4.8
(9)
A Fuga do Planeta dos Macacos (1971)
Inclusão social em debate!
A Fuga do Planeta dos Macacos
Original:Escape from the Planet of the Apes
Ano:1971•País:EUA
Direção:Don Taylor
Roteiro:Paul Dehn
Produção:Arthur P. Jacobs
Elenco:Albert Salmi, Army Archerd, Bill Bonds, Bradford Dillman, Donald Elson, Eric Braeden, Gene Whittington, Harry Lauter, James Bacon, Jason Evers, John Randolph, Kim Hunter, M. Emmet Walsh, Natalie Trundy, Norman Burton, Peter Forster, Ricardo Montalban, Roddy McDowall, Roy Glenn, Sal Mineo, Tom Lowell, William Windom, William Woodson

Quando tudo indicava o fim da saga dos macacos inteligentes – principalmente depois da cena final do segundo filme, De Volta ao Planeta dos Macacos, em que a Bomba Atômica foi acionada e a narração informou que a Terra fora destruída – eis que no ano seguinte eles surgem mais uma vez para questionar a natureza humana. Com direção de Don Taylor (Damien: A Profecia II) e roteiro de Paul Dehn (A Megera Domada), A Fuga do Planeta dos Macacos tem o retorno do astro Roddy McDowall, novamente como Cornelius, e Kim Hunter interpretando mais uma vez a dócil Zira. Natalie Trundy também retorna à série para interpretar uma outra humana, a Dr. Stephanie Branton – numa participação mais do que bem-vinda pelo talento e beleza da atriz.

Na trama, uma nave chega aos EUA na década de 70 e é bem recebida pelos militares e políticos, acreditando se tratar do retorno do astronauta Taylor (interpretado por Charlton Heston) de sua missão espacial. Para surpresa geral, os tripulantes são três macacos – Cornelius, Zira e Milo (Sal Mineo) – que fugiram do Planeta Terra do futuro antes de sua destruição. Bom, é preciso levar em consideração o imenso furo no roteiro desta produção, pois nos dois primeiros filmes os macacos não aceitam qualquer possibilidade de viagem espacial e não possuem a tecnologia adequada para restaurar uma espaçonave imersa num lago. E também não houve tempo hábil para o Dr.Milo (o macaco responsável pela viagem) fazer o conserto, sendo que as ações do segundo filme são imediatas em relação ao original. No entanto, se é fácil aceitar que os macacos são seres inteligentes e falantes, qualquer situação apresentada não pode ser questionada.

Assim que chegam à terra, os macacos evitam falar pois temem que possam sofrer o mesmo que os humanos falantes sofriam (ou sofrerão) em sua época, participando de experiências científicas. No entanto, durante uma bateria de exames, Milo é morto por um gorila – a pedido do ator que não suportava a maquiagem – e Zira acaba revelando sua capacidade de falar para o Dr. Lewis Dixon (Bradford Dillman) e sua assistente Dr. Stephanie Branton (Trundy) para depois se manifestarem durante um Conselho – algo que acontecia na mesma proporção entre os apes, numa bela ideia do roteiro. Para surpresa dos macacos, eles são bem recebidos pela população e pelos políticos, experimentando roupas e se acomodando em bons hotéis, dando palestras e entrevistas, usando roupas de humanos e tornando-se a grande sensação da América.

Porém, ao falarem demais, acabam confessando que o Planeta Terra será destruído no futuro, depois de ser dominado pelos macacos. Tal fato incomoda o Dr. Otto Hasslein (Eric Braeden, de Titanic) e alguns políticos que passam a questionar se os recém-chegados não seriam uma ameaça ao Planeta, mesmo se levar em consideração que isso só aconteceria 2000 anos depois. Termina assim o namoro com a América, principalmente quando Zira confessa estar grávida. Da mesma forma como Cornélius e Zira ajudaram Taylor, o Dr.Lewis e a Dra. Stephanie os ajudam em sua fuga, contando com a boa vontade de Armando (Ricardo Montalban, de Corra Que a Polícia Vem Aí!), o dono de um circo da região.

A Fuga do Planeta dos Macacos (1971) (2)

Este foi o único filme da franquia que foi feito já pensando numa continuação, mesmo se não houvesse um bom retorno financeiro. E também pode ser considerado o longa mais fraquinho da série, pois deixa de lado as cenas de ação para debates sobre a intolerância e, principalmente, a inclusão. Também não permite muitas surpresas, mesmo quando Zira resolve visitar um macaco numa jaula com o seu filhote nas últimas cenas, deixando evidente que algo seria feito

Mais uma vez o destaque fica por conta da excelente interpretação de Roddy McDowall, com seus movimentos e respiração que lembram mesmo o de um chimpanzé – algo que só se veria novamente com Tim Roth no remake de 2001. Assim como deve ser enaltecida a crítica à intolerância em relação ao diferente, um debate bastante atual, é passível de ser notado a exposição dos problemas que acontecem na nossa sociedade. Ainda que seja inferior ao restante da série, A Fuga do Planeta dos Macacos deve ser lembrado por representar uma produção importante para a saga dos macacos inteligentes.

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