
![]() O Jogo do Predador
Original:Apex
Ano:2026•País:EUA, Austrália, Islândia Direção:Baltasar Kormákur Roteiro:Jeremy Robbins Produção:Ian Bryce, Peter Chernin, A.J. Dix, Beth Kono, Baltasar Kormákur, David Ready, Magnús Viðar Sigurðsson, Charlize Theron, Jenno Topping Elenco:Charlize Theron, Taron Egerton, Eric Bana, Matt Whelan, Bessie Holland, Aaron Pedersen, Duncan Fellows, Willow Seager, Willow Seager, Caitlin Stasey |
O roteiro de O Jogo do Predador (Apex, 2026) foi escrito em 2021 por Jeremy Robbins, chamando a atenção da Netflix por ele ter feito parte da lista dos “melhores roteiros não filmados” do ano. Não sei quem participa dessa seleção para ter visto algo tão diferente nesse survival horror trivial, cujos méritos estão na escolha de Charlize Theron como protagonista e nas locações. Para se ter uma ideia do nível de criatividade da trama, a cena inicial mostra Sasha (Theron) escalando com o marido Tommy (Eric Bana) a Muralha dos Trolls na Noruega até vê-lo despencar para a morte, no típico trauma de aventura que você já viu no início de A Queda (Fall, 2022), em Risco Total (Cliffhanger, 1993), e até na queda do guaxinim em Ace Ventura 2: Um Maluco na África (Ace Ventura: When Nature Calls, 1995), só para citar alguns. E você nem precisa dizer que se surpreendeu quando o personagem de Bana diz coisas sobre despedida e tenta em vão ensinar Sasha a conseguir algo que servirá para o propósito do enredo lá na frente.
Meses depois, ela desistiu de escalar (ideia óbvia), mas não das aventuras: partiu para o Parque Nacional de Wandarra, na Austrália, com a bússola da sorte do marido (vai servir para algo lá na frente) para um passeio exploratório, sabendo por um guarda-floresta a respeito de sumiços na região. Para ajudar em outras ideias recicladas, há os óbvios cartazes de desaparecidos ali no posto, ela será atormentada por caçadores locais e ajudada pelo aparente simpático Ben (Taron Egerton, de Bagagem de Risco, 2024, e da franquia Kingsman). Se você acordou de um sono criogênico, talvez tenha dificuldade de entender com quem ela terá problemas na mata.
Depois de mais uma vez reencontrar os caçadores, Sasha descobre em um acampamento que suas coisas desapareceram e aceita a ajuda de Ben, que ainda oferece a carne seca que vende, sem que a moça saiba a procedência do produto. Logo ele se revela como mais um caçador, desta vez de pessoas, propondo um jogo: ela tem até o fim do soar de uma música a vantagem para fugir, antes que ele comece a persegui-la com sua besta. Daí por diante, as facilidades do roteiro disfarçadas de instinto de perseguição fazem com quem não importa se ela caia em um rio, atravesse muralhas e busque abrigo o mais distante possível, pois Ben sempre a encontrará para mais sequências de perseguição e luta pela sobrevivência.
O que difere este de outros filmes do subgênero survival nature como O Rio Selvagem (The River Wild, 1994), com Kevin Bacon e Meryl Streep, é a descoberta do covil de Ben, revelando-se um canibal ritualístico, que sequestra pessoas e vende sua carne. Dá um tom mais sombrio à produção, ainda que levante dúvidas sobre a ineficiência dos guardas-florestais em encontrar os corpos, fazer uma busca mais aprofundada por lá. Imaginei que Sasha teria ainda um terceiro encontro com os caçadores, invertendo os papéis, mas não é o que acontece. A protagonista terá que enfrentar seus traumas para combater o predador, sem mais surpresas pelo caminho.
Líder algumas semanas da plataforma, O Jogo do Predador chama mesmo a atenção pela presença de Charlize Theron em uma atuação física. De acordo com as curiosidades da produção, a atriz se preparou durante semanas com a experiente Beth Rodden, fazendo boa parte das cenas de ação sem o uso de dublês. Ela gostou bastante da experiência, dizendo, inclusive, que este está entre seus trabalhos favoritos da carreira: “Em trinta anos, fiz muitos filmes e amei todos eles por diferentes motivos, mas há algo nesse filme: a maneira como o filmamos, onde o filmamos, a época da minha vida em que eu precisava ir e encontrar algo em que eu pudesse simplesmente mergulhar em um mundo.“.
Talvez pela diferença de seu papel ou pela época de realização, Theron tenha gostado. É uma pena que o roteiro não tentou algo novo, indo além das ambientações e dos lugares-comuns, propondo um percurso diferente, sem reciclar ideias.




