sério, ocasionando risadas involuntárias.
Brian Pulido deve ter ficado orgulhoso de seu trabalho, tanto que já engatilhou uma continuação. The Graves 2: Return to Skull City, sem a participação do elenco original nas primeiras notas – o que não sei se pode ser considerado uma boa notícia!






passarei longe.