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Rasputin (1966)
Christopher Lee como você nunca viu antes!

Rasputin: O Monge Louco
Original:Rasputin: The Mad Monk
Ano:1966•País:UK
Direção:Don Sharp
Roteiro:Anthony Hinds
Produção:Anthony Nelson Keys
Elenco:Christopher Lee, Barbara Shelley, Richard Pasco, Francis Matthews, Suzan Farmer, Dinsdale Landen, Renée Asherson, Derek Francis, Joss Ackland, Robert Duncan, Alan Tilvern, John Welsh, John Bailey

por Matheus Ferraz

Grigori Yefimovich Novykhn, mais conhecido como Grigori Rasputin, foi uma das figuras mais curiosas da história mundial. A princípio um monge expulso de monastérios por causa de seu comportamento (era um mulherengo incorrigível e bêbado compulsivo), Rasputin usou sua inteligência e supostos poderes paranormais para pavimentar seu caminho rumo ao palácio da família Romanov, onde agia como conselheiro da czarina. Com a chegada da Primeira Guerra, Rasputin se tornou o verdadeiro chefe da Rússia, governando todo o país através dos czares. Por isso, foi considerado perigoso demais para viver, e um complô foi armado para seu assassinato, sendo preciso uma alta dose de veneno e um tiro para que finalmente morresse.

A maior parte desta história você não vai ver no filme de 1966 da saudosa Hammer Films chamado Rasputin: O Monge Louco, estrelado pelo genial Christopher Lee, em grande forma. Isso porque, apesar de contar com vários personagens reais, esta película dirigida por Don Sharp está longe de ser uma biografia do misterioso personagem. É sim uma produção com aqueles elementos típicos do estúdio inglês, que usa a figura de Rasputin para criar um legítimo filme de horror.

Rasputin (1966) (2)

Filmado lado a lado com o clássico Drácula: O Príncipe das Trevas, e usando, inclusive, boa parte do elenco e equipe deste, Rasputin começa com uma daquelas típicas tabernas dos filmes da Hammer. Um médico é chamado para tratar da esposa (Mary Quinn) do proprietário do lugar (Derek Francis), que está sofrendo com alguma doença desconhecida. O doutor dá poucas esperanças de sobrevivência. É aí que surge Rasputin, um estranho de longas barbas e cabelos, vestido em roupas grosseiras e que se oferece para curar a mulher. Ele sobe até o seu quarto e segura seu rosto nas mãos por longos minutos, e quando as tira, a doença vai embora. Rasputin então exige que seja feita uma festa para comemorar.

E assim, no meio de dança e bebida, a filha do proprietário (Fiona Hartford) se engraça pelo misterioso homem, e os dois vão dar uma escapadinha no celeiro. Mas o namorado da moça, Vassili (Brian Marshall), louco de ciúme, vai atrás dos dois e tenta matar. Eles se engalfinham um com o outro e, como resultado, o rapaz perde a mão e Rasputin é expulso de seu monastério.

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Ele resolve então ir para São Petersburgo para fazer fortuna. Chegando lá, vai para a primeira taberna que encontra e entra numa disputa de quem bebe mais com o Dr. Boris Zargo (Richard Pasco). Chegam também na taverna quatro nobres, Sonia (Barbara Shelley), Ivan (Francis Matthews), Vanessa (Suzan Farmer) e Peter (Dinsdale Landen, o único destes quatro atores que não esteve no elenco de Drácula: O Príncipe das Trevas). Eles observam Rasputin, enquanto ele vence o concurso de bebidas e dança pela taberna. Mas o monge fica furioso ao ver que Sonia ri dele, e exige desculpas.

Os quatro amigos voltam para casa, mas Sonia aparece na casa de Rasputin e, sob efeito de hipnose, vai para a cama com ele. Ao saber que a moça é amiga da família real, ele lhe dá outra sugestão hipnótica, de que faça com que o pequeno herdeiro do trono (Robert Duncan) sofra um acidente e que uma vez que esteja ferido, o próprio Rasputin seja chamado para curá-lo.

Assim se dá, e Rasputin acaba caindo nas graças da czarina, recebendo dinheiro e regalias por seus serviços. Mas, apesar de manter a imagem de homem sagrado, ele continua secretamente com seus vícios e devassidões, chegando ao ponto de cometer assassinatos.

Como dito antes, o filme muda radicalmente a história real. O verdadeiro Rasputin conseguiu muito mais poder no palácio dos czares, e seu destino foi diferente e mais sangrento. Além disso, não há nenhuma menção à Revolução Russa, à Primeira Guerra Mundial ou ao assassinato dos Romanov. Mas isso não tira a qualidade do filme, que continua sendo um ótimo entretenimento, além de contar com algumas cenas fantásticas, como aquela em que Peter invade a casa de Rasputin, que se esconde na escuridão para atacá-lo. Com um ótimo jogo de luz e sombra, esta cena está entre as mais bem feitas de qualquer filme dos estúdios Hammer.

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É claro que isso não valeria nada se o personagem principal não fosse convincente. Christopher Lee tem uma grande atuação, talvez a melhor de seu invejável currículo. Quem está acostumado a ver Lee como Drácula ou Fu Manchu certamente terá um choque ao vê-lo personificando um personagem depravado e de cabeça quente, completamente diferente de sua persona.

No documentário As Várias Faces de Christopher Lee, o ator afirma, inclusive, ter tido um encontro com a filha do verdadeiro Rasputin após o lançamento do filme, que disse que ele se parecia muito com seu pai. Lee afirmou que havia uma grande diferença, por ser mais alto e não ter os famosos olhos azuis do monge, e ouviu como resposta: “Eu me refiro à expressão!“. Curiosamente o próprio Lee seis anos mais tarde confrontaria um personagem inspirado na figura de Rasputin no filme Expresso do Horror (1972), neste caso um padre interpretado por Alberto de Mendonza.

Então, já sabe: se quiser se divertir e conhecer um lado diferente de Christopher Lee, não deixe Rasputin: O monge louco passar batido. Agora, se o seu objetivo for aprender um pouco de história, é melhor ler um bom livro sobre o assunto. Mas, por via das dúvidas, sugiro que faça os dois. Este é um homem que  certamente merece ser conhecido.

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3 Comentários

  1. Filme bastante interessante. Lee nós agraciando com um ótimo desempenho.

  2. MUITO INTERESSANTE A ATUAÇÃO DO MESTRE DO HORROR CHRISTOPHER LEEE NESSE FILME VALE A PENA CONFERIR, PENA QUE O ACESSO AO FILME É DIFÍCIL.

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