2
(3)

Jogos Mortais 5
Original:Saw V
Ano:2008•País:EUA, Canadá
Direção:David Hackl
Roteiro:Patrick Melton, Marcus Dunstan
Produção:Mark Burg, Gregg Hoffman, Oren Koules
Elenco:Tobin Bell, Costas Mandylor, Scott Patterson, Betsy Russell, Julie Benz, Meagan Good, Mark Rolston, Carlo Rota, Greg Bryk, Laura Gordon, Joris Jarsky, Al Sapienza, Mike Realba

Eis que chegamos na época do Halloween e do Dia do Saci e a tradição nacional nesta época é procurar baladas temáticas, assistir a filmes de terror que nunca passam na televisão aberta em outras épocas e encontrar nos cinemas mais uma parte da série Jogos Mortais.

Fico admirado em plenos anos 2000 que uma franquia tenha sido tão rapidamente numerosa – lembrem que apesar de ser um feito relativamente comum nos anos 80, hoje uma produção de sucesso leva muito tempo para chegar e passar de uma trilogia -, então é invejável que o monstro de arrecadação da produtora Lionsgate tenha chegado ao quinto filme com saúde suficiente para, antes mesmo do lançamento, ter sua sexta parte confirmada (mais detalhes abaixo).

Portanto a esta altura, com a regularidade pontual da sequência sair um ano após o anterior ter vindo cheio de perguntas sem respostas, eu já não encaro mais a franquia como “filmes“, mas como “temporadas“.

Contudo falando agora da quinta temporada da série, não posso deixar de exprimir minha decepção com a película por dois motivos: Jogos Mortais 5 é previsível demais e deixou de ser um torture-porn para virar um thriller de investigação saturado de flashbacks, ou seja, sem Tobin Bell no comando a franquia começa a perder identidade.

Jogos Mortais 5 (2008) (4)

por Gabriel Paixão

[Atenção, agora trataremos de assuntos que incluem spoilers de Jogos Mortais 4. Portanto, não leia se não tiver assistido ainda] No final de Jogos Mortais 4 – escrito pelos mesmos roteiristas da parte 5, Patrick Melton e Marcus Dunstan, de Banquete no Inferno – descobrimos que o legado de Jigsaw ficou para o detetive Hoffman (Costas Mandylor) e que os eventos se sucedem praticamente ao mesmo tempo que em Jogos Mortais 3.

Então nada mais justo que nossos amigos roteiristas se explicassem na quinta parte onde Hoffman entra na trama. No entanto, a complexidade da trama se tornou tamanha – desnecessariamente, cabe dizer – que se o filme dirigido por David Hackl (responsável pelos desenhos de produção das partes 2, 3 e 4 e diretor da segunda unidade nas partes 3 e 4) tivesse um subtítulo ele seria “Jogos Mortais 5: A Saga de Hoffman“.

Vou explicar as implicações negativas desta nova abordagem mais a frente, mas primeiro vamos dar uma repassada na história. Lembrando que apesar de não revelar nada substancial, é difícil descrever o roteiro sem entregar alguma surpresa, portanto prossiga por sua conta e risco.

O filme começa com a já clássica “primeira vitima” em uma armadilha simples inspirada na tortura do pêndulo que desce aos poucos idealizado por Edgar Allan Poe e que talvez tenha sido usado na Idade Média. A diferença é que o suposto Jigsaw não pretende que o novo cativo saia vivo, porque morre mesmo cumprindo a dolorosa tarefa. É a primeira vitima do detetive Hoffman.

Em seguida, voltamos à cena final de Jogos Mortais 4 (e também de Jogos Mortais 3 por tabela) onde o agente Strahm (Scott Patterson) é aprisionado no mesmo local onde as últimas vitimas de John Kramer padeceram. Lá, Strahm é instigado a não prosseguir a investigação, sob pena de participar de mais um jogo. Teimoso como só, ele não dá ouvidos e prossegue.

O agente é capturado e cai na armadilha, novamente a intenção do antagonista é não permitir que Strahm saia vivo, porém contra todas as expectativas ele consegue se libertar e passará o resto do filme seguindo secretamente os passos de Hoffman – que com a captura de Kramer foi promovido a tenente – coletando evidências que culminem na sua vingança. Qualquer semelhança com o detetive David Tapp (interpretado por Danny Glover) no primeiro filme, talvez não seja mera coincidência.

Enquanto isso dois eventos paralelos se desenvolvem: a ex-esposa de John Kramer, Jill (Betsy Russell), recebe uma misteriosa caixa de herança da morte de Jigsaw; enquanto Hoffman prepara sua primeira grande armadilha como o “serial killer que não mata ninguém“. Nela, cinco pessoas com histórias que se conectam passam por uma série de câmaras que tal como provas eliminatórias, vão matando um do grupo a cada “partida“. E que vença (e sobreviva) o melhor.

O início do filme me agradou bastante, pois aparentemente seria uma volta ao básico com uma morte bem violenta, quase superando em grafismo o que vimos em Jogos Mortais 2 – o homem com a chave atrás do olho, lembram? Contudo conforme a película avança, a armadilha principal é colocada de lado para explicar tim-tim por tim-tim como Hoffman se envolveu com John Kramer colocando o personagem de Costas Mandylor no contexto dos QUATRO filmes anteriores.

Nem preciso dizer que isso toma um tempo gingantesco e enquanto isso mal vemos o destino das cinco vitimas em potencial colocadas no primeiro “super-jogo” promovido pelo novo Jigsaw. Isto significa que por mais violentas e inventivas que as armadilhas sejam, o tempo de exposição dos jogadores na tela não é suficiente para se criar algum sentimento de empatia com o espectador, notem que nem sequer precisei colocar os nomes dos personagens, porque não é necessário em absoluto. Fãs hardcore da franquia, vão encontrar pelo menos uma coisa boa nisso, mais uma vez temos um retorno as locações e situações das produções anteriores complementando alguns eventos, inclusive usando cenas e recriações fiéis.

Aí você deve estar se perguntando: se o sofrimento das pessoas más que precisam de uma lição foi colocado pra escanteio, as perguntas pendentes foram respondidas, certo? Errado! A única coisa que aprendemos é como Kramer fazia para selecionar seus jogadores. No mais, o conteúdo da carta escrito por Hoffman para Amanda (Shawnee Smith) em Jogos Mortais 3 ainda é mistério e a real intenção da fita encontrada no estômago de John Kramer no início de Jogos Mortais 4 é incognita. Não obstante o roteiro coloca mais uma dúvida: o que contém a caixa deixada por Jigsaw para sua esposa? Fica para a próxima temporada…

O elenco foi bem escolhido, todavia não consegue obter resultados tão satisfatórios como nos predecessores, não dá para avaliar muito o trabalho dos atores vitimas por causa dos motivos citados acima, Costas Mandylor não tem o mesmo carisma soturno e, principalmente, a motivação que Tobin Bell criou para o seu personagem e em Jogos Mortais 5 fica mais evidente do que em Saw 4. Scott Patterson também é um bom ator e mantém o nível da produção a maior parte do tempo, embora uma versão mais obcecada e desesperada no estilo que Donnie Wahlberg fez em Jogos Mortais 2 ou que Danny Glover fez em Jogos Mortais seria mais adequado.

 

Uma coisa que me deixava preocupado era se David Hackl seguiria a escola videoclípica vertiginosa de Darren Lynn Bousman, diretor das partes 2, 3 e 4. Para mim um alento, Hackl é muito mais contido. Usa com moderação o recurso dos cortes rápidos e nunca aplica a técnica da câmera giratória nauseante de Bousman. Pena que. à exceção da cena de abertura e a de encerramento, a violência tão característica foi reduzida categoricamente para valorizar as de investigação.

Depois de ralhar o filme deste jeito você pode achar que não devo recomendar a uma audição de Saw 5, certo? Não é bem assim, acontece que este filme é muito fora do padrão que Jogos Mortais estabeleceu para si mesmo, caindo para a medíocridade e tirando o foco do sofrimento das vítimas para mais uma vez exaltar – novamente a meu contragosto particular – o “serviço público” prestado por Jigsaw, seu legado e filosofia. Mesmo sendo menos empolgante e o mais fraco da série, ainda é bem assistível, só que definitivamente dá sinais de que a saga não está indo para o caminho certo.

Para resumir, Jogos Mortais 5 é a união da casa das armadilhas de Saw 2 com o detetive obcecado do original, com a diferença que a revelação final é previsível há dezenas de minutos – especialmente sabendo que o arco de histórias não se fecha por causa da continuação confirmada, cada passo dos protagonistas são cronometrados para o roteiro funcionar e como o roteiro olha mais para o passado do que para o futuro da franquia, o resumo final não tem aplicação alguma a não ser ensinar ao espectador que os seres humanos são previsíveis… Concordo absolutamente Sr. Jigsaw, os seus filmes também estão assim…

Apesar dos pesares, antes mesmo de Jogos Mortais 5 ganhar a luz do dia, sua continuação está precisamente acertada: Jogos Mortais 6 sai em outubro do ano que vem, com os mesmos roteiristas e diretor do anterior e com Tobin Bell voltando para mais uma sessão de flashbacks. E a certeza no sucesso é tão grande que o canal estadunidense VH1 está promovendo um reality show chamado “Scream Queens” para escolher quem será a protagonista da próxima “aventura” de Jigsaw. Ainda é um desafio arriscar qualquer palpite, contudo do jeito que a franquia vai caindo, nada mais justo do que aguardar com reservas a empolgação de outrora e com o sinal amarelo ligado..

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 2 / 5. Número de votos: 3

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

2 Comentários

  1. Os produtores, diretores e roteiristas dessa serie devem todas as noites (até hoje) chorarem de soluçar em suas camas por terem matado o personagem John Kramer. Essa merda só desceu ladeira abaixo para o esgoto depois da morte do Jigsaw.

  2. Depois do bom Jogos Mortais IV, veio este que considero ser o segundo filme mais fraco da franquia, perdendo apenas para o sétimo. Lembro-me de quando chegou o final deste quinto filme, de ter considerado o final em si bom, mas o filme num todo fez até a reviravolta ficar menos empolgante de tão modorrento que é este Jogos Mortais V. O filme segue muito previsível, e isso somente prejudica o ritmo, algo que nem as armadilhas ajudam a melhorar, com o show de horror sendo muito atenuado. Mas não é um filme ruim… só não é bom. hehehe.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *