
![]() Espelhos do Medo
Original:Mirrors
Ano:2008•País:EUA, Romênia Direção:Alexandre Aja Roteiro:Alexandre Aja, Grégory Levasseur, Sung-ho Kim Produção:Alexandra Milchan, Grégory Levasseur, Marc Sternberg Elenco:Adina Rapiteanu, Aida Doina, Amy Smart, Bart Sidles, Cameron Boyce, Darren Kent, Erica Gluck, Ezra Buzzington, Ioana Abur, Jason Flemyng, John Shrapnel, Josh Cole, Julian Glover, Kiefer Sutherland, Mary Beth Peil, Paula Patton, Roz McCutcheon, Tim Ahern, William Meredith |
Com sua produção de estreia no gênero, o slasher violentíssimo Alta Tensão, de 2003, o francês Alexandre Aja surgiu como uma das grandes apostas do terror, conseguindo elogios de cineastas mais conhecidos como Eli Roth, responsável pela renovação do torture porn, com Cabana do Inferno e O Albergue. No entanto, sua filmografia ainda era inconsistente, tendo comandado o curta Over the Rainbow – que chegou a ser nomeado para o cultuado prêmio Palma de Ouro – e o drama fantástico Fúria (1999). Três anos depois, em 2006, emprestado para os americanos, Aja teve a ousadia de refilmar um dos grandes clássicos da década de 80, do diretor Wes Craven, Quadrilha de Sádicos (The Hills Have Eyes), tendo como resultado o mérito de fazer um dos poucos remakes americanos que conseguiram superar o original, o sangrento Viagem Maldita. O resultado fez com que Aja oficialmente figurasse entre os bons diretores do gênero, atraindo olhos assustados do mundo inteiro para suas próximas produções. O cineasta roteirizou o semi-gore P2, em 2007, enquanto se preparava para comandar seu primeiro blockbuster, o remake da mediana produção coreana Into the Mirrors (2003), de Sung-ho Kim.
Tendo feito um excelente trabalho com o filme de Wes Craven e contando com a participação do excelente ator Kiefer Sutherland (da série 24 Horas) era quase impossível que algo desse errado. Mas, o pior aconteceu. Alexandre Aja entregou uma produção comum, um remake digital, deixando seus fãs com gosto de quero mais sangue, e de verdade, não em CGI – um erro que outros diretores já haviam cometido quando ousaram refazer suas obras, ou quando toparam migrar para a América em busca de reconhecimento. Será que ainda não perceberam que o problema está em Hollywood?
Com roteiro de Aja e seu velho parceiro Grégory Levasseur, Espelhos do Medo (tradução tipicamente brasileira – que insiste em acrescentar o gênero do filme no título) é mais uma história de maldição e fantasmas que segue o estilo oriental de tentar surpreender o espectador mais do que o próprio protagonista. Kiefer Sutherland é Ben Carson, um ex-policial que teve a vida e a carreira destruídas depois de um incidente, há cerca de um ano, que acabou culminando com a morte de um colega. Sem ânimo de viver, Carson se entregou à bebida e aos remédios anti-depressivos, deixando de lado sua esposa Amy (Paula Patton) e seus dois filhos, Daisy (Erica Gluck) e Michael (Cameron Boyce). Abandonado, morando agora com a irmã, Ângela (Amy Smart), ele tenta adquirir um novo ânimo, buscando emprego como segurança no que sobrou de um shopping depois que um homem matou mais de quarenta pessoas incendiando o local. Trabalhar como segurança num lugar praticamente em ruínas pode parecer um serviço simples, mas o fato dele estar substituindo um suicida pode tornar o emprego um pouco arriscado.
O shopping Mayflowers é o cenário ideal para um filme de terror: mal iluminado, com suas paredes escuras, repleto de manequins que parecem cadáveres chamuscados, com ambientes tétricos, goteiras espalhadas em seus andares mortos… tudo reflete (os trocadilhos serão inevitáveis) o atual estado de Carson: um tom melancólico, de sofrimento constante. No entanto, o que mais chama a atenção é o gigantesco espelho que se encontra no centro do ambiente – que, por mais incrível que possa parecer – não sofreu nenhum dano apesar do violento incêndio.
Obcecado pelo móvel, Carson é acometido pelas visões assustadoras que o espelho transmite, deixando-o ainda mais fragilizado quando a maldição começa a atingir as pessoas que ama. Assim, o ex-policial inicia um processo de investigação do passado do espelho, do shopping e até mesmo das pessoas relacionadas ao incêndio a fim de evitar que se torne mais uma vítima dos reflexos malditos.
Alexandre Aja errou por diversas vezes em Espelhos do Medo. Começando pela ideia de mostrar o espelho agindo contra a primeira vítima logo na cena inicial, ato que impediu qualquer possibilidade de permitir que o espectador pense que tudo o que está acontecendo poderia fazer parte da decadência física e mental do protagonista. Também errou ao usar efeitos digitais nos fantasmas, no fogo, nas mortes e nas almas presas no espelho, fazendo o filme remeter ao computadorizado A Casa Amaldiçoada. Por fim, ao furar o roteiro por diversas vezes, fazendo os espelhos continuarem assombrando a família de Carson mesmo ele estando tão próximo de conseguir o principal objetivo do vilão.
Por outro lado, o espectador vai notar que está diante de um filme de Aja, no momento em que o sangue começar a escorrer pela tela. As poucas mortes mostradas são bem sangrentas e gráficas, com destaque para o famoso “suicídio do Didi“, que apesar de exagerado ainda pode causar uma certa aflição no espectador. Outros pontos positivos ficam por conta do visual do shopping e da atuação de Sutherland, que apesar de deixar evidências de seu Jack Bauer, ainda está acima da média.
Que fique bem claro: Espelhos do Medo não é um filme ruim. É apenas trivial, sem surpresas, uma película que reflete tudo o que os americanos têm feito ultimamente em matéria de remakes de produções orientais com fantasmas e maldições. O problema é saber que por trás do vidro está Alexandre Aja, cuja imagem pode ficar ruim caso o seu próximo trabalho não relembre a sua boa forma. Seria como se um dia ele acordasse e visse no espelho a imagem assustadora de Wes Craven e descobrisse que envelheceu mal…





O filme que prende e o final muito legal.
Não dá pra comparar com Viagem Maldita que é excelente, mas eu gostei.
EU GOSTEI,SEM FALAR QUE É O AJA QUE DIRIGE.