4.7
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Kraken - Terror no Mar
Original:Kraken
Ano:2025•País:Rússia
Direção:Nikolay Lebedev
Roteiro:Nikolay Lebedev, Aleksey Sidorov
Produção:Nikita Mikhalkov, Vindhya Sagar, Leonid Vereshchagin
Elenco:Aleksandr Petrov, Diana Pozharskaya, Viktor Dobronravov, Aleksei Guskov, Sergey Garmash, Oleg Gaas, Nikolay Kozak

Quando o norueguês Kraken (2026) estava em produção, com direção de Pål Øie, uma obra homônima já chegava aos mares mitológicos do cinema fantástico. É mais uma prova da sintonia entre realizadores, quando ideias parecidas florescem em estúdios diversos, justificando as tendências. De qualquer modo, ambas são bem diferentes em suas propostas, e surgem tardiamente na exploração da tal criatura imensa, mencionada em diários de viagem e glossários desde o século XVII, fazendo parte da ficção na literatura de Victor Hugo e de Jules Verne, até alcançar a Sétima Arte em produções divertidas como O Monstro do Mar Revolto (It Came from Beneath the Sea, 1955), Tentáculos (Tentacoli, 1977), de Ovidio G. Assonitis, e Tentáculos (Deep Rising, 1998), de Stephen Sommers.

Com direção de Nikolay Lebedev, Kraken – Terror no Mar (Kraken, 2025) é uma produção russa muito bem realizada e que segue o caminho de obras como Vinte Mil Léguas Submarinas (1954), com inspiração na escrita de Verne, e Viagem ao Fundo do Mar, tanto o longa de 1961 quanto a série que foi ao ar entre 1964 e 1968, com ambientação quase integralmente em submarinos, explorando claustrofobia e heroísmo exacerbado. Com enredo de Lebedev e Aleksey Sidorov, o longa começa com dois núcleos distintos, apresentando inicialmente os geólogos Julia (Diana Pozharskaya) e Oskar (Anton Rival) em um experimento hidrológico sueco no Polo Norte, envolvendo cargas explosivas que culminam no despertar do monstro. Ele destrói a base dos geólogos, matando toda a equipe, além de trazer consequências graves ao submarino Ataman Yermak, sob o comando do Capitão de Primeira Classe Alexander Voronin (Viktor Dobronravov). Com a estrutura comprometida, antes de afundar no mar, eles acionam um farol de localização de emergência, solicitando ajuda.

A marinha russa envia para resgate o submarino Zapolyarye, consciente que o derrubado possuía uma arma experimental secreta e que não poderia cair em mãos erradas — aquela ideia típica de qualquer filme de ação para justificar os valores investidos numa missão de resgate. O Almirante Belousov (Sergei Garmash) condiciona o novato Viktor Voronin (Alexander Petrov) como Capitão da expedição, ainda mais por ele ser irmão do desaparecido Alexander, contrariando o interesse do Contra-Almirante Olshansky (Aleksei Guskov), com olhares desconfiados de alguém que já trabalhou com o pai deles.

Ao alcançar o farol de localização, encontram Julia e Oskar, e, a contragosto dos presentes, resolvem levá-los à bordo. É claro que a expedição irá cruzar com o Kraken, definido por Julia com conhecimento da história da criatura mitológica, e as tentativas de atacá-la com torpedos trarão consequências que dificultarão a conclusão da missão, pondo à prova a capacidade de decisão de Viktor e os julgamentos de Olshansky. Ao se aproximar do território do Kraken, entre navios naufragados, eles encontrarão o submarino e precisarão do dirigível para alcançá-lo com a esperança de encontrar alguém vivo.

Não é por acaso que a primeira aparição da criatura — nunca completa devido ao tamanho — seja no ataque a uma plataforma norueguesa de petróleo, em respeito às origens mitológicas regionais dela. Os efeitos são bons, seja no passeio submerso ou nas poucas aparições do Kraken: apesar de sua longa duração, com mais de duas horas, são poucas as cenas de ataque, sem muitos confrontos até pela condição desigual, ainda que o enredo faça o infernauta sentir a sua presença o tempo todo. O affair entre Viktor e Julia soa artificial, e desperdiça tempo de projeção ao propor o ciúmes de Oskar, que simplesmente desaparece nos minutos finais. E há ideias clichês, com cronômetro antes de explosão e sugestão de sacrifício, além de falta de ousadia em prol de um final otimista.

Apesar disso, Kraken – Terror no Mar diverte, tem bons aspectos técnicos e transparece uma impressão de filme caro. Gostei mais dele do que do co-irmão norueguês, talvez pela atmosfera thriller marítimo raiz, ainda que seus absurdos transbordem por um oceano racional. Faz pouco ou nenhum sentido como a brincadeira na escolha dos nomes dos personagens: Aleksandr Petrov interpreta Viktor, enquanto Viktor Dobronravov faz o papel de Aleksandr — os tais irmãos que buscam se encontrar e ainda possuem algumas feridas abertas. Para quem quiser vê-lo, o longa chegou recentemente a algumas plataformas de streaming e está disponível para locação.

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