![]() Círculo do Medo
Original:Cape Fear
Ano:1962•País:EUA Direção:J. Lee Thompson Roteiro:James R. Webb, John D. MacDonald Produção:Sy Bartlett Elenco:Gregory Peck, Robert Mitchum, Polly Bergen, Martin Balsam, Jack Kruschen, Telly Savalas, Barrie Chase |
por Matheus Ferraz
Nestes últimos tempos em que a onda de remakes assola o cinemão americano, já se convencionou citar uma lista de refilmagens consideradas melhores que o original. Filmes como A Mosca e O Enigma do Outro Mundo tendem sempre a aparecer nestas listas, assim como um certo filme de 1991 dirigido por Martin Scorcese e estrelando Robert De Niro: Cabo do Medo. Mas embora o filme original, chamado por aqui Círculo do Medo (1962), se trate, de fato, de uma obra menor, sempre achei injusto que muitos o coloquem imediatamente num patamar muito inferior à refilmagem de Scorcese. Pois por mais ingênuo que Círculo do Medo possa parecer hoje em dia, não deixa de ser, em muitos momentos, um filme melhor e mais coerente com a sua proposta.
A história todos conhecem. Sam Bowden (interpretado pelo grande Gregory Peck), é um advogado bem-sucedido que tem a vida perfeita: uma casa grande, uma ótima família e uma carreira estável. Tudo parece um mar de rosas para Sam, sua esposa Peggy (Polly Bergen) e sua filha adolescente Nancy (Lori Martin). Então surge Max Cady (Robert Mitchum, infernal), um criminoso de fala mansa que tem contas a acertar com o advogado. Acontece que Sam foi, há muitos anos, testemunha ocular de um crime que levou Cady para a cadeia, e o bandido quer se vingar pelos anos encarcerado. Por isso, começa a perseguir a família Bowden por toda parte.
A princípio, Sam pede ajuda ao amigo policial Mark Dutton (outro monstro sagrado, Martin Balsam) para tentar expulsar Cady da cidade pelos meios legais. Mas o criminoso é esperto, e sempre encontra uma forma de se inocentar, e ainda por cima acusa a polícia de perseguição, ao mesmo tempo que manda mensagens para Sam ameaçando estuprar Nancy. Sam então contrata um advogado particular, Charles Sievers (interpretado por Telly Savalas – com cabelo!). Siever acredita que pode mandar Cady para a prisão por ter violentado uma jovem chamada Diane (Barrie Chase), mas a moça tem medo demais, e se recusa a testemunhar num tribunal.
Num ato de desespero, Sam contrata um grupo de vagabundos para espancar Cady, mas mais uma vez o bandido usa o feitiço contra o feiticeiro, e Sam acaba parando no tribunal com uma ameaça de ter sua licença de advogado cassada. Chegando ao seu limite, Sam decide enfrentar Cady de homem para homem, num confronto que tomará lugar no famoso Cabo do Medo.
Círculo do Medo é um filmaço, do tipo que só se fazia na época dourada de Hollywood. A direção de J. Lee Thompson (que posteriormente faria vários filmes com Charles Bronson) é convencional, mas o filme se apoia, muito sabiamente, no roteiro e nas interpretações de seu grande elenco. Peck, o eterno herói incorruptível, está em sua persona como Sam Bowden. Já Martin Balsam é um excelente ator que deveria ter mais reconhecimento (curiosamente, a sua famosa cena de morte em Psicose seria filmada em um dos mesmos cenários de Círculo do Medo).
Mas a grande estrela do filme é, sem dúvida, Robert Mitchum, como um dos grandes vilões do cinema, sempre com o olhar único que era a sua marca registrada. O próprio Gregory Peck, que além de atuar era produtor, deixou claro desde o início que queria que o ator que fizesse vilão dominasse o filme. O Max Cady de Mitchum não é, como na caracterização exagerada de Robert De Niro no remake, uma besta sobre-humana, mas um criminoso maligno e astuto, frio e metódico, daqueles com quem você jamais puxaria uma briga. Esta é a grande vantagem do original sobre o remake: enquanto De Niro faz Cady como uma força da natureza, assustador mas completamente improvável, Mitchum faz aquele tipo perigoso que você pode encontrar tomando uma cerveja num boteco, louco para arrumar confusão. E não precisa das tatuagens ou do super-intelecto que o personagem ganhou na refilmagem (há apenas uma breve menção ao fato de que teria estudado leis enquanto estava na prisão) para apavorar suas vítimas. Em outras palavras, o Cady de De Niro é o tipo que faz você ter pesadelos, enquanto Mitchum te dá medo quando você está acordado.
Curiosamente, o contrário acontece com os heróis: se no original a família Bowden parecia íntegra e incorruptível, na refilmagem eles se tornaram mais humanos e cheios de falhas, especialmente Sam, que na versão de Nick Nolte cometia seus deslizes tanto no tribunal quanto com outras mulheres fora do casamento. Em resumo: o vilão se tornou mais fantasioso ao passo que os mocinhos ficaram mais realistas. Aliás, o filme de Scorcese não foi o primeiro remake da obra. Há uma outra produção de 1984 feita na Índia chamada Kanoon Kya Karega (O que a lei pode fazer?) que usa a mesma trama, adaptada para o cenário oriental.
Mas o grande problema de Círculo do Medo é, sem dúvida o seu final, covarde e até ingênuo ao tentar manter a sanidade de Sam e Cady (nunca me esqueço da cena no remake com De Niro e Nolte perdendo toda a racionalidade e se engalfinhando como animais). Mas felizmente não temos nada tão exagerado como Cady queimando a própria mão com cera quente apenas para assustar suas vítimas, como no remake.
E mesmo sendo covarde em alguns momentos, o filme original ganha pontos por suas sugestões de violência sexual que, embora sutis, devem ter causado uma grande comoção lá em 62, principalmente os assédios de Cady sobre Nancy – a atriz Lori Martin tinha apenas 15 anos na época!
E para quem, como eu, adora filmes menores, Círculo do Medo é a obra superior, e coloco a atuação de Mitchum acima da de De Niro sem pensar duas vezes. Ainda mais vivendo num mundo cheio de Max Cadys como ele andando pelas ruas…






Cara o filme Círculo do Medo tem lá seus méritos, principalmente pela excelente atuação de Robert Mitchum, mais sua atuação não é melhor do que a de Robert de Niro tanto é verdade que Robert de Niro, foi indicado ao Oscar de Melhor Ator no ano seguinte é só perdeu porque Anthony Hopkins ganhou pelo Silêncio dos Inocentes.
aparenta ser interessante.