4.3
(3)

Pacto Secreto
Original:Sorority Row
Ano:2009•País:EUA
Direção:Stewart Hendler
Roteiro:Josh Stolberg, Pete Goldfinger, Mark Rosman
Produção:Darrin Holender, Mike Karz
Elenco:Briana Evigan, Rumer Willis, Carrie Fisher, Teri Andrez, Adam Barrie, Robert Belushi, Margo Harshman, Jamie Chung, Leah PipesAudrina Patridge

Com o resgate atual dos slashers oitentistas através dessa onda sangrenta de remakes – em sua maioria, desnecessários – os fãs do gênero otimistas estão tendo a possibilidade de rever a obra original e ainda acompanhar uma nova visão daquela pérola de tempos áureos. Já aqueles que são contrários a essa febre acusam a falta de criatividade dos realizadores e defendem com garras de Wolverine o original mesmo que este seja irregular. Independente desse embate de opiniões, é sempre bom ver nos cinemas uma produção do gênero, seja ela original ou um remake no estilo diversão passageira e descartável.

Pacto Secreto entra para a lista das produções que chegaram aos cinemas e em vídeo nos últimos anos baseadas em filmes dos anos 80. Enquadram-se nessa categoria Sexta-Feira 13 (1980 refeito em 2009), Dia dos Namorados Macabro (1981 refeito em 2009), A Morte Convida para Dançar (1980 refeito em 2008), Dia da Mentira (A Noite das Brincadeiras Mortais, 1986 refeito em 2008). Levando em consideração os filmes dos anos 70 e os slashers que ainda estão em processo de realização, a lista torna-se imensa e incontrolável.

No caso de Pacto Secreto, o fã do original tem motivos de sobra para comemorar já que o antigo é pouco conhecido no Brasil; e se acontecer o efeito Black Christmas, pode-se esperar o lançamento do DVD para breve. No entanto, o remake é bem fraquinho, repete fórmulas desgastadas, e talvez sirva apenas de entretenimento para os fãs de produções no estilo e, é claro, os homens babões.

O original, The House on the Sorority Row, é um slasher bem feitinho, lançado em 1983, seguindo o estilo da época: assassino misterioso, mortes sangrentas, brincadeira mortal. Em busca de uma grana extra, o diretor do filme original, Mark Rosman, resolveu bancar uma nova versão, com um assassino mascarado (a la Ripper), uma trama com algumas leves diferenças e muitas meninas que parecem ter saído de uma propaganda de lava-rápido.

Dirigido por Stewart Hendler (who?), cuja carreira se deve a um único longa, Whisper (2007) – crianças maldosas mais uma vez -, e vários curtas, Pacto Secreto começa numa festa da fraternidade Theta Pi, com jovens bebendo, curtindo música alta e se despindo, enquanto comentam sobre bebidas, sexo com o pai da amiga e traições. A câmera viaja por todos os ambientes e personagens do filme, encontrando inclusive a Sra. Crenshaw (Carrie Princesa Leia Fisher) na cozinha, com aquele ar sinistro, tentando confundir o público.

O travelling termina num quarto onde um grupo de garotas faz o brinde da fraternidade e trocam elogios. São elas: Cassidy (Briana Evigan, de Fear Itself, S.Darko); a oriental Claire (Jamie Chung, de Dragonball Evolution); Ellie (Rumer Willis, filha de Bruce Willis e Demi Moore, e esteve em From Within); Chugs (Margo Harshman, From Within); e a ácida Jessica (Leah Pipes, da série Terminator: The Sarah Connor Chronicles). Num quarto ao lado, encontra-se a última das Spice Girls, Megan (Audrina Patridge, que só fez antes Into the Blue 2: The Reef), que está pregando uma peça em seu ex-namorado, Garrett (Matt O’Leary, aquele menino de A Mão do Diabo), que a traiu recentemente. A jovem finge estar tendo convulsões, para desespero do rapaz e alegria das meninas. No entanto, a brincadeira vai um pouco além: atestada como morta, decidem levá-la a um lugar deserto para dar fim no corpo. A piada termina quando a jovem é ferida mortalmente, obrigando o grupo a tomar uma decisão real: se entregar para a polícia ou esconder o corpo?

Quem já viu Prom Night ou até mesmo Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado já sabe o que vai acontecer. Prometendo não contar a ninguém o episódio fatal, elas escondem Megan num poço, junto com a arma do crime, uma chave-de-roda, e tentam continuar a vida escolar. Oito meses depois, alguém começa a eliminá-las, incluindo até mesmo namorados e amigos, numa ordem lugar-comum dos filmes de suspense, privilegiando as boas índoles.

Diferente de Dia dos Namorados Macabro e até Sexta-Feira 13 (ambos de 2009), Pacto Secreto não esconde sua veia Pânico de tentar assustar e esconder a identidade do assassino. Jovens bonitas e burras caem como moscas nas mãos de uma figura encapuzada que usa mesmo, pasmem, uma chave-de-roda toda estilizada para deferir seus golpes fatais. Só para constar no glossário de armas criativas: no original, uma bengala servia como arma, mas aqui temos um borracheiro assassino (!!!).

Curiosamente, todas as vítimas mulheres morrem pela boca, como se o assassino(a) quisesse mostrar o que todo mundo já sabe: elas falam em demasia e não sabem esconder segredos. Nenhuma grande surpresa nos assassinatos (a melhor é a da garrafa enfiada na goela), e nem a identidade do(a) responsável pelos atos não é assim tão difícil de descobrir – embora na sequência final, queiram confundir o espectador com falsas pistas. Nada que alguém que tenha assistido a um episódio do Scooby Doo não descubra na metade do longa.

Repleto de falhas e momentos de humor involuntários – como a cena em que Jessica e Cassidy encontram o corpo do amigo Mickey e reagem com naturalidade, É o Mickey. Reconheci pelo tênis feio. ou as tentativas de criar um clima fantasmagórico com a irmã da vítima aparecendo sempre de branco, Pacto Secreto pode decepcionar quem espera um filme sangrento e inovador. Para aqueles que curtem um suspense pipoca light, querendo apenas tentar descobrir quem está matando as meninas, o longa pode até ser divertido depois dos quarenta minutos, quando as mortes começarem pra valer, ou na sequência final, com a Princesa Leia assumindo o controle da casa.

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6 Comentários

  1. Não sabia que esse filme era remake,eu gostei dele

  2. Foi meu primeiro filme de terror/suspense no cinema, ele seria melhor sem algumas piadas, mas em geral eu gosto. E difícil encontrar um personagem memorável em um filme de terror, mas eu gostei tanto da Jessica que queria que ela tivesse tido outro destino.

  3. não assistì mas sei que não chega aos pés do original de 83 …

  4. odiei esse filme,senti minha mente ser estuprada ao assisti-lo.

    1. O velho mais do mesmo, a saber, sustos fáceis, personagens extremamente descartáveis e cenas risíveis como Milicci tão bem descreveu. Total perda de tempo.

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