![]() Menina Má.Com
Original:Hard Candy
Ano:2005•País:EUA Direção:David Slade Roteiro:Brian Nelson Produção:David Higgins, Jody Allen, Michael Cadwell, Paul G. Allen, Richard Hutton Elenco:Elliot Page, G.J. Echternkamp, Odessa Rae, Patrick Wilson, Sandra Oh |
por Filipe Falcão
É bom, mas poderia ser bem melhor. Esse vai ser provavelmente o principal comentário que a maioria das pessoas farão após assistirem Menina Má.com (Hard Candy, 2005). A trama, dirigida por David Slade, tinha tudo para ser um excelente filme, mas, infelizmente, resultou em uma trama morna, que apesar da boa ideia, perdeu-se no meio do caminho.
O filme acompanha o encontro da adolescente de 14 anos Hayley (Ellen Page) com o fotógrafo adulto Jeff (Patrick Wilson). Ambos se conheceram em um site de bate-papo na internet e, movidos por diálogos de duplo sentido, resolveram marcar um encontro. Uma vez na casa do fotógrafo, a garota coloca uma substância na bebida e o homem acaba perdendo os sentidos. Ao acordar, Jeff está amarrado em uma cadeira e percebe que Hayley está vasculhando a casa dele em busca de algo que o ligue ao caso do desaparecimento de uma adolescente. Enquanto não encontra a tal prova, a menina está decidida a usar os meios que forem necessários para conseguir a informação que deseja.
O primeiro ponto de interesse que o filme causa é justamente trabalhar com a ideia das consequências que encontros marcados pela internet com desconhecidos podem provocar. Outro quesito bastante interessante é a questão de mostrar uma trama onde a personagem violenta e ameaçadora é uma adolescente, que busca punir alguém que ela acredite ser pedófilo. Dessa forma, o filme subverte a relação do homem forte que pode machucar uma adolescente indefesa.
A trama começa de forma bastante interessante ao mostrar o diálogo online antes da conversa ao vivo dos protagonistas. Logo em seguida, já acompanhamos o encontro da dupla, marcado para acontecer em uma lanchonete e é nesse momento que somos parcialmente apresentados aos personagens. Hayley se mostra como uma jovem inteligente, mas ao mesmo tempo tímida e que tenta agir como adulta. O oposto de Jeff, um profissional bem estabelecido e seguro de sua condição dominante.
Esse primeiro encontro real dos dois é marcado por conversas sem muita profundidade, típicas de quem não sabe ao certo o que falar e começa a puxar diferentes assuntos para que o encontro não esfrie. A coisa começa a ficar mais séria quando ambos vão para a casa do fotógrafo e o papo, antes sugestivo, começa a ser mais direto e voltado para o real motivo daquele encontro. Até esse momento, a trama se mostra bem construída e capaz de deixar um sutil clima de que algo vai acontecer, embora não fique claro o que seja. Ponto positivo para o filme.
Infelizmente, depois dessa ótima introdução, o filme perde as rédeas do que poderia ser uma ótima produção e passa a trabalhar uma história apenas regular abordando o tema da busca pessoal por justiça. Importante reforçar que a película não é ruim, mas sim mediana, o que é uma pena pela proposta que ela mostrou ter no começo. A ideia que passa é que Menina Má.com fica na vontade de impressionar ou chocar, mas acaba gerando, na sua maioria, apenas situações fracas.
O que é visto na tela é um jogo de poder entre algoz e vítima, mas sem a profundidade que o tema vem a oferecer. Quem já assistiu produções como A Morte e a Donzela (Death and the Maiden, 1994), que aborda questão semelhante, sabe o impacto que um enredo desses, quando bem conduzido, pode provocar. É verdade que Menina Má.com possui alguns momentos bem interessantes, um em especial que vai fazer o público masculino se contorcer durante a projeção. Inclusive a conclusão desta sequência é extremamente bem pensada. Mas tirando esse, além de outros poucos exemplos, o filme se arrasta entre diálogos e momentos que causam pouco interesse.
A direção de David Slade, vindo do mundo dos vídeo-clipes (responsável pelo vídeo Sour Girl, da banda Stone Temple Pilots), também não ajuda muito ao realizar um trabalho convencional e que apela para utilização de imagens distorcidas e aceleradas. Com exceção do momento em que Jeff fica drogado, tais efeitos soam deslocados e poderiam ter ficado de fora da trama. A impressão que fica é que Slade tentou criar um clima semelhante a Jogos Mortais (Saw, 2004), que utiliza, de forma eficiente, esse tipo de imagem acelerada.
Com relação ao elenco, Patrick Wilson (O Fantasma da Ópera, 2004), está bem como o sujeito que se vê preso e ameaçado por essa estranha garota. O mesmo não pode ser dito para a jovem Ellen Page (X-Men: O Confronto Final, 2006), que mais parece uma adolescente em crise de TPM. Mas verdade seja dita, pois a forma como a personagem foi criada não ajudou muito. Parece que o roteirista Brian Nelson pensou que bastava desenvolver uma garota histérica e com olhar de psicopata para tornar o filme interessante. Ele parece desconhecer que, muitas vezes, é o silêncio e um olhar discreto que formam os grandes personagens. Alguém se lembra do jovem Todd (Brad Renfro), de O Aprendiz (Apt Pupil, 1998)? Ele chegava a dar medo e provocar, simultaneamente, sentimentos como pena e raiva.
Além de todas as críticas, Menina Má.com ainda sofreu com o péssimo título que ganhou no Brasil. A gíria Hard Candy significa algo como docinho, para meninas, e é muito utilizado na internet por garotas menores de idade. Além de estranho, o título em português entrega um pouco o que vai acontecer na trama. Como divertimento, Menina Má.com é um bom representante do gênero, mas se você estiver em busca de um filme forte, visceral e que lhe cause uma boa impressão, melhor procurar, até através da internet, por outras opções.






Não gostei do filme. Franco de enredo.
BESTEIRA!!! o filme é bom sim! nego quer muito ser colunista sem saber do carteado!!!
concordo com tudo,filminho estranho que poderia ser beeeeeeem melhor,e não entendo por que foi tão elogiado,tem coisa melhor.
Não sou de opinar muito, achei o filme bem fraquinho também, senti que faltou um pouco de terror, sei lá, uma tortura aqui outra lá talvez. Mas em resumo é um bom filme pra passar o tempo.