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Águas Mortais
Original:Deep Water
Ano:2026•País:Espanha, Nova Zelândia, EUA, China
Direção:Renny Harlin
Roteiro:Pete Bridges, Shayne Armstrong, S.P. Krause, Damien Power, John Kim
Produção:Gene Simmons, Gary Hamilton, Volodymyr Aremenko, Grant Bradley, Dale G. Bradley, Neal Kingston, Robert Van Norden, Ryan Hamilton, Ying Ye, Adrián Guerra, Bob Yari
Elenco:Aaron Eckhart, Angus Sampson, Ben Kingsley, Lucy Barrett, Molly Belle Wright, Rose Zhao, Lakota Johnson, Mark Hadlow, Rarmian Newton, Madeleine West, Kelly Gale

Para tentar apagar a má impressão deixada na trilogia Os Estranhos, Renny Harlin tratou de assumir a primeira proposta de horror e entretenimento que despontou em sua mesa. É tão evidente essa intenção que os cartazes de Águas Mortais (Deep Water, 2026) ignoram tudo o que o diretor fez depois de Do Fundo do Mar (Deep Blue Sea, 1999) e ainda lembra o infernauta que ele comandou Duro de Matar 2 (Die Hard 2), lá em 1990. Injusto esse resgate a um cinema de trinta anos atrás, se Harlin tem até alguns bons trabalhos pós virada do milênio como Caçadores de Mentes (Mindhunters, 2004), Evidências de um Crime (Cleaner, 2007) e até O Mistério da Passagem da Morte (The Dyatlov Pass Incident, 2013), mesmo que não sejam produções tão populares. Mas, não tem como não concordar que os mascarados de seus últimos filmes devem realmente se estabelecer no limbo dos equívocos da Sétima Arte.

E o que mais poderia ajudar nesse esquecimento do que lançar mais um filme de tubarão, em águas repletas de clichês? Assim Harlin se afastou da parte criativa e deixou um batalhão de roteiristas com a função de construir um enredo que fosse divertido e inovador: Pete Bridges, Shayne Armstrong, S.P. Krause e Damien Power, com diálogos adicionais de John Kim, Dan Luo e Jianye Sun. E todos esses acharam que seria criativo um acidente aéreo justificar o ataque de tubarões, sendo que a premissa é a mesma de Desespero Profundo (No Way Up, 2024), de Claudio Fäh. Para incrementar o orçamento, mais de trinta produtores executivos, de três empresas, injetaram dinheiro para deixar os efeitos convincentes e destacaram no elenco nomes como Aaron Eckhart, Ben Kingsley (ambos estiveram em Suspeito Zero, 2004) e Angus Sampson (o Tucker da franquia Sobrenatural), afastando qualquer vestimenta trash. E o longa ainda conta com a produção de diversos nomes, incluindo Gene Simmons, um dos fundadores da banda KISS. Será que valeu a pena?

No enredo, 257 pessoas embarcam em um voo comercial com destino a Xangai, saindo de um terminal de Los Angeles (LAX), comandado pelos primeiro oficial Ben (Eckhart), que planeja se manter longe da família devido ao filho doente, e o piloto experiente Richard Peters (Kingsley), apoiados pelas comissárias Penny (Lucy Barrett) e Zoe (Nashi). Até o incidente que culminará com a queda do avião, o enredo já destaca os que irão sobreviver ao primeiro desafio como a pequena e espertinha Cora (Molly Belle Wright), que não aceita o novo relacionamento de seu pai, Declan (Ryan Bown), com Jaya (Kelly Gale), afastando-se também de seu meio-irmão Finn (Elijah Tamati); os esportistas chineses Lilly (Rosie Simei Zhao) e Sam (Wenhan Li), que se desentendem com o agressivo Hutch (Lakota Johnson) no terminal de embarque; a avó viúva Becky (Kate Fitzpatrick), que dá conselhos para Matt (Richard Crouchley), interessado em uma das comissárias; e o desagradável Dan (Sampson), que além de ocasionar o acidente aéreo, continua com atitudes egoístas quando o avião boia no oceano.

Assim como em Desespero Profundo, sobreviver à queda não significa muita coisa, quando você descobre que está ilhado por um cardume de tubarões digitais famintos. Com os sobreviventes separados pela fuselagem exposta, alguns terão que se aventurar na água, enquanto outros cairão ou serão jogados nela, criando sequências de tensão, enquanto tentam enviar um sinal de resgate. Como centenas de produções parecidas, esta também terá personagens se sacrificando ou aceitando seu destino, heroísmo exacerbado, redenção e até a vingança da natureza. Os roteiristas acrescentam algumas emoções e poucas surpresas, dando ao longa um aspecto de reciclagem do tema.

Distante de ser o longa que devolverá prestígio ao diretor, pode ser que os fãs de tubarões e de cinema-catástrofe até levemente se divirtam com a proposta. Pode servir ao streaming, caso você já não tenha mais opções e seja fã do vencedor do Oscar, Ben Kingsley, aqui, garantindo a aposentadoria.

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