4.7
(7)

Coerência
Original:Coherence
Ano:2013•País:EUA
Direção:James Ward Byrkit
Roteiro:James Ward Byrkit
Produção:Lene Bausager
Elenco:Emily Baldoni, Maury Sterling, Nicholas Brendon, Lorene Scafaria, Hugo Armstrong, Elizabeth Gracen, Alex Manugian, Lauren Maher

por Samuel Bryan

Oito amigos de longa data resolvem se reunir num já tradicional jantar regado a vinho. Mesmo sendo bastante fraterna, a verdade é que relacionamentos são complicados e mudanças ao longo do tempo dentro desse grupo, com laços que se foram e novos que surgiram, causam um constante clima inquietante de tensão que a todo custo é contornado pelo longo convívio.

Coincidentemente, o jantar também é marcado por um evento astronômico, a passagem do cometa Miller pela órbita da Terra. Entre conversas sobre situações estranhas e celulares que começam a quebrar do nada, um apagão ocorre em toda a vizinhança e, ao olhar pela janela, uma única casa brilha com luz no horizonte. É quando dois deles resolvem ir lá para pedir um telefone emprestado que uma situação muito além da compreensão da ordem natural irá marcar suas existências.

Esse é só o começo de Coherence, escrito e dirigido por James Ward Byrkit, que contou com um orçamento mínimo 50 mil dólares e foi rodado em apenas seis dias, conquistando ainda assim uma legião de adoradores ao misturar ficção científica e terror, provavelmente num dos produtos mais originais da década.

Ao brincar com o conceito quântico e unir a teoria do Multiverso com a teoria do Gato de Schrödinger, Coherence usa da física moderna para construir seu clima de mistério, ainda com o mérito de um crescimento constante, com o filme prendendo seu fôlego a cada situação ou reviravolta.

Sem violência ou o típico gore de filmes do gênero de terror que flertam com o sci fi, a genialidade do roteiro de Coherence vem da mera questão psicológica dos conceitos aqui usados. Num entrelaçamento cósmico infinito, os oito personagens se encontram num desespero pessoal que transborda a tela. Ao brincar com realidades alternativas, temos aqui os anseios de seus personagens por corrigir erros, mas sempre causando novos, e tentar voltar no tempo, mesmo que precise pagar um alto preço e superar consequências, resultando em algumas ainda maiores.

Ao assumir a perspectiva de Em (Emily Baldoni), o filme também mergulha no conceito da dualidade de seus personagens. Existe o bem? Existe o mal? As escolhas de Em ao longo de Coherence são outro ponto alto do filme, convergindo para um final desolador com uma reviravolta imprevisível e cruel junto a personagem.

Infelizmente, o filme não é perfeito. Talvez por trabalhar com tantos conceitos científicos e até matemáticos distantes do grande público, Coherence se faz por explicar demais. A partir do momento que o personagem Hugh (Hugo Armstrong) encontra o livro de seu irmão que é físico, repleto de simplesmente todas as explicações necessárias para entender o filme, a verdade é que ele perde um pouco de seu charme dentro do mistério apresentado, mas nada que atinja o resultado final da obra.

Com um fascinante ar saudosista de Além da Imaginação, Coherence é um marco muito além do circuito indie onde o filme cresceu e foi reconhecido. Inteligente e instigante, ele é uma verdadeira aula de como fazer cinema ao mostrar ser possível produzir terror sci fi sem exageros gráficos ou orçamentos estrambólicos, se tornando marcante por seu legado psicológico e até mesmo filosófico.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4.7 / 5. Número de votos: 7

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Sobre o Autor

1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *