Jurassic World: Acampamento Jurássico – 2ª Temporada (2021)

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Jurassic World: Acampamento Jurássico - 2ª Temporada
Original:Jurassic World: Camp Cretaceous - Season 2
Ano:2021•País:EUA
Direção:Shih Ming Tay, Zesung Kang, Michael Mullen, Eric Elrod, Leah Artwick
Roteiro:Michael Crichton, Zack Stentz, Scott Kreamer, Sheela Shrinivas, Josie Campbell, Rick Williams, M. Willis
Produção:Steven Spielberg, Frank Marshall
Elenco:Paul-Mikél Williams, Jenna Ortega, Ryan Potter, Kausar Mohammed, Raini Rodriguez, Sean Giambrone

De volta à ilha Nublar para mais aventuras com dinossauros vorazes. A primeira temporada de Jurassic World – Acampamento Jurássico foi uma boa surpresa ao envolver o protagonismo de pré-adolescentes em um ambiente que aos poucos se mostrou extremamente hostil. Havia um certo receio que, por se tratar de uma animação com baixa censura, teríamos uma versão açucarada no contexto desenvolvido por Michael Chrichton. Houve um pouco de um tom infanto-juvenil realmente até pelas improbabilidades propostas, mas os animais à solta são os mesmos da versão live action, e estão dispostos a fazer vítimas fatais, sem a necessidade de exposição de corpos e pessoas sendo devoradas on-screen – ora, nem os filmes foram capazes de mostrar algo assim.

Desse modo, com boas expectativas pelo final aberto, chegou a Netflix no dia 22 de janeiro a segunda temporada. Com direção de Shih Ming Tay, Zesung Kang, Michael Mullen, Eric Elrod e Leah Artwick, a bem realizada animação procurou explorar outros caminhos no ambiente – alguns conhecidos dos fãs dos filmes – e outros dinossauros. Além da interação sempre empolgada dos jovens, envoltos em descobertas típicas da idade, a nova temporada também optou acertadamente por praticamente excluir os adultos da produção, imaginando situações de tensão a partir de suas decisões e tentativas de encontrar meios de sair dali. É quase como uma espécie de Caverna do Dragão, cujos poderes do grupo envolvem apenas suas habilidades e conhecimentos anteriores.

A primeira temporada se baseou em dois atos: os jovens conhecendo a programação do acampamento e tentando burlar regras; e a luta para conseguir chegar à última embarcação que iria sair da ilha. Sem atingir o objetivo, Darius (na voz de Paul-Mikél Williams), Brooklynn (Jenna Ortega), Kenji (Ryan Potter), Sammy (Raini Rodriguez) e Yasmina (Kausar Mohammed) partem para encontrar um abrigo e acionar um transmissor, que irá permitir que as pessoas saibam que ainda há pessoas na ilha. No episódio inicial, a missão é procurar o tal aparelho na rua principal do parque, aquela que em Jurassic World fora atacada por pterodáctilos e teve a briga final entre o Indominous e o Tiranossauro Rex.

Além da dificuldade de encontrar o aparelho, quando conseguem, descobrem que ele está no habitat do Tiranossauro e terão que agir em grupo para tentar distrai-lo. A aventura continua pela busca de um local seguro, e algumas pequenas missões como descobrir o que seria a vibração sentida no solo e a água que não está descendo para formação de um riacho. Em meio a essas tentativas, Yas se machuca e precisa do apoio de Kenji, que, pela boa vida que sempre teve, deixa evidente que não está acostumado a fazer coisa alguma, em um processo de transformação que acontecerá aos poucos. Além dele, outros personagens vão adquirindo uma nova postura, a partir de aprendizados adquiridos na vida selvagem como Brooklynn e Sammy, a primeira por deixar de lado a vontade de “ganhar views” e a segunda por se mostrar corajosa e útil ao grupo.

Contudo, ninguém sofreu uma mudança tão significativa quanto Ben (Sean Giambrone). O garoto, dado como morto depois de uma tentativa de heroísmo na primeira temporada, não apenas está vivo como aprendeu a sobreviver na selva. Sua transformação foi apresentada em um episódio a parte, que o fez deixar de ser hipocondríaco e chorão para um menino das selvas, guerreiro e capaz de confrontar dinossauros e qualquer outro desafio. Sua volta acontece no exato momento em que o grupo descobre três adultos na ilha: um casal de eco-turistas, Tiff (Stephanie Beatriz) e Mitch (Bradley Whitford), além do segurança mal encarado Hap (Angus Sampson). Estão lá para fotografar dinossauros, com o apoio do guia, e querem a ajuda dos jovens, principalmente Darius, para encontrar os animais. Mas, na verdade, as coisas não são como eles imaginam.

Assim, como acontece em 9 entre 10 produções, o grande perigo se evidencia nas relações humanas, na ganância e no egocentrismo. Os jovens precisam aprender a lidar com os obstáculos da própria selva, e ainda a confrontar adultos que agem de maneira mais inconsequente do que eles mesmos. E o enfrentamento pode trazer a oportunidade de sair da ilha, desde que entendam a necessidade de unir as forças e contem com um pouco de sorte. Ao mesmo tempo que buscam a saída, também realizam boas ações como a de libertar animais ainda aprisionados para que eles tenham uma oportunidade de sobrevivência.

A nova temporada também explora bastante o uso das tecnologias. Além do transmissor, adquirem importância os walkie talkies, o sistema de comunicação do parque e principalmente o de controle por câmeras, permitindo momentos de desespero quando eles notam uma situação alarmante e o risco que o amigo está correndo. Há também o mistério em torno do segredo mantido pelo Dr. Wu, único personagem presente em toda a franquia, e um certo envelope com os dizeres “E750“, que antecipa experimentos que faziam parte dos realizadores do parque, envolvendo mutação genética e mistura entre espécimes – um ponto que será explorado na terceira temporada.

Ainda mais divertida que a primeira temporada, com grandes surpresas e mudanças narrativas, Jurassic World – Acampamento Jurássico continua se reinventando ao explorar novos caminhos. Um deles é a interessante inclusão de uma família de Baryonyx, que ganha bastante destaque por diversos momentos e são dinossauros bastante vorazes. Ainda assim, é uma pena que não tivemos momentos com os terríveis Velociraptors, justificável pela dificuldade imensa de fuga e sobrevivência dos jovens aventureiros. Com uma última cena promissora, fica a expectativa sobre os novos desafios que a garotada irá enfrentar na terceira temporada, com bom humor e inteligência.

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Marcelo Milici

Professor e crítico de cinema há vinte anos, fundou o site Boca do Inferno, uma das principais referências do gênero fantástico no Brasil. Foi colunista do site Omelete, articulista da revista Amazing e jurado dos festivais Cinefantasy, Espantomania, SP Terror e do sarau da Casa das Rosas. Possui publicações em diversas antologias como “Terra Morta”, Arquivos do Mal”, “Galáxias Ocultas”, “A Hora Morta” e “Insanidade”, além de composições poéticas no livro “A Sociedade dos Poetas Vivos”. É um dos autores da enciclopédia “Medo de Palhaço”, lançado pela editora Évora.

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