Rota da Morte (2003)

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Rota da Morte
Original:Dead End
Ano:2003•País:França
Direção:Fabrice Canepa, Jean-Baptiste Andrea
Roteiro:Fabrice Canepa, Jean-Baptiste Andrea
Produção:Gabriella Stollenwerck, James Huth
Elenco:Ray Wise, Lin Shaye, Mick Cain, Alexandra Holden, William Rosenfeld, Amber Smith, Karen S. Gregan, Sharon Madden, Steve Valentine, Jimmie F. Skaggs, Clement Blake

Um dos grandes sucessos da era pós-VHS, Rota da Morte (Dead End, 2003) é uma produção francesa, filmada em inglês, que conquistou o público com um enredo fantasmagórico divertido, um causo de horror que poderia figurar como uma versão estendida de um episódio da clássica série Além da Imaginação. Na época de seu lançamento em DVD, o longa vendeu mais de U$S70 milhões de cópias, e ainda conquistou prêmios em festivais como o de Bruxelas e o Prêmio do Júri no Fant-Asia Film Festival.

O que chama a atenção em Rota da Morte é sua história simples, uma variação da lenda urbana do espírito que assombra uma estrada interminável, além de contar com dois rostos conhecidos do gênero em atuações impressionantes. Ray Wise tem uma longa carreira no cinema com atuações em mais de 250 produções, incluindo de horror como O Monstro do Pântano (1982), Olhos Famintos 2 (2003), A Vila do Medo (2011), Nas Profundezas do Solo (2014) e Renascida do Inferno (2015), com destaque para sua participação na série Twin Peaks (1989-1991). E Lin Shaye é um rosto lembrado na franquia Sobrenatural, mas também esteve em Criaturas (1986), O Escondido (1987), O Sobrevivente (1987), Criaturas 2 (1988), Amityville 7: A Nova Geração (1993), O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger (1994), Serpentes a Bordo (2006) e tantos outros.

Em Rota da Morte, Wise e Shaye interpretam o casal Frank e Laura Harrington trafegando numa estrada à noite, em plena Véspera de Natal, com os filhos Richard (Mick Cain), Marion (Alexandra Holden) e o namorado dela, Brad (William Rosenfeld). Pelo fato de já ter se cansado do mesmo caminho todo ano, pela interestadual, Frank optou por um atalho, mas um breve cochilo quase ocasiona uma batida frontal, acordando todos os demais em diversas discussões divertidas, típicas de uma família que tenta se manter pelas aparências. As brigas dos irmãos, as provocações de Richard e a tentativa de Laura de atrair o espírito natalino mudam de rumo quando encontram uma mulher de branco pelo caminho, segurando o que parece ser um bebê.

Marion dá seu lugar a ela, enquanto Frank retorna para encontrar uma cabana que viu no caminho, pensando em telefonar para solicitar ajuda. Sozinho no carro, Brad pergunta à moça, até então silenciosa e assustada, sobre o bebê, descobrindo da pior forma que se trata de uma criança morta. É o ponto de partida para um pesadelo claustrofóbico, em ambiente único, numa espécie de slasher sobrenatural: cada um dos familiares, quando encontram a mulher fantasma, depois é visto aos pedaços na via e também no interior de um estranho carro preto.

Apesar do humor ocasional nos diálogos e situações propostas no filme de Jean-Baptiste Andrea e Fabrice Canepa, ele carrega uma atmosfera sobrenatural de intensos arrepios. É possível o infernauta se sentir como um passageiro aterrorizado a mais daquele passeio por uma estrada escura, com florestas densas em ambos os lados, em um cenário que se repete intencionalmente. Ainda que a iluminação noturna não seja condizente com o que a família está enfrentando, a sensação de insegurança e de ameaça são constantes.

Talvez não fizesse tanto sucesso se a composição de elenco fosse diferente. Transmite realmente a química de uma família envolta em segredos que serão revelados durante o trajeto, quando, além da assombração, eles também começarem a encontrar outras pistas como as placas que indicam a proximidade de Marcott. Sem exposição de corpos ou fantasmas flutuando ou com aspectos de entidades perturbadas, o horror sugerido contribui bastante para o incômodo, como se o público fosse capaz de enxergar o que os Harrington estão vendo.

Mesmo depois mais de vinte anos, já conhecendo o caminho, Rota da Morte continua interessante. Depois de tantas obras similares, com estradas e assombrações, pode ser que o filme já não seja visto com os méritos da criatividade, mas vale a pena principalmente pelas atuações convincentes e insanas de Wise e Shaye à medida em que percebem que a chegada pode ser mais assustadora que o percurso.

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