![]() Um Estranho no Bosque
Original:Stranger in the Woods
Ano:2024•País:EUA Direção:Adam Newacheck Roteiro:Holly Kenney Produção:Adam Newacheck, Kyle Newacheck Elenco:Holly Kenney, Brendin Brown, Paris Nicole, Radek Antczak, Teddy Spencer, Devon Stewart |
Após o falecimento de seu noivo e uma tentativa de suicídio, Olivia decide passar umas férias com os seus amigos. O destino dessa turma? Nada de praias cariocas ou a brisa baiana, mas sim uma cabana no meio do nada, onde um sujeito estranho faz comentários obscenos sobre as mulheres, carrega um revólver pra todo lado e, acima de tudo, se veste como um velho tendo crise de meia-idade e pagando de adolescente descolado.
Sinceramente? Hotéis são tão caros que, se bobear, eu ia preferir essa cabana.
Um Estranho no Bosque é mais uma daquelas produções que diretamente nos remetem a alguns dos maiores clássicos do terror, tais quais Sexta-Feira 13, O Enigma de Outro Mundo, Hush e, claro, A Morte do Demônio (inclusive, a forma como trabalharam a protagonista me remeteu ao título dirigido por Fede Álvarez). A diferença é que, diferentemente de grande parte dos títulos desse subgênero, a ideia aqui é explorar o luto da protagonista. Essa condição rende momentos interessantes, onde ataques de pânicos e vitimizações psicológicas promovem um terror menos físico, mas igualmente assombroso. O filme, acima de tudo, se vende como um suspense, contendo um mistério que promete pegar todos desprevenidos e gerar tensão.
O problema é que, por mais que o filme exprima essa ambientação soturna, não é o suficiente para sustentar sua duração. Se no início o clima é de que algo grande vem aí e que é necessário manter a atenção nos detalhes, rapidamente somos apresentados a um marasmo irritante, que parece dizer ao telespectador que não vale a pena investir tempo no projeto. São montagens vazias, com trilha sonora genérica e personagens antipáticos, que estão sempre discutindo ou simplesmente não possuem qualquer característica que os diferencie. No caso, os secundários da trama são tão qualquer coisa, que simplesmente SOMEM no meio da história. Sim, desaparecem mesmo, dão tchau e não voltam mais!
O pior ponto, com certeza, é sobre a grande reviravolta do roteiro. Depois de enfrentar um amontoado de nada, eis que a tal revelação não vem de maneira orgânica; na verdade, é o exato oposto. Ocorre no meio de uma troca de mensagens entre a protagonista e uma das outras personagens, numa ação que escancara todo roteiro para o espectador. Subitamente, o filme espera que você se importe com o que está acontecendo em tela, sendo que nada daquilo foi construído para causar qualquer outra sensação além de apatia e – considerando o quão repentino tudo aquilo é – confusão. Foi uma escolha bizarra por parte dos realizadores, que parecem não saber exatamente onde encaixar esse tal plot twist. Além disso, a direção geral e a atuação de Brendin Brown foram incompetentes na tarefa de fazer qualquer coisa no mistério proposto parecer natural, o que entregou a tal descoberta horas antes de seu acontecimento.
Sinceramente, o único ponto positivo que consigo encontrar é a atuação de Teddy Spencer, que consegue contrastar ante a mediocridade geral de seus demais colegas de trabalho. Não que seu personagem seja excepcionalmente profundo ou coisa do tipo, mas o ator claramente é capaz de trabalhar com nuances psicológicas e detalhes físicos que rendem mais personalidade ao projeto.
Penso que essa é a palavra-chave para definir o fracasso de Um Estranho no Bosque: “personalidade”. Se por um lado eu não possuía grandes expectativas com o filme, com toda certeza esperava, minimamente, me divertir com a experiência. Em longas do tipo, geralmente não existe um texto exímio ou coisa assim, mas ao menos há uma tentativa de construir uma direção envolvente, capaz de contar uma história e entreter o público. Infelizmente, Adam Newacheck não parece ter particularmente se esforçado para trabalhar em prol desses aspectos, e o resultado é uma produção que não exprime vontade ou sequer o nível mais básico de humanidade.
No fim do dia, Um Estranho no Bosque tenta abordar temas complexos como depressão e síndrome do pânico, mas dá uma guinada brusca direto para o meio-fio e falha em explorar qualquer temática para além das obviedades e repetições. Por vezes, me peguei pensando: “cara, se algum dia uma IA dirigir um filme, vai ser exatamente assim.”
Aliás, tem uma cena em que mostram uma página do Microsoft Word e o texto não está com o alinhamento justificado… só por esse motivo esse filme já merece um zero!






