2.3
(3)
Erotic Nights of the Living Dead (1980)
Zombies gone Wild!
Erotic Nights of the Living Dead
Original:Le notti erotiche dei morti viventi / Sexy Nights of the Living Dead / Queen of the Zombies
Ano:1980•País:Itália
Direção:Joe D'Amato
Roteiro:George Eastman
Produção:
Elenco:Dirce Funari, George Eastman, Laura Gemser, Mark Shannon

por Matheus Ferraz

Antes de mais nada, vou responder a uma pergunta que pode surgir na sua cabeça ao ler o título deste filme: não, ele não contém nenhuma cena onde um zumbi faz sexo com uma pessoa viva. Meio decepcionante, eu sei. Afinal de contas, este é um filme de Joe D’Amato, o cara que já nos fez ver um feto sendo arrancado de uma mulher grávida e devorado por um canibal, um monstro com um pênis maior que a minha perna esquerda estuprando mulheres até a morte e chegou até a alegar que um de seus filmes tinha cenas de morte reais. É estranho pensar que necrofilia seja um pouco demais para ele, ainda mais considerando que apenas um ano antes ele tinha feito uma verdadeira ode a este ato mórbido com o seu Buio Omega.

Outro detalhe curioso é a duração do filme: 111 minutos contados no relógio. Pare para pensar nisso um instante. Dia dos Mortos de Romero, que passava uma mensagem anti-belicista sobre a estupidez da instituição militar: 102 minutos. Terror nas Trevas de Lucio Fulci, que além de zumbis trazia profecias sobre o fim do mundo, ataque de animais e manifestações diabólicas: 87 minutos. Erotic Nights of the Living Dead, um pornô que conta simplesmente a história de três pessoas presas numa ilha sofrendo ataque de mortos-vivos: “ei, nós precisamos de quase duas horas para contar essa história direito!

E pode ter certeza que o filme não tem a menor pressa. Seria interessante mostrá-lo àquelas pessoas que reclamam que O Albergue e Wolf Creek demoram muito tempo apresentando os personagens antes de partir para o horror propriamente dito. Pelo menos nestes dois filmes este tempo é bem empregado. Erotic Nights of The Living Dead é um filme de zumbis em que o ataque dos zumbis propriamente dito ocorre depois de (e isso não é brincadeira) uma hora e vinte sete minutos de filme! Eles até aparecem em umas duas ou três cenas antes disso, e mordem alguns figurantes, mas para chegar no momento em que os mortos, de fato, saem de suas tumbas em massa para atacar os vivos, você teve que aguentar muito, muito, muito tempo de desenvolvimento dos nossos “heróis“.

E aí é que está o problema. Dos três protagonistas, apenas o marinheiro Larry (George Eastman, o Antropophagus em pessoa, que também assina o roteiro) chega a ser simpático, e não por ser bem escrito, mas por ser interpretado por um ator muito carismático. Os outros dois são Fiona (Dirce Funari) e John (Mark Shannon), um cara arrogante e sem escrúpulos daqueles que acham que podem mandar e desmandar no mundo todo porque são cheios da grana. Como nós somos forçados a passar tanto tempo com estes três, o filme acaba não provocando interesse algum na maior parte do tempo, e ao final, quando finalmente se transforma num bom filme de horror, o público já está entediado demais para se importar.

Assim como em tantos filmes de tribos canibais, Erotic Nights of the Living Dead não inventa nada de muito mirabolante para colocar os protagonistas em uma ilha isolada, onde terão de enfrentar o perigo. Ao menos em teoria. Basicamente, o personagem de Shannon é um arquiteto que acabou de comprar uma ilhota onde quer construir um centro turístico. Ele freta um barco com Larry para fazer reconhecimento do local, e lá vão eles. Se fosse tudo simples assim, tanto melhor. Só que antes que os personagens se lancem ao mar, o roteiro desperdiça todo o primeiro ato com cenas de sexo explícito. Primeiro John contrata duas prostitutas, que literalmente saem correndo do quarto quando ele as convida a visitar a tal ilha, que todos consideram assombrada (e tente segurar o riso quando o mané corre atrás delas gritando “Seu dinheiro! Seu dinheiro! Voltem aqui, suas putas idiotas, vocês esqueceram seu dinheiro!”). Depois, ele conhece Fiona, com a qual protagonizará diversas cenas hardcore ao longo do filme. Depois de passarem a noite juntos, ele a convida para visitar a ilha junto a ele e Larry.

Enfim, o trio de protagonistas finalmente parte em direção à ilha, só que coisas estranhas começam a acontecer. Tanto John como Larry sentem presenças estranhas lhes observando, e, chegando à ilha, eles se deparam com um estranho velho nativo e sua filha chamada Luna (a deusa Laura Gemser, célebre por seus papéis na série Black Emmanuele), que lhes ordena de abandonar o lugar. Depois de tirar algumas fotos o grupo decide ir embora, mas o barco não funciona.

Erotic Nights of the Living Dead (1980) (2)

À noite, Larry acorda no barco e escuta o chamado de Luna. Ele vai até a ilha onde a encontra nua na praia, e os dois fazem amor em meio as ondas, observados por uma legião de mortos-vivos impassíveis (uma cena belíssima). Leva mais uns dez minutos de diálogos inúteis até que finalmente um dos personagens, no caso John, se veja encurralado pelos monstros que querem devorar a sua carne. Quando os bichos se levantam, o bicho pega: a maquiagem é ótima (com exceção do zumbi que aparece sem camiseta com o torso intacto), e os mortos-vivos são realmente ameaçadores. Eles aqui são habitantes de uma vila de pescadores dizimada por uma epidemia e ressuscitados por Luna, que aparentemente é uma feiticeira serva de um misterioso deus gato. Além do tradicional tiro no cérebro, os zumbis só podem ser detidos por um estranho totem que o pai da feiticeira presenteia a Larry.

O clímax do filme, com Larry e Fiona enfrentando os zumbis, é excelente, e não faz feio em comparação a filmes como o Zombie de Fulci. Aliás, é triste constatar como a coisa toda poderia ter sido muito melhor, talvez até um semiclássico, se D’Amato tivesse deixado de lado todo o elemento de sexo explícito e cortado uns dez minutos de diálogo, fazendo de Erotic Nights of the Living Dead um filme bem mais enxuto e focado.

Mas D’Amato tinha outras coisas em mente na época. Naquele mesmo ano, ele fez outros seis filmes (inclusive sua obra-prima Antropophagus), e ainda no ano seguinte faria outros sete, dos quais vale destacar o grotesco Porno Holocaust, que reutilizou praticamente todo o elenco de Erotic Nights… (exceto Laura Gemser), mais uma vez interpretando um bando de tarados que vai parar numa ilha deserta (que por sinal foi filmada na mesma locação de Erotic Nights…), desta vez para serem atacados por um monstro com um órgão sexual gigante. Uma história um pouco mais “exótica“, mas que gerou um filme igualmente enfadonho.

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3 Comentários

  1. O picareta do damato, que com certeza era um débil mental com tendências psicoticas, masoquistas com altas doses de lisérgicos e afins, conseguiu a façanha de enganar produtores para financiar suas merdas doentias. E, o pior, ainda tinha gente que assistia a estas porcarias. Eu tentei assistir alguma de suas porcarias e não consegui assistir nenhuma de forma integral: ou parava com menos de 20 minutos ou ia adiantando o filme na velocidade máxima. Mas uma coisa é certa: quem assistiu aos seus filmes perdeu grande parte de sua massa encefálica ou piorou ainda mais o seu quadro doentio. Junto com fulci, mattei e deodatos da vida, esta turma fudeu com a mente de uma geração de cinéfilos adoradores das merdas trash italianas. Eca!!!

  2. Joe D’Amato foi um tremendo picareta. Das duas centenas de filmes que fez, boa parte é pornografia feita sem inspiração,.só pra ganhar dinheiro. E os demais carecem de roteiros com um mínimo de conteúdo [vide lixos como “L’Alcova” (1984) ou “Il Labirinto dei Sensi” (1993)]. Esse Erotic Nights… jogou fora uma ótima premissa. Além das estúpidas cenas de sexo, ainda tem umas cenas “gore” patéticas, como aquela na qual a personagem de Laura Gemser castra com a boca a personagem de Mark Shanon! No entanto, esse filme consegue ser bem mais assistível que o ultra hediondo “Porno Holocaust” (1980). Enfim, se juntarmos toda a obra de D’Amato e a de sua versão espanhola, Jess Franco, teremos umas 400 tralhas cinematográficas!

  3. Se eu for assistir esse filme, terei que passar o inicio todo e para logo na parte que os zumbie aparece de vdd.

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