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Demônio (2010)
O Diabo Nunca Foi Tão Previsível
Demônio
Original:Devil
Ano:2010•País:EUA
Direção:John Erick Dowdle
Roteiro:Brian Nelson
Produção:Drew Dowdle, John Erick Dowdle, M. Night Shyamalan, Sam Mercer
Elenco:Bojana Novakovic, Bokeem Woodbine, Caroline Dhavernas, Chris Messina, Geoffrey Arend, Jacob Vargas, Jenny O'Hara, Joe Cobden, Joshua Peace, Logan Marshall-Green, Matt Craven

Ser minimalista é um dom para poucos diretores, uma premissa perigosa especialmente quando falamos de um filme de terror. Fazer muito com pouco, causar medo no espectador em um filme com poucos personagens confinados em um lugar onde não se pode escapar e as chances são mínimas de sobreviver, é preciso talento para trabalhar esse conceito sem cair no tédio e no desinteresse. Infelizmente esse não é o caso de Demônio (Devil, no original), lançado no circuito nacional de cinema em 26 de Novembro de 2010.

M. Night Shyamalan – de longínqua fama por O Sexto Sentido e caindo em descrédito a cada novo filme lançado – escreveu a história base que foi roteirizada por Brian Nelson (Menina Má.Com e 30 Dias de Noite), Demônio é o primeiro de uma pretensa trilogia chamada “The Night Chronicles” (também o nome da produtora do diretor que financia Demônio) cujos filmes não terão conexão aparente, mas a mesma ambientação básica: tramas sobrenaturais passadas na sociedade urbana moderna. Para dirigir o escolhido foi John Erick Dowdle, conhecido pelo seu trabalho no “Control+C, Control+V” estadunidense do espanhol [REC] chamado Quarentena.

Se você já conferiu o trailer, já conhece a história toda e portanto não preciso me alongar: Cinco pessoas desconhecidas entre si acabam presas em um elevador dentro de um edifício na Filadélfia. Coisas estranhas acontecem e sem nenhum motivo aparente, chega-se a conclusão de que um deles é um “Demônio”, a polícia e os seguranças que acompanham o drama dos cinco e tentam tirá-los de lá, buscam um resposta e descobrir quem é o tal “demônio” antes que seja tarde demais.

A história é manjada do frame inicial ao final e não é novidade nem spoiler dizer que cada um dos cinco presos no elevador tem ficha no cartório e a sua maneira merecem ser punidos, contudo o grande erro na produção é procurar fazer o público de idiota o tempo todo e tentar colocar dúvidas onde não existem.

Primeiro de tudo, Demônio tenta jogar racionalmente com as regras do “whodunit”, ou seja, tenta arquitetar uma história novelesca de “quem é o assassino” como se houvesse uma explicação para isso quando, de fato, ela não existe. Desde os primeiros eventos, é concreto ao espectador que algo sobrenatural está acontecendo. Reforçado explicitamente numerosas vezes com até uma aparição nos monitores de segurança! Contudo os policiais alheios as ações no elevador ficam tentando encontrar conexões que possam levar a um assassino consciente, o que não faz outra coisa a não ser encher linguiça.

Demônio (2010) (1)

Outras inconsistências no roteiro como visões esporádicas que não levam a lugar algum e personagens que morrem, mas sem envolvimento direto com o que passa dentro do elevador (será que foi puro “azar” ou por influência do tal “demônio”?) ajudam a confundir o espectador e a depreciar o resultado final. Na verdade, ainda estou tentando engolir a cena em que um personagem jogou uma torrada com geleia no chão para provar seu ponto de vista de que o demônio estava dentro do prédio…

A curta duração da película só coloca ainda mais lenha na fogueira, pois com pouco tempo de projeção as personalidades dos personagens são mal trabalhadas (o fato de um dos personagens ter sido preso por agressão, por exemplo, não faz a menor diferença) e quando o são é extremamente exagerado, cito o conveniente supersticioso guarda do edifício – que para ficar mais estereotipado ainda é latino – que mata todo o mistério com praticamente nenhuma informação concreta.

O ritimo lento da produção é latente e como o roteiro é cíclico e repetitivo só piora a situação: os personagens ficam no elevador, as luzes piscam, alguém morre, os sobreviventes se desesperam e desconfiam uns dos outros, a polícia descobre algo mais sobre alguém que está lá dentro e tudo se repete… O diretor Dowdle falha até em explorar devidamente o ambiente claustrofóbico do elevador ao seu favor.

Em uma pequena nota – pois eles não merecem muito mais do que isso – o elenco é inconstante o suficiente para nem guardarmos os nomes de seus personagens e não nos importarmos com seus destinos, contudo ao menos dignos da produção B que constitui Demônio.

A sanguinolência é contida pela baixa censura do filme e poucos momentos de genuina tensão fecham um pacote morno e sem graça que te faz preferir um velho episódio de Além da Imaginação. Tem lá seus momentos de boas cenas e conceitos inexplorados que poderiam elevar a nota – como o suicídio no início do filme que não serve para absolutamente nada (quem é a pessoa? Por que ela estava no prédio? como ela foi influenciada pelo “demônio”?) – só que é pouco para tirar o sono de quem assiste. Ao menos foi bem sucedido o suficiente em bilheteria para garantir os próximos dois filmes de The Night Chronicles: dos 10 milhões de dólares de orçamento já arrecadou quase 50 mundialmente.

Todavia tenho que concordar, é a melhor coisa que Shyamalan se envolveu desde Sinais de mais de 8 anos atrás, só que não considerem isso como um elogio, Demônio é um filme que não merece alarde e poderia ser tranquilamente lançado direto em DVD sem danos ao público – talvez como um curta ou telefilme fosse mais bem aproveitado. Pelo menos o filme tem a propriedade de expandir o espaço-tempo de uma forma que desafia as leis da física como as conhecemos: Caso queira conferir, prepare-se para os 80 minutos mais longos da sua vida.

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9 Comentários

  1. Gostei bastante do filme em vários dos seus aspectos, desde a abertura com a sugestiva tomada invertida da cidade até o final inesperado sobre quem era o demônio, sua fala assustadora, a forma como tudo se interligou à vida do protagonista, a trilha sonora perfeita ao final e as atuações

  2. Eu gostei do filme, nada clichê…ao contrário da sua crítica.
    o filme consegue manter a atenção e você fica doido para saber qual será o final, achei a direção fantástica óbvio que depende muito, cada um tem um gosto e opinião, mas achei a sua crítica um tanto tendenciosa e maldosa, já que existem filmes muito mais clichês que Devil.
    Até que enfim Shyamalan acertou, devemos comemorar!!!

  3. Concordo com boa parte dos comentários dos demais leitores do Boca. Eu gostei desse filme. Quando vi não percebi todas as falhas citadas pelo autor da crítica, que de fato, foram bem explanadas no texto.

  4. Gostei muito desse filme o tema é muito interessante.

  5. Azar, eu gostei. Me manteve interessado até o final. É claro que não tem nada de especial, mas é um passatempo interessante.

  6. Interessante como funciona a subjetividade das pessoas.
    Achei este filme um dos melhores que assisti nos últimos anos. Entrou nos meus favoritos. Filmaço.

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