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Atividade Paranormal - Tóquio
Original:Paranômaru akutibiti: Dai-2-shô - Tokyo Night
Ano:2010•País:Japão
Direção:Toshikazu Nagae
Roteiro:Toshikazu Nagae
Produção:Yasutaka Hanada
Elenco:Aoi Nakamura, Noriko Aoyama, Kousuke Kujirai, Ayako Yoshitani

Fãs de franquias anuais, ficamos sem Jogos Mortais é verdade, mas agora temos Atividade Paranormal para satisfazer nossa sanha periódica por continuações. E este ano teremos nada menos do que dois filmes: Este spinoff, lançado milagrosamente nos cinemas nacionais em 25 de março de 2011 – antes da maior parte do mundo, ponto para a Playarte – e em meados de outubro Atividade Paranormal 3, a continuação oficial estadunidense.

Atividade Paranormal – Tóquio (Paranormal Activity 2: Tokio Night), dirigido e roteirizado por Toshikazu Nagae com Oren Peli (diretor do primeiro) de produtor, foi filmado em paralelo com Atividade Paranormal 2 e ao ser lançado exclusivamente nos cinemas japoneses em 20 de novembro de 2010 (antes até do ocidental no Japão) poderia ser mais uma peça de marketing do que qualquer outra coisa não fosse um fato curioso: é o avesso do que normalmente acontece no cinema de horror atualmente, pois é praticamente uma versão oriental de um filme ocidental sobre uma entidade maligna que assombra as pessoas… Uma inversão de papéis que poderia resgatar aquela zona de conforto cinematográfica onde os japoneses sempre foram melhores, como já provado em O Chamado, O Grito, entre outros.

Infelizmente não é bem isso que acontece… A versão Tóquio tem lá os seus sustos (e são bons sustos), mas a falta de carisma do elenco principal, alguns momentos beirando a comicidade e a falta de novidades com relação a fórmula depreciam o resultado final, que deve agradar (em menor escala) somente aos fãs fervorosos dos anteriores e a quem acabou de sair de uma capsula do tempo e está curioso em conhecer a franquia nos cinemas, onde o ambiente é mais propício para gritar e se assustar.

A premissa é também tão simples como os anteriores: novamente sem créditos de abertura ou de encerramento (também sem trilha sonora, como de praxe), acompanhamos a trajetória de Haruka Yamano (Noriko Aoyama), que é uma estudante japonesa que estava fazendo intercâmbio nos Estados Unidos (em San Diego, cidade onde se passam os filmes anteriores), contudo após um acidente quebra as duas pernas e pouco depois retorna a sua casa em Tóquio antes do esperado. Ela mora com o irmão Koichi (Aoi Nakamura) e com o pai, porém daquele tipo ausente que vive trabalhando e mal aparece no filme.

O irmão resolve registrar o retorno de Haruka em vídeo, que está imobilizada e só se move com a ajuda da cadeira de rodas. A previsão de cura é só daqui a seis meses o que é complicado, pois seu quarto fica no segundo andar de uma grande escadaria. Então começa a acontecer aqueles eventos estranhos que quem já assistiu aos filmes ocidentais está doido para ver novamente: Pequenos movimentos e barulhos que começam a ser filmados por Koichi durante a noite, até que a situação comece a ficar insustentável e o medo paire entre os irmãos.

É obvio que mais uma vez, saber menos é curtir mais, contudo as novidades são pequenas com relação a Atividade Paranormal de 2007 (uma delas é a adição de duas câmeras, uma no quarto de cada irmão) e por isso a comparação é inevitável: trata-se de um casal que passa apuros muito parecidos (alguns efetivamente iguais) com os de Katie e Micah… Neste quesito falta carisma ao casal japonês, pois o foco da história fica muito mais em Koichi – que tem uma motivação menos convincente do que a de Micah no original, passa muito tempo discutindo coisas menores e toma muitas decisões erradas no curso dos eventos. Ao passo que Haruka, que é a assombrada onde nossa atenção deveria ficar, não tem tanto espaço em tela assim e pouco sabemos o quanto está sofrendo e como está lidando com todos estes infortúnios.

Todavia o casal de irmãos de uma maneira geral não é muito bem entrosado e o medo vem muito mais da apreensão do que não conseguimos ver, do que tirado das interpretações dos protagonistas. O ritmo também é lento, lento até para o padrão que Atividade Paranormal estabeleceu, com muitas noites sem nada acontecer e tudo o que é revisto incessantemente nestes momentos é um punhadinho de sal desfeito no quarto da garota.

No que tange ao “universo” da franquia, a única ligação entre este e os anteriores é que é revelado o destino de Katie Featherson, não se trata de um spoiler, pois é um dos grandes chamarizes da Playarte em seu site oficial. Porém da própria entidade em si, nada é agregado ao que já sabíamos: A mordida, a possessão, o “ficar de pé vendo o outro dormir” continuam todos lá, intactos.

A história da família e as discussões que intercalam os eventos sinistros ocorrendo a noite é desinteressante, o pai dos dois não tem mais de duas falas, uma amiga sensitiva que convenientemente aparece a certo ponto da película some sem dar vestígios e se fosse mais explorada poderia colocar um sopro mais fresco no roteiro, até a falta dos dias sendo marcados através da contagem de tempo bem características dos anteriores fazem um pouco de falta aqui.

É de fato uma montanha russa que arrisca subir demais antes de descer de uma vez, e é aí que (tardiamente) onde o filme engrena no seu clímax e gera bons sustos e gritos repetitivos como deveria ser e pela classificação baixa da película (12 anos) vai atrair muitos adolescentes incautos para tomarem altos sustos também no final como as japonezinhas do trailer oficial. Os macacos velhos que também gostaram do original vão notar que parece até um pouco apressado e forçado, cenas idênticas ao original, mas sem a mesma qualidade de construção da atmosfera e o “quê” de novidade que o filme de 2009 tinha, mas vão se divertir também. Duas boas reviravoltas tentam deixar a versão oriental “menos igual” a ocidental, com efetividade moderada e uma cena em especial [SPOILER BRANDO NO RESTANTE DO PARÁGRAFO] onde o “demônio” faz Haruka andar pela casa mesmo com as duas pernas quebradas chegam a ser cômicas e destoam do tom que deveria ter a produção.

Sendo Tóquio um produto sob medida para o público japonês como o próprio trailer confirma, já que em outras partes do mundo está saindo direto em DVD, e uma repeteco do que já foi feito anteriormente em 2009, a recomendação também será repetida neste texto: se você já viu ambos Atividade Paranormal ocidentais pode tratar este como uma “versão alternativa” e até se divertir enquanto não chega a terceira parte; novos curiosos que foram barrados na classificação indicativa dos anteriores é uma boa maneira de começar; quem não gosta ainda vai continuar não gostando e ganhar umas pedras novas pra atirar na franquia… Mas com esta pontinha de incômoda decepção, fico imaginando se Hideo Nakata ou Takashi Shimizu (diretores de O Chamado e O Grito, respectivamente) estivessem envolvidos neste filme, o quão memorável a produção poderia ser…

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3 Comentários

  1. Pra mim esse é o melhor dos filmes Atividade Paranormal. Lembro te ter visto ele em um daqueles cinemas da região da Avenida Paulista, bem tarde da noite com uns amigos e poucas pessoas no cinema, menos ainda na rua quando saímos rsrs. Enquanto a versão americana me deu sono, esse foi muito aterrorizante. Spoiler: os últimos 12 minutos desse filme foram demais, e como só os asiáticos sabem fazer, sustos até o último segundo. E não susto “apenas” no último segundo.

  2. Ate que esse filme é legal se nao fosse o fato desse filme ser um spin-off nao oficial feita apenas pra ganhar dinheiro

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