Hellraiser 6: Caçador do Inferno (2002)

Hellraiser 6 (2002)

Hellraiser 6: Caçador do Inferno
Original:Hellraiser: Hellseeker
Ano:2002•País:Canadá, EUA
Direção:Rick Bota
Roteiro:Carl V. Dupré, Tim Day
Produção:Michael Leahy, Ron Schmidt
Elenco:Dean Winters, Ashley Laurence, Doug Bradley, Rachel Hayward, Sarah-Jane Redmond, Jody Thompson, Kaaren de Zilva, Michael Rogers, Trevor White, Kyle Cassie

O cinema de terror talvez seja o gênero cinematográfico que mais trabalhe com a utilização dos mesmos personagens em sequências. Sobreviver em um filme de horror é quase como garantir a presença na “parte 2”. Muitas vezes, tal retorno não acontece na continuação direta, mas sim em um terceiro ou quarto filme. Quando estamos diante de uma série querida pelo grande público, trazer tais personagens de volta pode ser visto como uma homenagem ao próprio enredo original. Quem não se lembra do retorno de Jamie Lee Curtis em Halloween H-20? Grande parte das pessoas foi assistir a este filme com o objetivo de rever a atriz dando vida novamente a Laurie Strode.

No entanto, trazer um ator de volta para uma série que não anda bem das pernas também pode significar uma coisa: desespero por parte dos produtores em faturar em cima do que já não está mais dando lucro.

Kirsty Cotton era apenas uma jovem com seus 20 anos, quando conheceu o inferno. Seu pai foi assassinado pelo próprio irmão, que libertou demônios ao abrir uma misteriosa caixa em formato de quebra cabeça.

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Com a família destruída, ela sobreviveu apenas para descobrir que o hospital psiquiátrico, ao qual fora enviada, era administrado por um pesquisador da misteriosa caixa. Mais uma vez, Kirsty terminou a trama viva para ser apenas uma lembrança na memória dos fãs. Esses são os enredos de Hellraiser – Renascido do Inferno (Hellraiser, 1987) e Hellraiser 2 (Hellbound: Hellraiser 2, 1988), dois grandes filmes do gênero da década de 1980 e que, até hoje, são referências.

A intérprete que deu a força para Kirsty é a atriz norte-americana Ashley Laurence. Nascida em 28 de maio de 1966, ela fez sua estreia no cinema em Hellraiser, sendo nesta produção, seu maior sucesso. Ela ainda participou de outras obras do gênero como Mikey (1992), Warlock III (Warlock III: The End of Innocence, 1999), além de seriados como Plantão Médico e Barrados no Baile. Ashey ainda faria uma aparição especial em Hellraiser 3 – Inferno na Terra (Hellraiser 3 – Hell on Earth, 1992), dando adeus a sua personagem Kirsty. Mas o hiato duraria pouco.

Depois da saída de Ashley, a série Hellraiser não foi mais a mesma. Os filmes 3 e 4 deixaram a desejar no quesito roteiro e o 5, apesar de ter uma história bem consistente, não agradou a maioria dos fãs. A produtora Miramax Films sabia que algo precisava ser feito para melhorar a imagem da franquia e uma das saídas encontradas, quando um novo filme começou a ser pensado, foi olhar para o passado e trazer Kirsty de volta. A notícia agradou a maioria dos fãs. Já o resultado…

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BOA INTENÇÃO

Assistir Hellraiser – Caçador do Inferno (Hellraiser – Hellseeker) é uma experiência curiosa. O sexto filme da série iniciada em 1987 tinha tudo para ser uma boa produção do gênero, com uma história diferente do usual, um elenco que não chega a atrapalhar e até um final surpresa. Infelizmente, quando os créditos anunciam que o filme acabou, a impressão que fica é que mais uma boa ideia foi desperdiçada.

Na trama de Hellseeker, conhecemos Trevor (Dean Winter) que é casado com Kirsty. Logo no começo do filme, o casal, que está no interior de um carro, acaba sofrendo um acidente e, aparentemente, apenas Trevor consegue sobreviver. Ele acorda em um hospital e percebe que Kirsty não foi localizada após a tragédia.

Podemos dizer que é a partir de então que o filme começa. Trevor começa a ter estranhas visões ao mesmo tempo em que pessoas próximas a ele começam a desaparecer misteriosamente. A polícia, que investiga o desaparecimento de Kirsty, começa a acreditar que Trevor possui alguma ligação com as pessoas que sumiram e tudo parece estar relacionado a uma estranha caixa enigmática que ele pediu para a esposa abrir antes da tragédia.

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CINCO MINUTOS

Mesmo com esta trama aparentemente interessante, o filme não decola e isso acontece por diversos motivos. Mas talvez os inúmeros problemas na estruturação do roteiro tenham sido os principais responsáveis por tais resultados. A impressão que fica é de que o roteirista Carl V. Dupré decidiu clonar a ideia da “trama psicológica” do filme anterior. No entanto, o resultado saiu mais para confuso do que interessante. A verdade é que parte do enredo se passa entre as lembranças, alucinações e sonhos de Trevor, o que complicaram ainda mais o que deveria ser o fio condutor da trama. Os cenobitas também estão meio sem função e Pinhead (Doug Bradley) está aparentemente fora de forma…

Para os amantes da série, os problemas não param por ai. A participação de Kirsty na história talvez tenha sido o que mais atrapalhou um maior interesse pela produção, uma vez que se trata de uma das personagens chaves da série. Depois de 11 anos sem dar notícias, seria interessante ouvir algumas explicações de Kirsty, como saber o que ela fez depois do segundo Hellraiser. Ela conseguiu se recuperar após os eventos dos primeiros filmes? O que aconteceu com Tiffany (Imogen Boormen, da parte 2)? Trevor sabia do seu passado, quando lhe deu a caixa?

É interessante observar que esses diálogos iriam acrescentar ao filme no máximo cinco minutos a mais de duração. Mais interessante ainda é saber que essas falas existiram, foram gravadas, porém, deixadas de lado pelo diretor Rick Bota. “Não queria entediar ninguém com essas informações desnecessárias“, afirma Bota, explicando que pessoas que nunca assistiram a saga iriam ficar perdidas com relação à história. Bom, se o interesse dele era esse, então por que trazer Ashley de volta para a série, já que apenas os fãs de carteirinha conhecem-na?

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Nem no esperado reencontro entre Pinhead e Kirsty as coisas melhoram. Para se ter um exemplo prático disto, assista a terceira cena deletada do DVD, onde existe um diálogo muito mais bem elaborado, onde eventos do passado são mencionados, levando a crer que Kirsty superou sim os acontecimentos. Para ter mais raiva, assista essa mesma cena com o comentário do diretor.

CORRENTES DE PLÁSTICO

Talvez esse seja o principal problema dos atuais filmes de terror, onde as questões psicológicas e emocionais dos personagens são deixadas de lado em troca de cenas banalizadas e gratuitas de sangue e terror, que não acrescentam nada para a narrativa.

Outro problema grave do filme é a falta de criatividade do diretor para superar o baixo orçamento. Tudo bem que trabalhar com poucos recursos interfere no resultado final do produto, mas para toda regra existem exceções, afinal, filmes clássicos como O Massacre da Serra Elétrica (1978), Psicose (1960), A Noite dos Mortos Vivos (1968), Evil Dead (1982), além do primeiro Hellraiser foram rodados com orçamentos bastante simplórios e nem por isso deixaram de ser os clássicos que são. No caso do Caçador do Inferno, até as famosas correntes são feitas de um material plástico vagabundo.

No entanto, Hellseeker não é o pior da série. O próprio Rick Bota dirigiria posteriormente Hellraiser: O Retorno dos Mortos (Hellraiser: Deader, 2005) e Hellraiser 8: O Mundo dos Mortos (Hellraiser: Hellworld, 2005), que conseguem ser os pontos mais baixos de toda a saga. Mas realmente este sexto exemplar deixa a desejar em vários aspectos e talvez seja justamente o retorno de Kirsty que mais tenha decepcionado os fãs da série. Da forma como foi conduzido, teria sido melhor que ela tivesse encerrado sua participação no Hellraiser 3.

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Filipe Falcão

Filipe Falcão

Jornalista formado e Doutor em Comunicação. Fã de filmes de terror, pesquisa academicamente o gênero desde 2006. Autor dos livros Fronteiras do Medo e A Aceleração do Medo e co-autor do livro Medo de Palhaço.

5 comentários em “Hellraiser 6: Caçador do Inferno (2002)

  • 08/07/2019 em 23:11
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    Esse filme é uma bagunça completa, eu juro que tentei gostar mas simplesmente não consigo, as cenas são ruins, os poucos momentos de terror acabam estragados por causa do roteiro sem noção, o final é extremamente previsível, a presença da Kirsty acabou deixando mais confuso ainda.

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  • 15/02/2018 em 02:08
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    Eu fiquei me perguntando o filme todo o porquê que ela ficou brava quando recebeu a caixa e só no fim eu me toquei que era a kristy dos primeiros filmes.O filme é confuso e essa coisa de tentar copiar o clima do 5 me incomodou.Estou assistindo a franquia agora e esse é o pior por enquanto.

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  • 11/02/2017 em 13:14
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    Vi como m pequeno ponto positivo eles trazerem a Kristy de volta, assim como a hora do pesadelo 3 tb trouxeram a Nancy, pois memso enfrentando os seus pesadelos os personagens depois vivem uma vida comum por aí, e nada impede que tudo volte kkk, mas a atuação desse ator e horrível de doer mesmo kkkk.

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  • 25/07/2015 em 21:49
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    Dando sequência as continuações infernais, a Dimension trouxe mais um filme com roteiro adaptado para a série Hellraiser. Neste Caçador do Inferno, temos uma história de suspense qualquer misturada a Pinhead e cia. Numa tentativa infame de criar alguma ligação com os 4 clássicos da franquia, cometeram a heresia de trazer a personagem Kirsty, mocinha dos 2 primeiros filmes e, pior, ainda colocaram um diretor bastante limitado para tocar o projeto. Salva-se o elenco carismático e a boa trilha-sonora. Nota 4!

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