3.7
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Borboleta Negra
Original:Black Butterfly
Ano:2017•País:Espanha, EUA, Itália
Direção:Brian Goodman
Roteiro:Justin Stanley, Marc Frydman
Produção:Monika Bacardi, Alberto Burgueño, Marc Frydman, Juan Antonio García Peredo, Andrea Iervolino, Alexandra Klim, Silvio Muraglia
Elenco:Antonio Banderas, Jonathan Rhys Meyers, Piper Perabo, Vincent Riotta, Brian Goodman, Katie McGovern, Jake Daley, Craig Peritz, Abel Ferrara

Às vezes, a busca por alguma coisa pode conduzir a outra completamente diferente. A partir daí, existem duas possibilidades: um alento para a continuidade da procura ou uma surpresa agradável, quando a outra sacia as expectativas e até faz com que o “alguma coisa” tenha sua força diminuída. Isso acontece o tempo todo, desde uma simples compra no supermercado até um encontro às escuras, valendo a pena uma experimentação antes de manter a posição firme sobre suas preferências. Essa filosofia de frase de caminhoneiro serve para explicar um episódio particular: estava à caça da aventura biográfica Selva (Jungle, 2017), de Greg McLean, e fui surpreendido pelo longa que motivou esta resenha, dirigido por Brian Goodman, com um elenco encabeçado pelo ex-galã Antonio Banderas. Não fazia parte da minha lista pessoal de futuras produções a serem conferidas – aliás, desconhecia completamente a existência desse filme – , mas resolvi dar uma chance ao acaso, e a segunda possibilidade acabou se configurando de maneira satisfatória.

Borboleta Negra aparentemente é um suspense envolto em clichês, com um roteiro similar ao de muitas produções que costumavam passar no Supercine, da Rede Globo. Veja bem: Banderas é um escritor com bloqueio criativo. Já fez sucesso anteriormente em suas publicações, alcançando até mesmo um best-seller, mas tinha problemas quando elas eram adaptadas para o cinema, devido à maldição dos produtores que sempre mudam o conteúdo original, deixando apenas o título. Perdeu a mulher, e tem como principal companheira suas bebidas, enquanto aguarda alguma pessoa interessada em comprar sua casa rural, com a ajuda da bela corretora Laura (Piper Perabo). Com a rejeição de seu editor e sem ideias para um novo livro, Paul acompanha discretamente uma série de crimes que acontecem na pequena cidade onde vive, envolvendo o sumiço e assassinato de quatro mulheres nos últimos anos.

Certo dia, após uma discussão no trânsito, com a atitude imprudente de um caminhoneiro, ele vai ao encontro de Laura em um bar. Assim que ela se despede, o motorista do caminhão decide tirar satisfações com ele, tendo a intervenção de um estranho. Depois que Jack (Jonathan Rhys Meyers) o ajuda no bar, Paul resolve lhe dar uma carona e o convida a passar uma noite em sua casa, mesmo sabendo pouco sobre a nova companhia. O que era apenas uma noite transforma-se numa estadia fixa, quando Jack começa a fazer comida e arrumar a casa, corrigindo algumas falhas de sua estrutura. A amizade logo começa a mudar, com alguns comportamentos estranhos do visitante, levando o escritor a desconfiar de seu caráter e passado nebuloso. Para piorar, Jack parece disposto a se intrometer na sua escrita, sugerindo mudanças nos rumos de suas histórias e até a roteirização do que realmente anda acontecendo ali.

Por diversas vezes, é possível que você se lembre do excelente Bad Company – Maus Companheiros, de Victor Salva. A diferença é que, no longa de 1995, você seguia o rastro de sangue do assassino, enquanto no longa de Brian Goodman os crimes não acontecem com tanta frequência a ponto de inicialmente preocupar o espectador. A tensão principal está na relação conturbada da dupla e nas atitudes agressivas do estranho, que nunca permite que você antecipe suas ações. O frio Jack nunca deixa claro seu objetivo ali: será que ele realmente está querendo ajudar Paul a sair de seu bloqueio ou é apenas um louco que cruzou seu caminho e quer aproveitar a nova morada? Em dado momento, em um banho no lago, Paul nota que o estranho possui uma borboleta negra tatuada nas costas, simbolizando uma importante aliada na solução dos mistérios.

Com um roteiro bem estruturado nas mãos de Justin Stanley (Beneath Loch Ness, 2001) e Marc Frydman, Borboleta Negra traz duas grandes reviravoltas, que podem surpreender ou não o infernauta atento, mas que funcionam bem ao que está sendo proposto.  Aliás, os mais observadores irão notar uma pontinha do diretor Abel Ferrara, de Vício Frenético e O Assassino da Furadeira. Ainda que peque no últimos 30 segundos da produção – não precisava dessa cena final -, Borboleta Negra se revela uma grata experiência, principalmente para alguém que esperava ver outras espécies em uma aventura por uma mata densa.

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2 Comentários

  1. Curti mto esse filme na época que o assisti, não esperava muito, mas até que teve umas boas reviravoltas.Pra quem não tinha nada pra fazer no dia, foi uma grata surpresa!

  2. O que houve com o protocolo de segurança do site? Minha rede fica toda hora interrompendo meu acesso.

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