![]() Chamas da Vingança
Original:Firestarter
Ano:1984•País:EUA Direção:Mark L. Lester Roteiro:Stanley Mann Produção:Frank Capra Jr. Elenco:David Keith, Drew Barrymore, Freddie Jones, Heather Locklear, Martin Sheen, George C. Scott |
Hoje reconhecido como o Mestre da Literatura de Horror, Stephen King foi descoberto pelo grande público há cerca de 30 anos. Nesta mesma época, meia dúzia de cineastas promissores investiram suas fichas iniciais em produções que levavam para o cinema as primeiras obras do autor. Brian De Palma apostou no pesadelo de uma garota paranormal que sofria nas mãos da mãe dominadora e com o bullying dos colegas de escola, em Carrie, A Estranha (1976); Stanley Kubrick e Jack Nicholson enfrentaram fantasmas do passado em um hotel mal assombrado em O Iluminado (1980); John Carpenter dirigiu um automóvel possuído em Christine, O Carro Assassino, (1983); David Cronenberg previu o futuro da humanidade em A Hora da Zona Morta (1983). Esta primeira onda de adaptações, de sucesso e qualidade inquestionáveis, colocaram King como um dos romancistas mais importantes do mundo.
Infelizmente, o êxito destas produções também permitiu que outros cineastas “não-tão-talentosos” oportunamente filmassem roteiros adaptados ou inspirados em qualquer texto que levasse a assinatura de Stephen King. É este o caso de Mark L. Lester (Os Donos do Amanhã, 1982), que em 1984, insistiu em levar para os cinemas o romance Firestarter (lançado no Brasil como A Incendiária).
Vamos tentar fugir das inevitáveis e intermináveis comparações entre livro e filme, ainda que neste caso o próprio livro já fosse considerado uma obra menor, mesmo entre os fãs de King – e como o esperado, a adaptação nas mãos de Lester (que rodaria no próximo ano o clássico do cinema de ação, Comando para Matar) consegue a proeza de ser ainda mais monótona que o livro.
Sem muitos rodeios: Chamas da Vingança é uma produção “QUASE” medíocre. A falta de ousadia e a preguiça do diretor ficam evidentes já nos primeiros minutos, como por exemplo, no trecho em que descobrimos como os pais de Charlene se conheceram. O casal se encontra pela primeira vez numa espécie de posto médico improvisado numa universidade. Em troca de alguns dólares, o casal e outros jovens aceitam que lhes sejam injetados uma nova droga psicotrópica, derivada do LSD, chamada lote 6. O experimento, bancado pelo governo norte-americano, dá errado e a situação foge do controle. No original, uma das cobaias chega arrancar os olhos com as mãos. No filme, tudo é mostrado em flashback, e o máximo que vemos são algumas pessoas gritando e tendo convulsões. Um episódio com um potencial enorme, infelizmente desperdiçado.
Tanto a fotografia como a edição são exageradamente convencionais. Na maioria das vezes temos a falsa impressão de estarmos assistindo um daqueles filmes “made for TV”, onde os recursos são, na maioria das vezes, muito limitados. Felizmente, nem tudo é equívoco em Chamas da Vingança. A escolha “quase” acertada de um elenco “quase” afinado acaba salvando o filme do desastre total. O elenco é encabeçado pela então estrela mirim Drew Barrymore, que vinha do mega-sucesso ET – O Extraterrestre, interpretando a estridente Charlene, uma menina com poderes pirocinéticos. Somam-se os ótimos Martin Sheen e George C. Scott (Exorcista III), como a dupla de vilões que sonham em usar os poderes da inocente garotinha para o mal. Aliás, Martin Sheen vive aqui um segundo vilão criado por Stephen King: em A Hora da Zona Morta, o ator interpreta Greg Stillson, um ex-vendedor de Bíblias que se torna um inescrupuloso político que pode acabar iniciando uma guerra nuclear. O ponto fraco do elenco fica por conta da interpretação pouco convincente do péssimo David Keith, como o pai de Charlene.
Positivamente, o roteiro adaptado por Stanley Mann não traz grandes alterações em relação ao original à obra de King. O enredo, apesar de não ser muito original (paranormais estavam in voga na época; relembrando: Carrie – A Estranha, Scanners – Sua Mente Pode Destruir ou A Fúria), não deixa de ser atraente. A trama gira em torno da fuga desesperada de um pai e de sua filha. Os dois não são exatamente pessoas comuns: enquanto o pai consegue ler mentes e influenciar as ações de outras pessoas, a filha tem o poder de criar incêndios de diferentes proporções. Uma organização ligada ao governo, chamada “The Shop”, está disposta a qualquer coisa para colocar as mãos nos poderes da pequena garota.
Outro ponto que poderíamos destacar como positivo são os caprichados efeitos especiais, principalmente na sequência do desfecho. Pelo menos para isso, o orçamento foi generoso. O filme não poupa nas explosões, incêndios, prédios e carros destruídos.
A trilha sonora, composta pelo grupo de rock progressivo alemão Tangerine Dream (Fortaleza Infernal e Quando Chega a Escuridão), segue a receitinha básica dos anos 80, com melodias que exageram nos sintetizadores e na bateria eletrônica. Infelizmente, hoje estas composições soam extremamente datadas e no filme parecem em desarmonia com as imagens exibidas.
Existe mais um detalhe que acaba incomodando aos mais exigentes: toda vez que Charlene vai usar seus poderes, uma espécie de corrente de ar arrepia seus cabelos e o seu rosto é mostrado em close. O mesmo artifício é usado com o pai, que cada vez que vai controlar a mente de alguém, pressiona a cabeça com os dedos, como se ligasse algum botão. Caracterização um tanto infantil e desnecessária, que só torna as situações ainda mais artificiais.
E pensar que tudo poderia ter sido diferente. Originalmente, o filme era para ser dirigido por ninguém menos que John Carpenter. De acordo com o cineasta, os executivos o afastaram do projeto após o fraco desempenho de Enigma do Outro Mundo nas bilheterias americanas. Vale lembrar que hoje o filme é considerado uma das melhores produções de horror/ficção dos anos 80.
Contudo, apesar de frustrados com o resultado em geral de Chamas da Vingança, os produtores não chegaram a sair no prejuízo. O filme rendeu aproximadamente 15 milhões de dólares apenas nos cinemas norte-americanos, igualando o valor total gasto na produção.
Em 2002 foi lançada uma continuação caça-níqueis produzida para a TV, chamada Vingança em Chamas (lançado em DVD no Brasil pela Universal), com Malcolm McDowell, Dennis Hoper e Marguerite Moreau no papel que foi de Drew Barrymore. Esta nova trama se desenrola dezoito anos após os acontecimentos do primeiro filme. Nela, Charlene vive sob custódia do agente Rainbird, um misterioso homem que recruta adolescentes com poderes especiais para transformá-los em armas.
No Brasil, Chamas da Vingança permanece inédito em DVD ou Blu-ray. Para os curiosos e aventureiros, duas opções: enfrentar o pó e o mofo dos sebos especializados atrás da versão em VHS lançada nos anos 80 pela extinta CIC vídeo ou importar a versão em DVD distribuída lá fora pela Universal.




Legal.
Colocações perfeitas sobre o filme, só uma observação o VHS não foi lançado pela CIC video e sim pela VTI video no brasil!
O filme não é ruim, mas realmente tem cara de produção típica para a T.V. e na minha opinião entra na categoria: filmes que gosto de ver, quando só resta a programação da t.v. aberta!
Esse filme acabou de sair em DVD no Brasil pela Flashstar, na série MGM Classics, juntamente com o ótimo A Metade Negra (outra adaptação do Romance de King dirigida pelo mestre George Romero).
A DREW TÁ MUITO FOFINHA NESSE FILME,MAS NEM ELA SALVA ESSE FILME TADINHA.