![]() Invasão do Mundo - Batalha de Los Angeles
Original:Battle Los Angeles
Ano:2011•País:EUA Direção:Jonathan Liebesman Roteiro:Christopher Bertolini Produção:Ori Marmur, Neal H. Moritz Elenco:Aaron Eckhart, Ramon Rodriguez, Bridget Moynahan, Will Rothhaar, Cory Hardrict, Jim Parrack, Gino Anthony Pesi, Ne-Yo, James Hiroyuki Liao, Noel Fisher, Adetokumboh M'Cormack |
Segundo o cinema, a Terra já foi invadida das mais variadas e com os propósitos mais diversos quanto o possível: Por meios pacíficos, por acidente, como forma de alerta aos humanos, por pura vontade de colonização… Mal sabemos se efetivamente existe vida inteligente fora do nosso planeta (segundo a NASA isto é “bem provável“), contudo no que depender dos esforços da sétima arte, este tema sempre será recorrente e fascinante dependendo da ótica do diretor.
E a última incursão neste segmento, estreando em circuito nacional só uma semana depois de seu país de origem, em 18 de março de 2011, é um filme de título extenso: Invasão do Mundo – A Batalha de Los Angeles. (chega a ser irônico que este filme não tenha sido rodado em LA, mas no estado da Louisiana). Dirigido por Jonathan Liebesman (O Massacre da Serra Elétrica), custando módicos 70 milhões de dólares pela quantidade de efeitos especiais (nas mãos de Michael Bay custaria 3 vezes mais), poderíamos dizer que esta produção é um Independence Day para a nova geração: Roteiro raso, personagens forçados, explosões memoráveis e uma propaganda descarada das forças armadas estadunidenses que quase me fez querer entrar para os fuzileiros navais.
Sim amigos, este é mais um filme bairrista dos nossos amigos do Norte, portanto ao entrar no cinema acostume-se com a decoração vermelha, azul com estrelas brancas da bandeira dos Estados Unidos. E tudo começa num futuro próximo (11 de agosto de 2011) com a introdução dos personagens principais: são “marines” que têm suas próprias histórias de vida, sempre pautado pelo estereótipo, como manda o figurino: Tem o soldado que vai se casar em uma semana, aquele com a esposa grávida… tem o negro, o hispânico, o asiático, o estadunidense típico… Enfim, Só faltou o índio supersticioso… Todos eles são apresentados tão rápido, forçando tanto a barra para que nos importemos com suas histórias que mal da tempo de gravarmos direito seus nomes, mas neste momento lembremos apenas de um, o Sargento Michael Nantz (Aaron Eckhart, Batman – O Cavaleiro das Trevas), que foi obrigado a se aposentar por seus superiores por estar velho demais para prosseguir batalhando.
Antes que você consiga pronunciar “clichê“, a imprensa começa a transmitir flashes de meteoros caindo em várias partes do globo. A princípio nada de muito grave, contudo os técnicos da NASA descobrem que os ditos meteoros desaceleraram antes de cair no oceano, isto e sua forma geométrica peculiar os faz acreditar que se trata de naves alienígenas.
A confirmação vem rápido e é nítido que eles não estão aqui para brincadeiras; ja chegam as costas das mais variadas cidades do mundo (e um breve flash do Rio de Janeiro é mostrado) atirando e trucidando os curiosos. Mas como o filme se chama A Batalha de Los Angeles, nada mais é mostrado do resto do mundo, afinal os Estados Unidos são o único “mundo” que importa para Hollywood… Desde que Los Angeles esteja bem, todos ficaremos bem…
Então Nantz é chamado ao dever novamente, bem como todos os soldados disponíveis. Os marines logo são acionados para a guerra iminente, a missão principal deles é auxiliar na evacuação da área e entrar no coração da região de Santa Mônica já estilhaçada pelos alienígenas e resgatar quaisquer civis que lá encontrarem antes de um prazo pré-determinado, pois a força aérea irá bombardear o local com tudo o que tem, estejam eles dentro do perímetro ou não.
Não tarda muito e a apreensão toma conta do pelotão visto o cenário desolador da cidade, o conflito começa a ocorrer e a perspectiva não é nada boa para os humanos: Os aliens são rápidos, espertos, tem armas que causam queimaduras como ácido e utilizam táticas de guerra similares às dos humanos, o que também prova sua inteligência em combate. A inexperiência do Tenente William Martinez (Ramon Rodriguez, Transformers – A Vingança dos Derrotados) – o líder da equipe – coloca uma alta carga de pressão sobre suas decisões e algumas baixas depois, componentes da aeronáutica aparecem no cenário e se unem ao pelotão, entre elas a Sargento Elena Santos (Michele Rodriguez, Machete), que tem relevância moderada na trama e é somente citada nesta análise por ser outra atriz mais famosa do elenco.
Eles conseguem chegar a uma delegacia de polícia já detonada pelos alienígenas e encontram cinco civis: Uma veterinária chamada Michele (Bridget Moynahan, Eu, Robô e O Senhor das Armas), seus dois sobrinhos e um homem chamado Joe Rincon (Michael Peña) e seu filho.
Agora, além da corrida contra o tempo os soldados precisam tentar sobrepujar a supremacia alienígena, pois conforme o filme avança novos equipamentos e armas são utilizados contra os humanos, que sem saber exatamente como matá-los irão perecer se não pensarem numa forma de fugir para o abrigo seguro da base aérea. Nesse interim o objetivo da invasão é especulado, mas sabe-se com o tempo, deduzido pelos experts dos canais de notícia, que estão atrás de nossa água, fonte de energia de sua própria espécie e eles querem tirar de nós pela força bruta. Conseguiremos sobreviver a mais este ataque de outro planeta?
Invasão do Mundo é resumidamente um filme que puxa o saco dos militares até não poder mais e glorifica a guerra (afinal, que mal há em torturar alienígenas se eles não são da mesma espécie que a gente? Na guerra vale tudo, afinal de contas) e estende uma bandeira americana em cada frame, mas este não é o problema e a bem da verdade chega a ser esperado após os primeiros 15 minutos. Ou seja, o fato de o filme não ser rodado pelo ponto de vista dos humanos… Mas dos humanos estadunidenses… Dos humanos estadunidenses de Los Angeles… Não é exatamente algo que o torna desprezível.
Contudo a produção sofre do que poderia chamar de efeito “Call of Duty” (um pouquinho mais e poderia titular o filme de “Call of Duty: Alien Warefare”). Nos primeiros dois atos do filme é só a mesma coisa: Tiros, câmera balançando (demais até), ordens sendo dadas, gritaria desconexa, névoa, caos… Igual ao jogo… O fato de ser uma invasão alienígena só importa na dificuldade que é de se matar alguém e nas armas diferentes… Poderia ser uma retratação de qualquer guerra entre humanos em que o adversário tivesse um equipamento superior ao das forças aliadas.
E o filme se parece tanto com um videogame que é possível definir até as fases deste “game” com uma facilidade imensa. Não há sutileza na intercalação entre os atos, os personagens não mudam através da trama e a base continua a mesma: Los Angeles invadida por extraterrestres. só no terceiro ato que a característica “alien” dos antagonistas é levada mais a rigor, mas além de ser tarde demais para isso, revelam alguns buracos de roteiro tão absurdos (não serão citados aqui por motivo de spoilers) que é melhor levar na esportiva mesmo.
E fica bem melhor se levar na esportiva, pois no roteiro de Christopher Bertolini (que antes só havia escrito o roteiro de A Filha do General para o cinema) tudo é exagerado e pontuado pelos maiores clichês dos filmes de guerra: Personagem em morte certa pede que “diga para minha esposa que eu a amo“, martires, amigo revoltado pela morte de outro amigo, etc, etc… Escolha o seu, provavelmente estará em Invasão do Mundo. Aliás, notem que eu não disse que este é um filme de ficção científica em nenhum momento, mas um grandioso filme de guerra, dirigido e atuado de uma forma tão canastra que me lembra uma versão urbana-alien do filme fictício rodado dentro de Trovão Tropical, a diferença é que este é levado a sério… E põe a sério nisso…
Apesar de toda a ralhação não é uma película de todo ruim: tem efeitos especiais excelentes (especialmente nas naves e nos panoramas da cidade devastada), boas cenas de ação e se tirar toda a propaganda estadunidense e a pretensão pode até divertir, contudo não espere nada mais consistente do que isso. É a mesma coisa que a Asylum faz, mas com mais recursos (e aliás a produtora já tem seu mockbuster deste lançado, chamado Battle of Los Angeles). Outro esquecível mais do mesmo, portanto não pare para pensar nos exageros, nos buracos de roteiro, na canastrice do elenco, no sentimentalismo cafona jogado na cara do espectador sem um pingo de atmosfera para isso. Pense que pelo menos é mais divertido e menos maçante que Skyline – A Invasão lançado há alguns meses – cujos diretores foram processados pela Sony Pictures por supostamente terem plagiado os efeitos de Batalha de Los Angeles, já que também são os donos da mesma companhia responsável pelo CGI do filme – o que não é grandes coisas, mas serve de alento.






