![]() Black Sabbath: As Três Máscaras do Terror
Original:I tre volti della paura
Ano:1963•País:Itália Direção:Mario Bava Roteiro:Alberto Bevilacqua e Mario Bava Produção:Paolo Mercuri e Salvatore Billitteri Elenco:Boris Karloff, Glauco Onorato, Gustavo De Nardo, Harriet Medin, Jacqueline Pierreux, Lidia Alfonsi, Mark Damon, Massimo Righi, Michèle Mercier, Rika Dialina e Susy Andersen |
Sir Ozzy Osbourne e Tony Iommi nunca viram este filme. Mas numa bela tarde dos psicodélicos anos sessenta, um cartaz publicitário do terror italiano I Tre volti della paura, ou Black Sabbath, como seria chamado na Terra da Rainha, chamou a atenção dos rapazes. Neste cartaz, Boris Karloff cavalga alucinado, nas mãos uma cabeça decepada. “- Se eles ganham dinheiro fazendo filmes que assustam as pessoas, nós ganharemos fazendo músicas que assustam as pessoas!”. Bom, daí em diante a dupla mudou o nome de sua banda de Earth para Black Sabbath. Formava-se então uma das mais influentes bandas de rock de todos os tempos.
Black Sabbath: As Três Máscaras do Terror é uma coletânea de três curtas que se tornaram clássicos do cinema de horror. O primeiro, O Telefone (The Telephone), conta a história de uma bela mulher que recebe uma ligação lhe ameaçando de morte. No episódio seguinte, O Wordulak (The Wordulak), uma família tem o patriarca transformado numa criatura sedenta por sangue. No último episódio, chamado A Gota d’água (The Drop of Water), o fantasma de uma condessa retorna do além para cobrar um anel roubado durante o preparativo de seu funeral.
O filme ilustra como o cinema italiano revisitou o gênero horror, ao construir, na década de 50 e 60, as diretrizes de um novo universo, repleto de sofisticação visual, forjado em cores berrantes e ambientado em uma atmosfera barroca regada pelo sobrenatural e pelas forças ocultas. Mario Bava foi o primeiro grande expoente deste movimento. Mais do que isso, Bava foi o responsável pela concepção de uma variante do gênero que se chamaria Giallo. Para quem não sabe, “Amarelo” (Giallo, em italiano), é uma espécie de thriller que derivou dos livretos de suspense e mistério (em especial os escritos por Edgar Wallace), cujas capas eram amarelas (assim como o cinema Noir, preto em francês, vem dos livros policiais cujas capas eram negras). Alguns elementos se tornariam uma espécie de marca registrada nos Giallos de Bava e Dario Argento, como o assassino em série mascarado, sempre impiedoso, o qual na maioria das vezes vemos apenas os passos firmes e as luvas negras armadas com algum instrumento cortante.
Não há dúvidas que o episódio O Telefone seja um Giallo genuíno. O excesso de detalhes e os pequenos acontecimentos procuram incomodar o expectador, assim como sufocam a vítima, uma bela prostituta chamada Rosi. Um enredo simples, que se resume a uma noite em que a jovem recebe diversas ligações com ameaças de morte. Com medo de ficar sozinha, Rosi convida sua ex-amante Mary para dormir em casa. A trama, um pouco polêmica, culmina num terrível assassinato. Ciúmes, libido e morte. O expectador mais atento vai notar ainda uma influência direta deste conto na sequência inicial do amado e odiado horror teen de Wes Craven, Pânico. Adaptado por F. G. Snyder, inspirado levemente numa história de Guy de Maupassant, o episódio traz no elenco as belas Michèle Mercier como Rosy e Lidia Alfonsi como Mary. Para alegria dos espectadores masculinos, ousou ainda em apresentar cenas de nudez feminina em pleno início dos anos 60.
A brilhante união entre dois monstros consagrados do cinema de horror, Boris Karloff e Mario Bava, resultou no segundo curta, O Wordulak, o mais longo dos segmentos. É uma história de vampiros, onde Gorka (Karloff), um camponês russo é transformado em um Wordulak (um tipo de vampiro que suga apenas o sangue das pessoas que ama) e ameaça toda sua família. A fotografia repleta de cores vivas, as sombras e formas quase “expressionistas”, a direção de arte e os cenários, tudo perfeitamente entrelaçado numa verdadeira obra-prima de horror. Tudo isso ainda estrelado pelo veterano Karloff. Destaque para a sinistra seqüência em que o ”garotinho”, já transformado, grita desesperadamente pela mãe. Excelente adaptação do conto escrito pelo russo Aleksei Tolstoy (primo de Leon Tolstoy).
A trama do último episódio, escrito por Ivan Chekhov, bem que poderia ser o roteiro de um filme de terror Japonês. Apesar da simplicidade do enredo, onde um espírito se vinga de uma enfermeira que lhe roubou uma joia, A Gota d’água é o mais aterrorizante dos três segmentos. E o terror é resultado da soma de pequenos detalhes, como os estranhos ângulos da câmera, o som sufocante da “gota d’água”, a mosca, a iluminação deficiente e a trilha sonora perturbadora. Mais uma prova da maestria e do brilhantismo de Bava.
O título original italiano I Tre Volti de La Paura poderia ser traduzido como As Três Faces do Medo. São três contos, três faces, três máscaras do terror. Poderíamos entender que a primeira máscara, em O Telefone é a sexualidade, que acaba motivando a violência e o assassinato. A segunda, em O Wordulak, é a família corrompida por um membro contaminado. A terceira máscara, em A Gota d’água é a loucura, a perda da capacidade de distinguir o real do pesadelo.
Alguns trabalhos de Mario Bava estão disponíveis em DVD no Brasil. Dentro do gênero horror/fantástico, além de Black Sabbath – As Três Máscaras do Terror, foram lançados o ótimo A Máscara de Satã (1960, pela Works) e o psicodélico Hércules no Centro da Terra (1961, pela Classic Line). Felizmente, a versão de Black Sabbath: As três Máscaras do Terror, lançada há alguns anos pela Works é a original italiana. Os distribuidores americanos, na época em que o filme foi lançado nos EUA, inverteram a ordem dos contos, mudaram a trilha sonora, deceparam o filme conseguindo transformar uma fantástica obra-prima em um filme medíocre (parecem que são, cada vez mais, especialistas nisso, não acham?).





Incrível como TUDO é trash hoje em dia.
DAS ANTIGAS MESMO HEIN? MAS GOSTO DESSA TRASHEIRA.
Com tantos elogios que o filme recebeu vocês ainda qualificam o filme como trash?
trash não significa que seja ruim ,eu mesma sou muito fã de filmes trashs,pesquise bem essa palavra,e porque existem filmes e coisas com esse apelido,eu já sei,só falta vc tbm saber,beleza? 😉
Vanessa, presunção sua achar que os fãs de filmes de terror que acessam este site não saibam o significado do termo “trash”. Me amarro em muitos filmes trash, aqueles de baixo orçamento que usam de soluções criativas pra compensar a falta de grana, aqueles com histórias absurdas que não se levam a sério… Querendo ou não, o termo sempre decorre de uma deficiência da produção, assumida ou não. É que hoje em dia todo mundo usa esse termo pra definir todo e qualquer filme de terror, muitas vezes simplesmente porque o filme é antigo e tem uma ou outra cena datada. O segmento da Gota d’água tem uma construção visual sofisticada, única, fantástica, com uma atmosfera gótica que parece ter saído diretamente de um conto do Edgar Allan Poe. Estamos falando do Mario Bava, o cara era genial! Então classificar uma obra dessa como “trasheira” é só bobo e redutor.