
![]() Fase IV - Destruição
Original:Phase IV
Ano:1974•País:EUA Direção:Saul Bass Roteiro:Mayo Simon Produção:Paul B. Radin Elenco:Nigel Davenport, Michael Murphy, Lynne Frederick, Alan Gifford, Robert Henderson, Helen Horton, David Healy |
Fase IV – Destruição é uma bela e singular ficção científica norte americana produzida em 1974. Singular porque anula de maneira radical os clichês conhecidos do subgênero “animais em fúria”. A seriedade e a originalidade com que o roteiro aborda o embate humano versus animal se destaca, chegando a causar uma boa dose de estranhamento, mesmo no espectador mais experiente. Enquanto clássicos emblemáticos como O Mundo em Perigo (1954) ou Tarântula (1955) investiam em um enredo muito mais sensacionalista, no qual insetos tem o tamanho modificado e se transformam em monstros gigantescos, Fase IV aposta numa trama muito mais contida, porém bem mais intrigante: o ataque organizado de formigas cuja inteligência é alterada por um misterioso fenômeno cósmico.
Mayo Simon (de Futureworld, 1976) concebeu um roteiro extremamente silencioso, com poucos diálogos e muitas imagens – potencializadas pelas excepcionais direção de arte de John Barry (Laranja Mecânica, 1971 e Guerra nas Estrelas, 1977) e fotografia de Dick Bush (Comboio do Medo, 1977). Porém, é incontestável que o maior destaque em Fase IV é a direção certeira do renomado designer gráfico Saul Bass – para os navegantes desavisados, Saul Bass é nada menos que o responsável pela criação das famosas “animações em papel recortado” dos créditos iniciais de Um Corpo que Cai (1954) e Psicose (1960), de Hitchcock. Em seu currículo ainda estão as concepções visuais das logomarcas da AT&T, Quaker, United Airlines e Warner (sugestão: faça uma pesquisa rápida em imagens no google e descubra uma dezena de projetos gráficos que imortalizaram o nome do designer).
Fase IV é o único filme dirigido por Saul, que faleceu em 1996. Contudo, sua inexperiência por trás das câmeras foi compensada por um detalhamento artístico único, em que o estilo do designer acabou projetado em cada fragmento do filme. O resultado é uma produção que, apesar do ritmo cadenciado, esbanja bons momentos e se aproxima do que chamaríamos, exagerando um pouco, de perfeição técnica. Cada pequeno detalhe de Fase IV merece ser apreciado com a atenção redobrada: a fotografia marcada por cores quentes e saturadas (comum hoje em dia, mas estamos falando de uma produção de ficção científica de 1974), o cenário inóspito carregado de formas geométricas, os diálogos contidos, o roteiro simples que lentamente extrapola para um final quase metafisico, a trilha sonora pulsante composta pelo tecladista Brian Gascoigne (de A Floresta das Esmeraldas). Apesar de tudo, é importante esclarecer: Fase IV não é, nem de longe, uma produção destinada a qualquer público: os fãs de efeitos gratuitos, gritarias, ação desenfreada, rostinhos bonitos ou grandes explosões, devem manter uma boa distância do filme em questão.
O casting pequeno, mas competente, conta com o britânico Nigel Davenport (de A Ilha do Dr. Moreau, 1977) interpretando o obstinado biólogo Dr. Ernest D. Hubbs e com o americano Michael Murphy (de Shocker – 100.000 Volts de Terror, 1989) como James R. Lesko.
Um enredo simples, mas expressivo.
Numa atmosfera quase documental, uma narração em off sobre algumas imagens de telejornais americanos nos alerta sobre um fenômeno cósmico que misteriosamente envolve a Terra. A voz afirma que a estranha anomalia não seria nociva ou estaria afetando diretamente a vida no planeta. Porém, o que vemos nos revela um cenário um pouco diferente, no qual pelo menos uma forma de vida parece ter sua rotina alterada: as inofensivas e quase invisíveis formigas. Este prólogo surpreende e causa também certa inquietação, pois após a pequena explicação inicial, uma longa sequência com quase 10 minutos mostra o movimento organizado de formigas de raças diferentes dentro de um formigueiro – posteriormente entenderemos que estas espécies inimigas estão se organizando de forma racional. Este pequeno e “quase interminável” trecho já adianta que a produção, no mínimo, não seguirá os padrões a que nos acostumamos em uma ficção científica convencional.
A ação humana em Fase IV tem início efetivamente quando o cientista Dr. Hubbs chega até um trecho isolado do deserto americano chamado Paradise (nome sugestivo quando consideramos os eventos trágicos prestes a acontecer). A comunidade que antes era ocupada por verdes campos tornou-se misteriosamente árida e deserta, com enormes formigueiros por todos os lados. O cientista pretende pesquisar no local a mudança de comportamento das formigas, pois o inexplicável fenômeno que se repete ao redor do mundo parece se manifestar com maior intensidade na região. Ele suspeita que algo de muito relevante está ocorrendo em silêncio e que uma ação mais drástica deve ser tomada imediatamente. O cientista exige então que seus financiadores convoquem o renomado linguista James R. Lesko para ajudá-lo na missão de entender os insetos. Com a ajuda do governo, rapidamente é construído no local um moderno laboratório de estudo, hermeticamente lacrado para impedir a entrada de qualquer formiga.
Aos poucos o cientista comprova sua tese e identifica mudanças significativas no processo evolutivo e comportamental das formigas, que começam a agir de maneira coordenada e coletiva, como se estivessem na iminência de uma grande invasão. Dr. Hubbs, a principio, imagina estar preparado para combater os minúsculos, mas numerosos inimigos, seja com produtos químicos específicos ou explosivos. Porém, as formigas iniciam um ataque organizado ao laboratório, destruindo inicialmente os fios que alimentam o ar condicionado, tentando assim sufocar o cientista e seu assistente.
Enquanto isso, uma espécie rara e venenosa pica o Dr. Hubbs, que vê seu braço lentamente necrosar enquanto vai perdendo a sanidade, obcecado em destruir as formigas. Neste mesmo tempo, James tenta estabelecer um padrão que ajude na comunicação com os pequenos inimigos.
O horror cresce gradativamente, assim como os insetos vão demonstrando que agem de maneira cada vez mais inteligente e violenta, deixando claro que embora inofensivos quando sozinhos, coletivamente são praticamente invencíveis. Tudo caminha para um inevitável e quase incompreensível desfecho, que pessimista comprova que a inteligência do ser humano pode não ser párea para uma força superior, natural ou não.
Enfim, Fase IV – A Destruição (esqueça o subtítulo ridículo) se destaca como uma produção inteligente e acima da média, que lança mão do artifício de fornecer mais perguntas do que respostas, mas sempre de maneira honesta, sem parecer forçada ou mero engodo. Infelizmente, este pequeno e obscuro clássico continua inédito em DVD/Blu Ray no Brasil – e deve ficar neste estado por um bom tempo, pois o tema carece de apelo comercial e atrai apenas os escassos fãs do gênero. Para colecionadores vai um conselho: a versão gringa (embora pobre e com poucos extras) pode ser encontrada facilmente em sites americanos de compra que entregam no Brasil.





Segundo o próprio diretor o corte final destruiu sua visão original. Tudo indica que esta versão mais completa se perdeu, pois em 2012 só o final completo foi encontrado.
O final original foi finalmente lançado em DVD no Reino Unido. Quem quiser conferi-lo é só clicar neste link:
blob:https://www.youtube.com/4778061d-cf76-4137-bbb9-97394f8b0a05
Assisti ontem. Comprei a caixa clássicos do sci fi 3, da Versátil. Achei o filme instigante, diferente, sensacional.
Eu amo este filme! Assisti numa madrugada na TV, quando era pirralho e o filme me perturbou por semanas. Até hoje ele me causa uma sensação estranha quando assisto.
Cheguei a esse filme depois de descobrir que ele inspirou uma faixa musical da banda Clock DVA.
trash ao extremo esse filme.