Die Präsenz (2014)

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Original:Die Präsenz / The Presence
Ano:2014•País:Alemanha
Direção:Daniele Grieco
Roteiro:Daniele Grieco
Produção:Daniele Grieco
Elenco:Liv Lisa Fries, Matthias Dietrich, Henning Nöhren, Susanne Reuter, Andreas Stenschke

Na trajetória dos found footage existem filmes que copiaram a fórmula de A Bruxa de Blair (horror na floresta, despedida, horror sugestivo), Rec (equipe de filmagem preso a um ambiente sinistro) e Atividade Paranormal (gravações espalhadas por cômodos, experimentos e caça às assombrações). Alguns até se misturam, mas poucos vão além dessa estrutura básica, tentando inovar e desenvolver o subgênero. O alemão Die Präsenz segue a cartilha dessa última categoria, mudando apenas a ambientação para um castelo, sem que isso faça qualquer diferença no que se propõe.

O casal Rebecca (Liv Lisa Fries) e Markus (Matthias Dietrich) se une ao amigo Lukas (Henning Nöhren) para uma viagem experimental. A garota, que imaginava um encontro romântico com o parceiro, é levada até um castelo abandonado que tem fama de ser assombrado. Apesar de estarem dispostos a invadir o local, estranhamente Markus possui as chaves de todos os cômodos, sem que haja qualquer explicação razoável para isso. Aliás, poucas coisas se explicam: embora esteja abandonado há dois anos, ele ainda possui eletricidade e até água corrente.

A intenção do grupo, com a exceção de Rebecca que nunca quis estar ali, é fazer registro de assombrações para um trabalho de faculdade. Eles utilizam uma única câmera, que irá acompanhá-los durante os dez dias que passarão ali, com a maior parte das gravações acontecendo na madrugada, estaticamente, e outras conduzidas pelos cômodos como o sótão, a cozinha e a área externa. É muito pouco. É difícil acreditar que eles estejam realmente dentro de um castelo, pois há pouca exploração e o aspecto interior não traz essa impressão.

Depois de conferir num artigo na internet como se estabelece o contato com uma assombração – e provavelmente ela deve ter ouvido porque segue cada passo da fórmula -, eles começam a notar uma presença, no ritmo que aterrorizou Katie e Micah naquela casa maldita: batidas na parede, uma porta que se abre em movimento suspeito, velas que se acendem…Com o passar dos dias, com a intensidade aumentando cada vez mais, Rebecca continua insistindo pelo fim do passeio e retorno à civilização, o que é sempre negado pelo namorado. Aos poucos, eles passam a ser ameaçados, principalmente com algumas mudanças de comportamento da garota, que inicia os primeiros estágios de possessão.

Como foi anunciado nos créditos, o espectador já sabe que apenas um deles sairá vivo dali, restando apenas a paciência para aguentar o passeio da câmera nas mãos da entidade e o crescente medo dos jovens. Durante o processo você se pergunta a razão do uso exagerado da câmera, como nos momentos em que registra brigas do casal ou até a reação deles ao verem as filmagens da noite anterior. É muito pouco – praticamente nada – que justifique seu interesse pelo que está acontecendo ali, ampliada pela falta de empatia dos personagens e a ausência de um contexto interessante.

A estreia de Daniele Grieco na direção de longas é bastante sonolenta e irritante. E ela insistiu no estilo com outro found footage, UFO: It Is Here, em 2016, com avaliações bastante negativas e desanimadoras.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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